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Mercado Financeiro

Ibovespa abre em queda na Super Quarta, enquanto bolsas globais avançam antes de Fed e Copom

Índice brasileiro recua com cautela sobre os juros e vencimento de opções; Ásia fecha em alta, Europa avança e Wall Street inicia o pregão com ganhos moderados


Publicado em: 16/09/2026 às 11:04hs

Ibovespa abre em queda na Super Quarta, enquanto bolsas globais avançam antes de Fed e Copom

O Ibovespa abriu em queda nesta quarta-feira, 16 de setembro, em uma sessão marcada pelas decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. Enquanto o mercado brasileiro adotou postura mais cautelosa, as principais bolsas internacionais operaram predominantemente em alta, apoiadas pelo recuo do petróleo e pela recuperação das ações de tecnologia, bancos e mineradoras.

Nos primeiros minutos de negociação, o principal índice da B3 recuava 0,27%, aos 185.995,57 pontos. A volatilidade também foi ampliada pelo vencimento de opções sobre o Ibovespa, enquanto o contrato futuro com vencimento mais próximo operava em baixa de aproximadamente 0,4%.

No exterior, as bolsas asiáticas encerraram o dia com ganhos, os mercados europeus avançaram após duas sessões negativas e Wall Street abriu em terreno positivo. O foco global permanece sobre a decisão do Federal Reserve, com expectativa majoritária de elevação dos juros norte-americanos em 0,25 ponto percentual.

Ibovespa cai à espera da decisão do Copom

O Ibovespa iniciou o pregão sob pressão após encerrar a sessão anterior aos 186.586 pontos, com valorização de 0,59%. A proximidade das decisões do Comitê de Política Monetária, o Copom, e do Federal Reserve reduziu o apetite por risco na abertura.

No Brasil, a expectativa predominante é de que o Copom reduza a taxa Selic de 14% para 13,75% ao ano. Além do corte, investidores estarão atentos ao comunicado do Banco Central e às indicações sobre os próximos passos da política monetária.

A desaceleração da atividade econômica reforça a possibilidade de redução dos juros. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto, recuou 0,2% em julho.

Apesar da queda na abertura, o Ibovespa ainda acumula valorização de 5,12% em setembro e de 15,75% em 2026. Na semana, o índice registra perda de 0,38%.

Vencimento de opções aumenta volatilidade na B3

Além das decisões monetárias, o vencimento de opções sobre o Ibovespa adiciona volatilidade ao mercado brasileiro. Esse tipo de evento costuma elevar o volume de negócios e provocar oscilações mais acentuadas em ações de grande peso na carteira do índice.

O contrato futuro do Ibovespa com vencimento em 14 de outubro recuava cerca de 0,4%, sinalizando cautela entre os investidores.

No câmbio, o dólar iniciou a sessão em leve queda. Às 9h25, a moeda norte-americana recuava 0,12%, cotada a R$ 5,147, segundo dados divulgados pela Folha de S.Paulo.

A possível redução da Selic no Brasil, combinada a uma elevação dos juros nos Estados Unidos, pode diminuir o diferencial de taxas entre os dois países. Esse movimento tende a influenciar o fluxo de capital estrangeiro, o comportamento do dólar e os ativos negociados na B3.

Bolsas da Ásia fecham em alta com força da tecnologia

As bolsas asiáticas encerraram o pregão majoritariamente em alta, impulsionadas principalmente pelas empresas de tecnologia.

Na China, o índice de Xangai avançou 0,71%, enquanto o CSI 300, que reúne as maiores companhias negociadas em Xangai e Shenzhen, subiu 0,68%. Os ganhos foram liderados pelas ações de tecnologia, embora a proximidade da decisão do Fed tenha limitado movimentos mais intensos.

Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,19%. No Japão, o Nikkei 225 subiu 0,69%, aos 63.923 pontos, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, registrou valorização de 1,37%.

O desempenho positivo mostrou uma recuperação do apetite por risco na região, mas os investidores evitaram posições mais agressivas antes da definição dos juros norte-americanos.

Europa avança após duas sessões de perdas

As bolsas europeias também operaram em alta, beneficiadas pela interrupção da escalada do petróleo e pela recuperação de bancos, mineradoras e empresas ligadas à inteligência artificial.

Na atualização da manhã, o índice pan-europeu Stoxx 600 avançava entre 0,2% e 0,5%. O FTSE 100, de Londres, subia cerca de 0,4%, enquanto o CAC 40, de Paris, e o DAX, de Frankfurt, registravam ganhos próximos de 0,3%.

A queda do petróleo ajudou a aliviar parte das preocupações com a inflação e os custos de produção. O Brent recuava para aproximadamente US$ 107,45 por barril, enquanto o WTI era negociado perto de US$ 103,87, conforme a Reuters.

Mesmo com a melhora das ações, os juros dos títulos europeus permaneceram elevados. O rendimento do título alemão de dez anos operava próximo das máximas em 17 anos, refletindo o receio de que a inflação persistente mantenha as políticas monetárias restritivas por mais tempo.

Wall Street abre em alta antes da decisão do Fed

As bolsas de Nova York abriram com ganhos moderados, recuperando parte das perdas acumuladas nas duas sessões anteriores.

Na abertura, o Dow Jones avançou 0,04%, aos 52.115 pontos. O S&P 500 subiu 0,20%, para 7.601 pontos, enquanto o Nasdaq apresentou valorização de 0,49%, aos 26.108 pontos, segundo a Reuters.

A expectativa predominante é de que o Fed eleve a taxa básica em 0,25 ponto percentual, para o intervalo entre 3,75% e 4% ao ano. A medida seria a primeira alta dos juros norte-americanos desde 2023.

Além da decisão, investidores aguardam as novas projeções para inflação, crescimento econômico e juros, além das declarações do presidente do Fed, Kevin Warsh.

Vendas no varejo dos EUA reforçam expectativa de juros maiores

A cautela em Wall Street aumentou após a divulgação das vendas no varejo dos Estados Unidos. O indicador cresceu 1,2% em agosto, após queda revisada de 0,5% em julho.

O resultado superou a projeção de avanço de 0,8%. As vendas consideradas essenciais para o cálculo do Produto Interno Bruto aumentaram 1,4%, bem acima da expectativa de 0,4%.

Os números indicam que o consumo norte-americano permanece resiliente, apesar da inflação elevada e dos juros restritivos. Esse desempenho reforça a possibilidade de aperto monetário pelo Fed.

Juros no Brasil e nos EUA devem definir o rumo dos mercados

A chamada Super Quarta concentra os principais direcionadores dos mercados financeiros. No Brasil, um eventual corte da Selic pode favorecer empresas dependentes do consumo e do crédito, mas a reação dependerá do tom adotado pelo Banco Central.

Nos Estados Unidos, uma elevação dos juros pode fortalecer o dólar, pressionar os mercados emergentes e aumentar o custo global do crédito. Por outro lado, uma comunicação mais moderada do Fed poderá sustentar as bolsas e reduzir a aversão ao risco.

Até a divulgação das decisões, o cenário deve permanecer volátil. O comportamento do dólar, dos juros futuros, do petróleo e das ações de maior peso no Ibovespa será determinante para o desempenho da bolsa brasileira ao longo do pregão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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