Dólar vira para queda e opera a R$ 5,14 antes da Superquarta
Moeda abriu em alta, mas perdeu força após atuação do Banco Central; mercado acompanha decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos, petróleo e julgamento no STF
Publicado em: 15/09/2026 às 11:05hs
O dólar mudou de direção e passou a cair ante o real na manhã desta terça-feira (15), após iniciar o pregão em alta. Por volta das 10h10, a moeda norte-americana era negociada a R$ 5,137 para venda, com recuo de 0,19%.
Na abertura, o dólar chegou a R$ 5,16, influenciado pela valorização da moeda norte-americana no exterior, pela alta do petróleo e pelas incertezas políticas brasileiras. A cotação perdeu força depois de operações simultâneas realizadas pelo Banco Central para ampliar a liquidez do mercado cambial.
Enquanto o dólar recuava, o Ibovespa abriu em alta. Às 10h07, o principal índice da B3 avançava 0,42%, aos 186.202 pontos. Os investidores ajustavam posições antes das decisões monetárias do Comitê de Política Monetária (Copom) e do Federal Reserve, previstas para quarta-feira (16). UOL Economia
Banco Central atua e dólar devolve alta
A mudança de direção no câmbio ocorreu após o Banco Central realizar duas operações simultâneas, conhecidas no mercado como “casadão”.
Em uma delas, a autoridade monetária ofertou US$ 1 bilhão no mercado à vista. Na segunda, colocou 20 mil contratos de swap cambial, também equivalentes a US$ 1 bilhão.
As operações oferecem moeda estrangeira no curto prazo e, simultaneamente, criam uma posição futura, com efeito financeiro final considerado neutro para o Banco Central. A atuação ajudou o real a se recuperar, mesmo com o dólar avançando no exterior.
Por volta das 9h20, o dólar já havia passado a recuar 0,08%, cotado a R$ 5,143, enquanto o índice DXY — que compara a moeda norte-americana com seis divisas fortes — subia 0,23%. Folha de S.Paulo
Dólar fechou a segunda-feira em alta
Na sessão anterior, o dólar comercial avançou e encerrou cotado a aproximadamente R$ 5,147. Durante o pregão, a moeda chegou a R$ 5,182, com valorização de 1,15% na máxima.
O Ibovespa caiu 0,91% na segunda-feira e terminou aos 185.500 pontos. A valorização das ações de empresas petrolíferas não foi suficiente para compensar as perdas registradas pela maior parte dos ativos negociados na Bolsa.
No acumulado da semana, o dólar apresenta alta próxima de 0,43%. Em setembro, porém, ainda registra queda de aproximadamente 0,63%, enquanto a desvalorização acumulada em 2026 está em torno de 6,22%.
Superquarta concentra decisões sobre Selic e juros dos EUA
O principal evento econômico da semana será a chamada Superquarta, quando Banco Central e Federal Reserve anunciarão suas decisões sobre juros.
No Brasil, a expectativa predominante é de que o Copom reduza a Selic em 0,25 ponto percentual, dos atuais 14% para 13,75% ao ano.
A possível redução encontra apoio na desaceleração da inflação brasileira. Entretanto, o petróleo acima de US$ 100 e a perspectiva de juros maiores nos Estados Unidos aumentam a incerteza sobre os próximos passos da política monetária nacional.
No mercado norte-americano, 92,5% dos participantes consultados pela ferramenta CME FedWatch projetavam elevação de 0,25 ponto percentual. Se confirmada, a taxa dos Estados Unidos passará do intervalo atual de 3,5% a 3,75% para uma faixa entre 3,75% e 4% ao ano. UOL Economia
Juros mais elevados nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos norte-americanos e podem reduzir o fluxo de recursos para mercados emergentes. Esse movimento tende a pressionar moedas como o real.
Petróleo acima de US$ 107 amplia preocupação com inflação
O petróleo permanece entre os principais fatores de pressão sobre o mercado financeiro. O Brent, referência internacional, era negociado próximo de US$ 107,36 por barril nos contratos para novembro, permanecendo acima de US$ 100 havia cerca de uma semana.
A alta está relacionada ao agravamento das tensões no Oriente Médio, aos ataques contra a infraestrutura energética da Arábia Saudita e às restrições em rotas estratégicas, como os estreitos de Hormuz e Bab el-Mandeb.
Embora a valorização do petróleo favoreça ações de empresas produtoras, como a Petrobras, também aumenta o risco de inflação. Combustíveis e fretes mais caros podem pressionar custos em diferentes setores da economia e dificultar novos cortes de juros.
Os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano de dez anos superaram 5%, atingindo o maior nível desde 2007. O movimento reflete o temor de que o avanço da energia mantenha a inflação elevada e obrigue o Federal Reserve a sustentar uma política monetária mais restritiva.
STF e cenário eleitoral entram no radar dos investidores
No ambiente doméstico, o mercado acompanha o início do julgamento no Supremo Tribunal Federal relacionado à possível abertura de investigação envolvendo o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Os desdobramentos da crise institucional e seus possíveis efeitos sobre a disputa presidencial aumentam a cautela dos investidores. Pesquisas eleitorais recentes também apresentaram resultados distintos, mantendo as incertezas sobre o cenário político e econômico de 2027.
A redução da previsibilidade pode elevar os prêmios de risco, afetando o câmbio, os juros futuros e o comportamento das ações brasileiras.
Bolsas internacionais operam em queda
O ambiente externo era negativo nesta terça-feira. Na pré-abertura de Nova York, o Dow Jones recuava 0,70%, enquanto o Nasdaq caía 0,65% e o S&P 500 registrava baixa de 0,57%.
Na Europa, o índice STOXX 600 perdia 0,54%. Frankfurt, Londres, Paris e Madri também operavam no campo negativo.
As Bolsas asiáticas encerraram majoritariamente em baixa. O Hang Seng, de Hong Kong, caiu 1%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, recuou 0,85%. Na China, o índice de Xangai perdeu 0,54% e o de Shenzhen caiu 0,82%.
O desempenho refletiu a combinação entre petróleo elevado, expectativa de alta dos juros norte-americanos e menor disposição dos investidores para assumir riscos.
Oscilação do dólar afeta custos e receitas do agronegócio
Para o agronegócio brasileiro, a volatilidade cambial produz efeitos diferentes ao longo das cadeias produtivas. A valorização do dólar pode aumentar a receita em reais dos exportadores e favorecer a formação dos preços domésticos de commodities negociadas internacionalmente.
Por outro lado, a moeda mais cara eleva os custos de fertilizantes, defensivos, máquinas, peças e outros insumos importados. O petróleo acima de US$ 100 também aumenta a preocupação com combustíveis e fretes.
A combinação entre dólar, juros e petróleo exige atenção especial de produtores e empresas com compras ou vendas a serem realizadas nos próximos meses. A divulgação das decisões do Copom e do Federal Reserve deverá definir o rumo dos mercados no restante da semana.
Fonte: Portal do Agronegócio
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