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Mercado Financeiro

Inflação desacelera no Brasil, mas dólar e cenário fiscal mantêm pressão sobre preços

IPCA sobe 0,07% em julho e taxa acumulada em 12 meses recua para 4,4%; Rabobank avalia que câmbio, riscos fiscais e ambiente externo ainda exigem cautela na condução dos juros


Publicado em: 19/08/2026 às 11:18hs

Inflação desacelera no Brasil, mas dólar e cenário fiscal mantêm pressão sobre preços

A inflação brasileira perdeu força em julho, favorecida principalmente pelo recuo nos preços dos alimentos e dos combustíveis. Apesar do alívio no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o comportamento do dólar, as incertezas fiscais e a volatilidade do petróleo continuam representando riscos para a trajetória dos preços no Brasil.

De acordo com análise do Rabobank, o ambiente econômico combina desaceleração da inflação corrente, enfraquecimento gradual da atividade e manutenção de uma política monetária restritiva. Ao mesmo tempo, fatores internos e externos podem limitar uma queda mais rápida dos juros.

IPCA sobe 0,07% em julho

O IPCA avançou 0,07% em julho na comparação com junho. O resultado ficou acima da projeção de estabilidade feita pelo Rabobank e também superou a expectativa mediana do mercado, que apontava alta de 0,01%.

No acumulado de 12 meses, entretanto, a inflação desacelerou de 4,6% para 4,4%. Com isso, o indicador retornou a um patamar ligeiramente inferior ao teto da meta, de 4,5%.

A redução nos preços dos alimentos e dos combustíveis contribuiu para conter o índice no mês. Esse movimento reforça a percepção de melhora da inflação de curto prazo, embora ainda não elimine os riscos para os próximos trimestres.

Juros elevados continuam afetando a economia

A ata do Comitê de Política Monetária (Copom) sinaliza que os efeitos dos juros elevados continuam sendo transmitidos gradualmente para o consumo, o crédito e os investimentos.

Na avaliação do Rabobank, as expectativas de inflação ainda desancoradas exigem a manutenção de uma política monetária restritiva por um período prolongado. A autoridade monetária também deve acompanhar os chamados efeitos secundários, quando aumentos concentrados em determinados produtos e serviços passam a contaminar outros preços da economia.

Esse cenário recomenda cautela em relação ao ritmo e à intensidade de eventuais cortes adicionais na taxa Selic.

Varejo apresenta sinais de perda de ritmo

Os indicadores do comércio mostraram desempenho desigual em junho. As vendas do varejo restrito cresceram 0,5% na comparação mensal, enquanto o varejo ampliado, que inclui veículos, motos, material de construção e atacado especializado, recuou 1%.

A diferença entre os dois indicadores sinaliza possível perda de dinamismo da demanda doméstica, especialmente nos segmentos mais dependentes de crédito.

Para o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de junho, o Rabobank projeta retração mensal de 0,7%. Na comparação anual, o crescimento deve desacelerar para aproximadamente 2%.

Dólar pode voltar a R$ 5,35 até o fim do ano

No mercado de câmbio, o real encerrou a semana cotado a R$ 5,2228 por dólar, acumulando desvalorização de 2,8% no período.

O Rabobank projeta que a moeda norte-americana poderá atingir R$ 5,35 até o encerramento do ano. Entre os fatores que sustentam essa previsão estão a possível redução do diferencial de juros entre o Brasil e as principais economias avançadas, uma eventual recuperação global do dólar e o aumento da percepção de risco fiscal doméstico em ano eleitoral.

A valorização do dólar pode pressionar os preços de insumos importados, combustíveis, fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas e equipamentos. Para o agronegócio, contudo, o câmbio mais elevado também tende a favorecer as receitas em reais dos exportadores de commodities.

Petróleo e tensão internacional ampliam incertezas

No ambiente externo, as tensões entre Estados Unidos e Irã permanecem entre os principais pontos de atenção. Uma escalada do conflito pode afetar a oferta internacional de energia e aumentar a volatilidade dos mercados financeiros.

O petróleo Brent segue oscilando próximo de US$ 90 por barril. Caso as cotações permaneçam elevadas por um período prolongado, os efeitos podem chegar ao Brasil por meio dos preços dos combustíveis, dos fretes e dos custos de produção.

Cenário exige cautela nos próximos meses

Embora a desaceleração do IPCA represente um sinal positivo, o cenário ainda reúne riscos relevantes. O comportamento do câmbio, a situação fiscal, as expectativas de inflação e a evolução dos preços internacionais de energia serão determinantes para as próximas decisões do Banco Central.

Para empresas e produtores rurais, o ambiente exige atenção ao planejamento financeiro, à proteção cambial e aos custos de insumos. A combinação entre juros elevados e dólar volátil poderá continuar influenciando as decisões de investimento, comercialização e contratação de crédito ao longo dos próximos meses.

Fonte: Portal do Agronegócio

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