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Milho e Sorgo

Milho ganha força no Brasil e em Chicago, mas oferta recorde mantém mercado em alerta

Preços do milho avançam apesar da expectativa de safra recorde no Brasil; produtores seguram vendas, enquanto demanda externa, câmbio, Chicago e riscos geopolíticos sustentam as cotações


Publicado em: 17/08/2026 às 11:30hs

Milho ganha força no Brasil e em Chicago, mas oferta recorde mantém mercado em alerta
Foto: CNA

O mercado brasileiro inicia a semana com viés de alta, apoiado pela valorização dos contratos em Chicago e pela firmeza observada no mercado físico. Ao mesmo tempo, a expectativa de uma produção recorde na safra 2025/26 mantém o equilíbrio entre oferta e demanda no centro das atenções dos agentes.

Preço do milho sobe mesmo com expectativa de safra recorde

Os preços do milho continuam encontrando sustentação no mercado brasileiro, mesmo diante das perspectivas de uma oferta elevada na safra 2025/26. Segundo o Cepea, um dos principais fatores por trás da valorização é a postura mais retraída dos produtores, que reduz a disponibilidade do cereal para negócios no mercado spot.

A combinação entre menor oferta imediata e compradores ativos tem ajudado a manter as cotações firmes. Indústrias e demais consumidores seguem buscando milho para recomposição de estoques, mas, em muitos casos, ainda apresentam propostas abaixo dos valores pedidos pelos vendedores.

Além da menor disposição de venda, o mercado doméstico recebe influência dos preços internacionais, que elevam a paridade de exportação, do atraso no avanço da colheita e das preocupações relacionadas ao clima nos próximos meses.

As atenções também estão voltadas para possíveis efeitos do fenômeno El Niño, que podem aumentar a percepção de risco sobre a produção e influenciar as decisões de comercialização.

Milho em Chicago ganha força com demanda e cenário geopolítico

No mercado internacional, os futuros do milho operam em alta na Bolsa de Chicago (CBOT), dando suporte às cotações brasileiras.

Na manhã desta segunda-feira (17), os contratos apresentavam ganhos próximos de 2 pontos. O vencimento setembro/26 era negociado a US$ 4,61 por bushel, enquanto dezembro/26 estava em US$ 4,85. Março/27 tinha cotação de US$ 5,01 e maio/27, de US$ 5,08 por bushel.

A alta ocorre em meio a sinais de demanda pelos grãos norte-americanos e à intensificação das tensões entre Estados Unidos e Irã.

As vendas externas dos Estados Unidos também permanecem no radar. Desde o início do mês, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) vem registrando operações diárias de pelo menos 100 mil toneladas de soja ou milho em determinados anúncios, reforçando a percepção de demanda internacional.

Outro fator de sustentação é a situação do Estreito de Ormuz. A interrupção do trânsito de embarcações voltou a pressionar as preocupações relacionadas à logística e ao abastecimento global de commodities.

Na sexta-feira (14), o contrato de milho para setembro fechou a US$ 4,59 por bushel, com alta de 11 centavos, ou 2,45%. O vencimento dezembro terminou a US$ 4,83 1/4, avanço de 11,25 centavos, ou 2,38%.

B3 também registra valorização do milho

No mercado brasileiro, os contratos futuros também encerraram a semana em alta.

O contrato setembro/26 terminou a sexta-feira cotado a R$ 70,20 por saca, avanço de R$ 0,73 no dia e de R$ 1,38 na semana.

Novembro/26 fechou a R$ 75,15 por saca, alta de R$ 0,72 na sessão e de R$ 1,55 no acumulado semanal.

Já janeiro/27 terminou a R$ 77,39 por saca, com valorização diária de R$ 0,93 e ganho semanal de R$ 0,68.

Segundo análise da TF Agroeconômica, a reação dos contratos brasileiros foi favorecida principalmente pela valorização do milho em Chicago e pela alta do dólar durante a semana. O indicador físico do Cepea também registrou avanço no período.

Mercado físico segue firme, mas negócios ainda são seletivos

As cotações regionais mostram um mercado com preços firmes e, em algumas localidades, negócios mais restritos.

Na sexta-feira, as referências indicadas eram:

  • Santos (SP): R$ 69,00 a R$ 72,00 por saca;
  • Paranaguá (PR): R$ 68,00 a R$ 71,00;
  • Cascavel (PR): R$ 60,00 a R$ 62,00;
  • Mogiana (SP): R$ 61,00 a R$ 63,00;
  • Campinas (SP), CIF: R$ 67,50 a R$ 69,00;
  • Erechim (RS): R$ 68,00 a R$ 70,00;
  • Uberlândia (MG): R$ 61,00 a R$ 63,00;
  • Rio Verde (GO), CIF: R$ 56,00 a R$ 59,00;
  • Rondonópolis (MT): R$ 60,00 a R$ 62,00.

Apesar da sustentação dos preços, a liquidez permanece limitada em algumas regiões. No Sul, por exemplo, produtores e compradores seguem apresentando referências bastante diferentes.

No Rio Grande do Sul, as indicações variam entre R$ 58 e R$ 63 por saca, com média estadual próxima de R$ 59. Em Santa Catarina, vendedores trabalham próximos de R$ 60, enquanto compradores indicam cerca de R$ 55.

No Paraná, a segunda safra já alcançou aproximadamente 60% da área colhida, embora as chuvas tenham reduzido o ritmo dos trabalhos.

Em Mato Grosso do Sul, as indicações estão entre R$ 48 e R$ 50 por saca, com a indústria de bioenergia contribuindo para absorver parte da oferta disponível.

