Milho sobe em Chicago com compras de fundos e demanda aquecida, enquanto mercado brasileiro mantém disputa por preços
Cotações internacionais avançam impulsionadas por investidores, exportações e preocupações climáticas; no Brasil, avanço da colheita e cautela entre compradores e vendedores limitam os negócios.
Publicado em: 07/08/2026 às 11:40hs
O mercado internacional do milho iniciou esta sexta-feira (7) em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), impulsionado pelo aumento das compras por fundos de investimento, pela demanda internacional consistente e pelas preocupações com o clima nos Estados Unidos e na América do Sul. No mercado brasileiro, porém, o cenário permanece mais equilibrado, com a evolução da colheita da segunda safra e a disputa por preços entre produtores e consumidores restringindo o ritmo das negociações.
Milho amplia ganhos em Chicago com apoio de investidores e exportações
Os contratos futuros do milho estenderam os ganhos registrados na sessão anterior e abriram o dia em campo positivo na CBOT.
O contrato com vencimento em setembro de 2026 era negociado a US$ 4,41 por bushel, com valorização de 2,50 pontos. O vencimento dezembro/26 avançava para US$ 4,64, enquanto março/27 era cotado a US$ 4,79 e maio/27 alcançava US$ 4,88 por bushel, ambos com ganhos de 2,25 pontos.
O movimento acompanha uma retomada do apetite dos investidores pelas commodities agrícolas, em meio às incertezas sobre o potencial produtivo das lavouras norte-americanas.
Segundo analistas internacionais, embora parte das previsões climáticas indique melhora nas condições das áreas produtoras dos Estados Unidos, ainda há dúvidas sobre a capacidade de recuperação das lavouras que sofreram estresse hídrico durante fases críticas do desenvolvimento.
Além disso, projeções climáticas de longo prazo seguem indicando risco de continuidade do déficit hídrico, enquanto a expectativa de permanência do fenômeno El Niño ao longo de boa parte de 2026 também aumenta as preocupações com a próxima safra da América do Sul.
Outro fator que sustenta as cotações é o fortalecimento da demanda externa. As exportações norte-americanas continuam apresentando bom desempenho, com registros frequentes de vendas internacionais e crescimento da carteira de embarques da nova safra, reforçando a confiança dos investidores.
Mercado brasileiro segue cauteloso
Enquanto Chicago ganha força, o mercado doméstico continua operando de forma seletiva.
Na Bolsa Brasileira (B3), os contratos futuros apresentaram comportamento misto ao longo da quinta-feira, refletindo a disputa entre compradores e vendedores por melhores preços e o avanço da oferta da segunda safra.
O contrato de setembro de 2026 encerrou o pregão cotado a R$ 68,37 por saca, com leve alta diária de R$ 0,04. O vencimento novembro fechou em R$ 73,27, enquanto janeiro de 2027 terminou negociado a R$ 76,92 por saca.
Apesar das altas pontuais, os vencimentos ainda acumulam perdas na comparação semanal, demonstrando que o mercado permanece pressionado pelo aumento da disponibilidade de milho, ao mesmo tempo em que produtores evitam intensificar as vendas esperando preços mais atrativos.
Colheita avança e liquidez permanece limitada
Nas principais regiões produtoras do país, a comercialização continua ocorrendo de forma pontual.
No Rio Grande do Sul, os negócios seguem restritos, com preços variando entre R$ 58 e R$ 63 por saca. A oferta continua controlada pelos produtores, enquanto as indústrias realizam apenas compras de reposição.
Em Santa Catarina, permanece a diferença entre os preços pedidos pelos vendedores e os valores ofertados pelos compradores, reduzindo a liquidez do mercado. As referências giram em torno de R$ 60 por saca, enquanto a demanda permanece próxima de R$ 55.
No Paraná, a colheita da segunda safra já alcança aproximadamente 52% da área cultivada, segundo o Deral. As lavouras apresentam boas condições, com 85% classificadas como boas, favorecendo a expectativa de uma safra robusta. Ainda assim, a negociação continua lenta, com preços próximos de R$ 60 por saca.
Já em Mato Grosso do Sul, as cotações variam entre R$ 48 e R$ 50 por saca. Parte da nova produção vem sendo absorvida pelas indústrias de etanol de milho e bioenergia, fator que ajuda a reduzir a pressão de oferta sobre o mercado físico.
Mercado acompanha clima, exportações e ritmo da colheita
Os próximos movimentos do mercado de milho deverão continuar sendo influenciados por três fatores principais: a evolução das condições climáticas nos Estados Unidos, o desempenho das exportações norte-americanas e brasileiras e o avanço da colheita da segunda safra no Brasil.
Se a demanda internacional permanecer aquecida e as preocupações climáticas persistirem, Chicago poderá manter o viés positivo. No mercado brasileiro, entretanto, a tendência ainda é de negociações cautelosas, com produtores sustentando suas ofertas e compradores adquirindo apenas os volumes necessários, mantendo a disputa por preços nas principais regiões produtoras.
Fonte: Portal do Agronegócio
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