Focus eleva projeção de inflação e dólar para 2027, enquanto mercado reduz expectativa de crescimento
Pesquisa Focus mantém previsão de inflação em 5,02% para 2026, eleva IPCA projetado para 2027 a 4,24% e reduz estimativa de crescimento do PIB no próximo ano para 1,50%
Publicado em: 17/08/2026 às 11:05hs
O mercado financeiro elevou a projeção para a inflação brasileira em 2027 e reduziu novamente a expectativa de crescimento da economia no próximo ano, segundo a nova edição da pesquisa Focus, divulgada pelo Banco Central. O levantamento também aponta estabilidade nas projeções para a taxa Selic e revisão para cima da estimativa do dólar ao final de 2027.
Para 2026, os analistas consultados pelo Banco Central mantiveram em 5,02% a previsão para o IPCA, enquanto a estimativa para 2027 avançou de 4,22% para 4,24%. O resultado mantém a inflação projetada acima do centro da meta oficial de 3% nos dois anos.
A meta de inflação é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
Inflação de 2026 permanece em 5,02%
Apesar da manutenção da projeção para o IPCA de 2026, houve mudanças importantes na composição das expectativas. A previsão para a inflação dos preços administrados caiu de 4,91% para 4,70%.
Na contramão, a expectativa para o IGP-M em 2026 subiu de 4,47% para 4,71%, sinalizando maior pressão esperada sobre os preços monitorados por esse indicador.
Para 2027, a projeção para os preços administrados recuou de 3,90% para 3,87%, enquanto a estimativa para o IGP-M caiu de 4,14% para 4,10%.
Mercado reduz previsão de crescimento do PIB em 2027
A atividade econômica também passou por revisão. Para 2026, a expectativa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) permaneceu em 1,98%.
Já para 2027, os analistas reduziram a projeção de 1,52% para 1,50%, marcando a quarta queda consecutiva na estimativa de expansão da economia brasileira no próximo ano.
A projeção do mercado permanece abaixo da estimativa mais recente do Banco Central, que prevê crescimento de 2% para a economia brasileira em 2026, conforme o Relatório de Política Monetária publicado em junho.
A combinação de inflação ainda elevada e menor crescimento esperado reforça o cenário de cautela dos agentes financeiros para a economia brasileira nos próximos meses.
Selic deve terminar 2026 em 13,75%
As projeções para a taxa básica de juros permaneceram inalteradas na pesquisa Focus.
O mercado continua estimando a Selic em 13,75% ao final de 2026, ante os atuais 14,00%. A expectativa representa uma redução de 0,25 ponto percentual até o encerramento do ano.
Para 2027, a previsão também permaneceu em 12,00%.
A leitura do mercado indica, portanto, uma trajetória gradual de redução dos juros, mas ainda com a política monetária permanecendo em níveis elevados diante das expectativas de inflação acima da meta.
Dólar deve chegar a R$ 5,29 no fim de 2027
No mercado cambial, a projeção para o dólar ao final de 2026 permaneceu em R$ 5,20.
Para 2027, entretanto, a estimativa foi elevada de R$ 5,28 para R$ 5,29 por dólar. Há quatro semanas, a previsão para o câmbio de 2027 também estava em R$ 5,28.
A revisão reforça a percepção de que o mercado trabalha com um real ligeiramente mais depreciado no próximo ano, em um cenário que continuará sujeito à trajetória dos juros, inflação, contas públicas e condições do mercado internacional.
O que o Focus revela sobre a economia brasileira
A nova pesquisa Focus mostra um cenário de inflação persistente, crescimento econômico mais moderado e juros ainda elevados.
- Para 2026, as principais projeções são:
- IPCA: 5,02%;
- PIB: crescimento de 1,98%;
- Selic: 13,75% ao final do ano;
- Dólar: R$ 5,20;
- IGP-M: 4,71%.
- Para 2027, as estimativas apontam:
- IPCA: 4,24%;
- PIB: crescimento de 1,50%;
- Selic: 12,00%;
- Dólar: R$ 5,29;
- IGP-M: 4,10%.
Inflação e juros seguem no radar do agronegócio
As projeções do Focus também são relevantes para o agronegócio brasileiro. Inflação, juros e câmbio influenciam diretamente os custos de produção, preços de insumos, financiamento rural, investimentos e competitividade das exportações.
Um dólar mais elevado tende a favorecer a receita dos exportadores de commodities quando os preços internacionais permanecem firmes, mas também pode encarecer produtos e insumos importados utilizados pelo setor.
Já a manutenção de juros elevados representa um desafio para produtores e empresas que dependem de crédito para custeio, comercialização, aquisição de máquinas e investimentos em tecnologia.
Nesse contexto, a combinação de IPCA acima da meta, crescimento mais lento e expectativa de redução gradual da Selic mantém o cenário macroeconômico como um dos principais fatores de atenção para o agronegócio brasileiro em 2026 e 2027.
Fonte: Portal do Agronegócio
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