Consumo de café cresce 2,29% no Brasil com queda dos preços no varejo
Vendas alcançaram o equivalente a 13,69 milhões de sacas até agosto; safra recorde ampliou a oferta de grãos e ajudou a normalizar o abastecimento da indústria.
Publicado em: 22/09/2026 às 19:20hs
O consumo de café no varejo brasileiro cresceu 2,29% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano passado. As vendas atingiram o equivalente a 13,69 milhões de sacas de 60 quilos, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic).
O resultado marca uma recuperação do mercado após a retração registrada em 2025. Nos oito primeiros meses do ano passado, o consumo havia recuado 5,4%, pressionado pela forte valorização dos preços decorrente de problemas na oferta mundial.
Em 2026, a combinação entre safra brasileira recorde, maior disponibilidade de matéria-prima e redução dos preços ao consumidor criou condições mais favoráveis para a retomada das vendas. O Brasil é o maior produtor mundial de café e ocupa a segunda posição entre os maiores mercados consumidores, atrás apenas dos Estados Unidos.
Vendas de café aceleram no segundo quadrimestre
O crescimento ganhou força entre maio e agosto. No segundo quadrimestre, as vendas de café no varejo somaram cerca de 7 milhões de sacas, avanço de 4,65% sobre o mesmo período de 2025.
Para a Abic, o desempenho confirma uma trajetória de recuperação do consumo. O avanço ocorre em um ambiente de maior equilíbrio entre oferta e demanda, depois das fortes oscilações observadas no mercado durante o ano passado.
A entrada da nova safra brasileira também foi determinante para melhorar o abastecimento da indústria. A partir do final de maio, a oferta de cafés arábica e canéfora passou de seletiva para uma condição considerada normal pela associação.
Segundo o diretor-executivo da Abic, Celírio Inácio, a maior disponibilidade de matéria-prima está diretamente relacionada ao comportamento dos preços e à evolução do consumo no país.
Preços do café recuam em todas as categorias
O preço médio do café no varejo caiu em todas as categorias e estilos acompanhados pela Abic em agosto, na comparação com o mesmo mês de 2025.
A maior redução foi observada na categoria Tradicional/Extraforte, cujo preço médio recuou 21,22%, para R$ 49,50 por quilo. O café solúvel apresentou queda de 19,31%, sendo comercializado, em média, a R$ 203,64 por quilo.
A redução dos preços contribuiu para recuperar o poder de compra do consumidor e estimular as vendas, após um período em que os valores elevados limitaram o consumo doméstico.
Na comparação entre julho e agosto de 2026, as variações foram menores na maioria das categorias. Para a Abic, esse comportamento indica maior estabilidade do mercado após as movimentações intensas registradas ao longo de 2025.
Safra recorde melhora abastecimento da indústria
A safra recorde colhida pelo Brasil em 2026 elevou os estoques disponíveis e exerceu pressão sobre as cotações do café. O aumento da oferta permitiu que a indústria ampliasse o acesso aos grãos, tanto de arábica quanto de canéfora.
A normalização do abastecimento reduziu a pressão observada anteriormente na compra de matéria-prima e favoreceu o processo de acomodação dos preços ao longo da cadeia.
Com oferta mais regular e valores menores nas prateleiras, o mercado brasileiro começa a recuperar parte do consumo perdido em 2025. A continuidade desse movimento dependerá do comportamento dos preços, da renda das famílias e do equilíbrio entre a disponibilidade interna e as exportações brasileiras de café.
Fonte: Portal do Agronegócio
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