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Mercado Financeiro

IBC-Br cai 0,6% em junho e sinaliza perda de ritmo da economia brasileira

Indicador do Banco Central foi pressionado pelas retrações da indústria e dos serviços, enquanto a agropecuária avançou 1% e ajudou a limitar a queda da atividade econômica


Publicado em: 19/08/2026 às 10:45hs

IBC-Br cai 0,6% em junho e sinaliza perda de ritmo da economia brasileira

A atividade econômica brasileira perdeu força em junho de 2026. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) recuou 0,6% em relação a maio, considerando a série com ajuste sazonal, que elimina efeitos específicos de cada período do ano.

Os dados, divulgados pelo Banco Central na segunda-feira (17), mostram que o resultado negativo foi influenciado principalmente pelo desempenho da indústria e dos serviços. A agropecuária seguiu na direção oposta e registrou crescimento mensal.

Apesar da retração em junho, o IBC-Br ainda acumula alta de 1,5% no primeiro semestre de 2026. A mesma expansão de 1,5% foi observada nos 12 meses encerrados em junho.

Atividade econômica cresce 2,4% na comparação anual

Na comparação com junho de 2025, o índice apresentou avanço de 2,4%, indicando que a economia brasileira permanece acima do nível registrado um ano antes.

No segundo trimestre de 2026, o IBC-Br cresceu 0,2% em relação aos três primeiros meses do ano. O resultado trimestral positivo, porém, evidencia um ritmo moderado de expansão da atividade econômica.

Os principais resultados do indicador foram:

  • Queda de 0,6% em junho ante maio;
  • Crescimento de 2,4% em relação a junho de 2025;
  • Alta de 0,2% no segundo trimestre;
  • Avanço de 1,5% no acumulado de janeiro a junho;
  • Crescimento de 1,5% nos 12 meses encerrados em junho.
Indústria recua 1,4% e pressiona IBC-Br

Entre os setores avaliados pelo Banco Central, a indústria apresentou o resultado mais negativo em junho. A atividade industrial caiu 1,4% na comparação com maio, contribuindo diretamente para a retração do indicador.

O setor de serviços, responsável pela maior parcela da economia brasileira, também perdeu força. A atividade recuou 0,5% no período, reforçando o cenário de desaceleração mensal.

O desempenho desses dois segmentos mostra que a perda de dinamismo da economia foi relativamente disseminada, embora o resultado acumulado do ano ainda permaneça positivo.

Agropecuária avança 1% e reduz queda da economia

A agropecuária foi o único dos grandes setores analisados a apresentar crescimento em junho. A atividade do segmento avançou 1% em relação a maio, ajudando a limitar a retração do IBC-Br.

De acordo com o Banco Central, sem considerar a contribuição da agropecuária, o índice teria recuado 0,9% no mês. O dado reforça a importância do agronegócio para a sustentação da economia brasileira, especialmente em períodos de enfraquecimento da indústria e dos serviços.

O cálculo do IBC-Br considera informações sobre indústria, serviços, agropecuária e impostos incidentes sobre produtos.

O que é o IBC-Br?

O IBC-Br é um indicador elaborado pelo Banco Central para acompanhar, com maior frequência, a evolução da atividade econômica no país. Por antecipar tendências da economia, costuma ser chamado de “prévia do Produto Interno Bruto”.

O índice, entretanto, não substitui o PIB oficial, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dois indicadores possuem metodologias e abrangências diferentes.

Enquanto o PIB mede o valor de todos os bens e serviços finais produzidos no país, o IBC-Br funciona como um instrumento complementar para avaliar o comportamento da economia entre as divulgações oficiais das Contas Nacionais.

Desempenho do IBC-Br entra no radar da política monetária

A retração da atividade econômica em junho será incorporada às análises do Banco Central sobre o cenário macroeconômico. O IBC-Br integra o conjunto de indicadores avaliados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nas decisões sobre a taxa básica de juros, a Selic.

Uma atividade econômica menos aquecida pode contribuir para reduzir pressões sobre a inflação, mas a condução da política monetária também depende de fatores como comportamento dos preços, mercado de trabalho, câmbio, expectativas inflacionárias e cenário internacional.

Com a queda mensal do IBC-Br e o crescimento limitado no segundo trimestre, os próximos indicadores serão importantes para mostrar se a economia brasileira enfrenta uma desaceleração mais persistente ou apenas uma acomodação após o desempenho dos meses anteriores.

Fonte: Portal do Agronegócio

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