Safra recorde limita espaço para uma alta prolongada

O principal contraponto à valorização do milho está justamente no tamanho esperado da produção brasileira.

A possibilidade de uma safra 2025/26 recorde significa que o mercado deverá conviver com grande disponibilidade de cereal durante o ciclo de comercialização.

Esse cenário reduz o espaço para altas muito acentuadas caso a oferta chegue ao mercado de maneira mais intensa.

Por isso, o comportamento do produtor será decisivo. Enquanto os agricultores mantiverem uma postura mais cautelosa nas vendas, o mercado pode continuar encontrando suporte. Entretanto, com o avanço da colheita e eventual aumento da necessidade de liberar espaço para armazenagem, a pressão vendedora poderá crescer.

Milho pode subir mais? Mercado monitora resistências

Para a TF Agroeconômica, o cenário de curto prazo permanece altista, enquanto a perspectiva para o médio prazo é classificada entre neutra e altista.

O mercado acompanha especialmente dois níveis técnicos.

Em Chicago, a superação de 465 cents por bushel seria um sinal importante para confirmar uma continuidade mais consistente do movimento de alta.

No mercado brasileiro, a faixa entre R$ 66,50 e R$ 67,00 por saca aparece como uma referência importante para a estratégia de comercialização.

Caso Chicago supere 465 cents e os preços domésticos rompam de maneira consistente essa região, poderá haver espaço para ampliação das vendas.

Produtor deve evitar apostar toda a safra em uma única direção

Diante do cenário atual, a recomendação de mercado é trabalhar com comercialização escalonada.

A recuperação das cotações cria uma oportunidade para o produtor realizar parte das vendas, mas a expectativa de grande oferta doméstica recomenda evitar a concentração de toda a comercialização em uma única estratégia.

A ideia é aproveitar os momentos de valorização para garantir parte da receita e, simultaneamente, manter uma parcela da produção disponível para eventuais novas altas.

Esse equilíbrio é particularmente importante porque o custo de carregamento da safra pode reduzir os ganhos de uma valorização futura.

Custo de armazenagem vira fator decisivo

Com grande volume de milho disponível no país, manter o cereal armazenado por longos períodos pode representar um custo significativo.

Assim, uma eventual alta futura não necessariamente resultará em maior rentabilidade para o produtor se o ganho de preço for consumido por despesas de armazenagem, juros, seguro e demais custos de carregamento.

O cenário também depende da capacidade de exportação brasileira. Um programa consistente de embarques ao longo de 2026 será importante para retirar parte do excedente do mercado doméstico e ajudar a equilibrar a oferta.

Como cada elo do mercado pode agir

Para produtores, a estratégia passa pela realização de vendas parciais nas altas, mantendo parte do estoque para aproveitar possíveis movimentos adicionais.

Para cooperativas, a orientação é ampliar a comercialização dos estoques quando os preços se aproximarem das principais resistências, evitando a formação de grandes posições especulativas.

Para cerealistas, a estratégia envolve reduzir o risco de carregar estoques excessivos e considerar vendas próximas das regiões de resistência, com possibilidade de recompras em eventuais correções.

Para indústrias de ração, a recomendação é aumentar gradualmente a cobertura de consumo, especialmente durante recuos de preços.

No caso do etanol de milho, o foco está na proteção das margens industriais, com contratação parcial do cereal quando as condições econômicas forem favoráveis.

Dólar e mercado financeiro também influenciam o milho

O câmbio permanece como uma variável importante para a formação dos preços domésticos.

Na manhã desta segunda-feira, o dólar comercial recuava 0,08%, negociado a R$ 5,2164. O Dollar Index também apresentava queda de 0,13%, aos 99,482 pontos.

Um real mais valorizado tende a limitar a transmissão das altas internacionais para o mercado brasileiro, enquanto um dólar mais forte pode melhorar a paridade de exportação e dar sustentação às cotações domésticas.

O comportamento de Chicago, portanto, precisa ser analisado em conjunto com o câmbio e com a disponibilidade interna de milho.

O que esperar do preço do milho nesta semana?

A expectativa é de mercado brasileiro firme, mas sem espaço garantido para uma disparada.

No curto prazo, Chicago, demanda internacional, câmbio e fatores geopolíticos podem continuar sustentando as cotações.

No entanto, a perspectiva de produção recorde no Brasil funciona como um importante limitador para uma alta mais prolongada.

O principal ponto de atenção será o ritmo de comercialização da safra. Se os produtores continuarem segurando o milho, a oferta disponível no spot permanecerá mais apertada, favorecendo os preços.

Por outro lado, uma aceleração das vendas com o avanço da colheita poderá aumentar a disponibilidade e reduzir a pressão altista.

Milho entre dois movimentos

O mercado brasileiro de milho entra em uma fase de disputa entre demanda e oferta.

De um lado, preços internacionais mais firmes, demanda externa, câmbio, riscos geopolíticos e postura mais retraída dos produtores sustentam as cotações.

Do outro, a expectativa de safra recorde, grande disponibilidade doméstica e custos de armazenamento limitam o potencial de valorização.

Por isso, o comportamento dos preços nas próximas semanas deverá depender menos de um único fator e mais da combinação entre ritmo de colheita, comercialização dos produtores, exportações brasileiras, Chicago e câmbio.

Para o produtor, o cenário reforça a importância de uma estratégia escalonada: vender parte da produção nas altas, acompanhar os níveis de resistência e manter flexibilidade para aproveitar novas oportunidades sem assumir riscos excessivos de armazenagem.

Fonte: Portal do Agronegócio

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