Focus reduz previsão de inflação e PIB para 2026, mas mercado ainda vê IPCA acima da meta
Instituições financeiras projetam inflação de 5,01%, crescimento econômico de 1,92%, Selic de 13,75% e dólar a R$ 5,20 ao final de 2026
Publicado em: 31/08/2026 às 10:55hs
As instituições financeiras consultadas pelo Banco Central reduziram novamente as projeções para a inflação e o crescimento da economia brasileira em 2026. Segundo o Boletim Focus, a estimativa para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) passou de 5,02% para 5,01%.
Apesar da revisão, a inflação projetada pelo mercado permanece 2,01 pontos percentuais acima da meta de 3% estabelecida para o período. O cenário mantém a atenção sobre os juros, o crédito, o câmbio e os custos de produção, fatores que influenciam diretamente o agronegócio brasileiro.
Para 2027, o movimento foi contrário: a previsão para o IPCA subiu de 4,25% para 4,28%, também acima da meta de 3%.
Previsão do IGP-M cai para 4,38% em 2026
A estimativa para a inflação dos preços administrados, que incluem itens regulados por contrato ou pelo poder público, permaneceu em 4,69% para 2026.
Já a projeção para o Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) recuou de 4,55% para 4,38%. O indicador acompanha preços em diferentes etapas da economia, com forte participação dos valores no atacado.
Para 2027, a previsão de inflação dos preços administrados diminuiu de 3,86% para 3,83%. A estimativa para o IGP-M, entretanto, avançou de 4,09% para 4,10%.
Mercado reduz projeção do PIB brasileiro
As instituições financeiras também diminuíram de 1,95% para 1,92% a estimativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2026.
A previsão do mercado está abaixo da projeção do Banco Central. Na edição mais recente do Relatório de Política Monetária, publicada em junho, a autoridade monetária estimou expansão de 2% para a economia brasileira neste ano.
Para 2027, a previsão do Focus permaneceu estável, com crescimento projetado de 1,50%.
Uma expansão econômica mais moderada pode limitar o consumo, os investimentos e a demanda por crédito, além de influenciar segmentos ligados ao varejo de alimentos, máquinas agrícolas, insumos e serviços.
Selic deve terminar 2026 em 13,75%
O mercado financeiro manteve em 13,75% ao ano a projeção para a taxa básica de juros ao final de 2026.
Como a Selic está atualmente em 14% ao ano, a estimativa indica a expectativa de redução de apenas 0,25 ponto percentual até dezembro.
Para 2027, a previsão permanece em 12% ao ano. Mesmo com a expectativa de queda, os juros devem continuar em nível elevado, pressionando o custo dos financiamentos, o capital de giro e as operações de crédito rural.
A trajetória da Selic dependerá principalmente do comportamento da inflação, das expectativas do mercado e das decisões do Comitê de Política Monetária do Banco Central.
Dólar é projetado em R$ 5,20 no final de 2026
A previsão para a taxa de câmbio permaneceu em R$ 5,20 por dólar ao final de 2026. Para 2027, a estimativa ficou estável em R$ 5,30.
Há quatro semanas, a projeção para 2026 também era de R$ 5,20. Para 2027, contudo, o mercado esperava o dólar em R$ 5,28, valor inferior ao previsto atualmente.
As oscilações cambiais têm efeito direto sobre o agronegócio. A valorização do dólar pode favorecer as receitas das exportações de soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes, mas também encarece fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos importados.
Inflação e juros mantêm cenário de cautela no agro
A combinação entre inflação acima da meta, crescimento econômico mais fraco e juros elevados mantém o ambiente de cautela para produtores rurais, cooperativas e agroindústrias.
Embora a revisão do IPCA para 2026 tenha sido pequena, o distanciamento em relação à meta reduz o espaço para cortes mais intensos da Selic. Como consequência, o crédito deve continuar caro e exigir maior planejamento financeiro na safra 2026/27.
Nesse cenário, as decisões sobre compra de insumos, contratação de financiamentos, comercialização antecipada e investimentos em máquinas e infraestrutura ganham ainda mais importância para a preservação das margens no campo.
Fonte: Portal do Agronegócio
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