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Soja

Soja recua em Chicago, plantio chega a 0,4% no Brasil e mercado físico segue travado

Avanço da colheita nos Estados Unidos pressiona as cotações, enquanto compras chinesas, petróleo elevado e vendedores retraídos limitam as quedas


Publicado em: 15/09/2026 às 11:40hs

Soja recua em Chicago, plantio chega a 0,4% no Brasil e mercado físico segue travado
Foto: Aprosoja

O mercado da soja opera com cautela nesta terça-feira (15), marcado pela leve retração dos contratos futuros na Bolsa de Chicago, pelo avanço da colheita nos Estados Unidos e pela baixa liquidez nas principais regiões produtoras do Brasil. No campo, o plantio da safra brasileira 2026/27 alcançou 0,4% da área estimada.

Em Chicago, a soja devolve parte dos ganhos recentes em um movimento de realização de lucros. A pressão vinda da entrada da nova safra norte-americana, combinada ao dólar mais forte no exterior, limita as cotações. As compras da China e a valorização do petróleo, entretanto, continuam oferecendo sustentação ao complexo da oleaginosa.

No mercado físico brasileiro, compradores e vendedores permanecem distantes quanto aos preços. Mesmo com referências mais firmes em alguns portos e regiões, as ofertas são reduzidas e os negócios seguem pontuais.

Colheita dos Estados Unidos pressiona soja em Chicago

Os futuros da soja registraram perdas moderadas durante a manhã, com recuos entre 3,25 e 4,50 pontos nos principais vencimentos. O contrato novembro de 2026 oscilou próximo de US$ 13 por bushel, patamar considerado uma referência técnica importante para o mercado.

Em outro momento da sessão, novembro foi cotado a US$ 13,14½ por bushel, com queda de 0,43%. As oscilações refletem um mercado dividido entre a pressão da colheita norte-americana e os fundamentos de demanda.

Dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) mostram que 58% das lavouras de soja permanecem classificadas em condições boas ou excelentes. A colheita chegou a 6% da área, acima dos 5% registrados no mesmo período do ano passado e dos 3% da média histórica.

O avanço dos trabalhos aumenta gradualmente a disponibilidade física de soja nos Estados Unidos e restringe movimentos mais fortes de valorização. Ao mesmo tempo, o mercado acompanha os próximos dados de produtividade e o comportamento das exportações norte-americanas.

Compras da China ajudam a limitar perdas

A demanda internacional permanece como um dos principais fatores de suporte para os preços. As compras recentes realizadas pela China reforçam a expectativa de continuidade da procura pela soja, apesar do aumento sazonal da oferta nos Estados Unidos.

A valorização do dólar frente a outras moedas, contudo, reduz a competitividade dos produtos norte-americanos no mercado internacional. O Índice Dólar operou em alta ao longo da sessão, acrescentando pressão às commodities negociadas em Chicago.

No complexo soja, os derivados apresentaram movimentos distintos. O óleo encontrou suporte na valorização da energia, enquanto o farelo operou com desempenho mais fraco.

Petróleo elevado sustenta óleo de soja

As tensões geopolíticas no Oriente Médio mantêm o petróleo em níveis elevados e ampliam a volatilidade nos mercados de commodities. Durante a sessão, o Brent permaneceu acima de US$ 106 por barril, enquanto o WTI também operou acima de US$ 100.

Os preços elevados do petróleo aumentam a atenção sobre os biocombustíveis e favorecem o interesse pelo óleo de soja como matéria-prima energética. Esse movimento ajuda a sustentar parte do complexo da oleaginosa, mesmo diante da pressão observada sobre os contratos do grão.

Por outro lado, a alta da energia reforça preocupações com a inflação global e com a trajetória dos juros nos Estados Unidos. Esse cenário pode reduzir o apetite dos investidores por ativos de risco e estimular novas realizações de lucros nos mercados agrícolas.

Mercado brasileiro de soja mantém baixa liquidez

No Brasil, a comercialização continua lenta, com poucas ofertas e negociações pontuais. Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, a distância entre os valores pedidos pelos produtores e aqueles oferecidos pelos compradores mantém o mercado travado.

“O spread segue bastante alto entre comprador e vendedor”, afirma o analista.

Na segunda-feira (14), Chicago encerrou em alta, o dólar avançou e os prêmios apresentaram poucas alterações. A combinação melhorou as indicações nos portos, mas não foi suficiente para estimular um volume relevante de vendas.

Nesta terça-feira, a queda da soja em Chicago e as oscilações do dólar diante do real voltaram a limitar a formação dos preços. Sem necessidade imediata de venda, parte dos produtores permanece afastada das negociações.

Soja chega a R$ 164 por saca em Paranaguá

No Rio Grande do Sul, as referências oscilaram conforme a praça e a demanda. No porto de Rio Grande, a soja chegou a R$ 163 por saca. No interior, Ijuí e Cruz Alta registraram R$ 153, Passo Fundo alcançou até R$ 155 e Santa Rosa ficou entre R$ 154 e R$ 155 por saca.

Apesar das referências mais firmes, o mercado gaúcho apresentou dificuldade para absorver integralmente as altas indicadas pela exportação. O farelo de soja permaneceu estável no estado.

Em Santa Catarina, a necessidade de abastecimento da agroindústria sustentou os preços. São Francisco do Sul registrou R$ 162 por saca, enquanto as referências ficaram em R$ 139,50 em Palma Sola e R$ 140 em Rio do Sul. Compradores locais adotaram uma postura mais ativa para garantir o suprimento de grãos.

No Paraná, Paranaguá alcançou R$ 164 por saca. Cascavel registrou negócios e indicações entre R$ 150 e R$ 155,50, enquanto Maringá chegou a R$ 154,50.

Preços permanecem firmes no Centro-Oeste

Em Mato Grosso do Sul, a liquidez foi moderada. A soja foi indicada a R$ 145 por saca em Dourados e chegou a R$ 155 em Chapadão do Sul.

Em Mato Grosso, os valores variaram de R$ 138 em Sorriso a R$ 147 em Campo Verde. Rondonópolis registrou referência próxima de R$ 146 por saca.

Em Goiás, Rio Verde manteve indicação de R$ 146 por saca. Nas praças do Centro-Oeste, custos de frete, condições de armazenagem e necessidade de caixa continuam influenciando o ritmo das negociações.

Plantio da soja 2026/27 alcança 0,4%

O plantio da nova safra brasileira avançou para 0,4% da área estimada após o encerramento do vazio sanitário em regiões produtoras. Paraná e Mato Grosso estão entre os estados que iniciaram os trabalhos de campo.

A evolução ainda é inicial, mas aumenta a atenção sobre a distribuição das chuvas e as condições de umidade do solo. Em Mato Grosso, os produtores também acompanham os riscos climáticos associados ao El Niño e os possíveis impactos sobre a regularidade das precipitações.

O clima será determinante para o ritmo da semeadura e para o desenvolvimento inicial das lavouras. Atrasos ou irregularidades nas chuvas podem afetar a janela de plantio da soja e, posteriormente, o calendário da segunda safra de milho.

Chicago, câmbio e clima definem próximos movimentos

No curto prazo, o mercado brasileiro de soja deve permanecer com baixa liquidez. A retração em Chicago reduz o estímulo para novas altas, enquanto as oscilações cambiais e a resistência dos produtores em vender limitam o volume negociado.

No cenário internacional, o avanço da colheita dos Estados Unidos tende a manter pressão sobre os contratos. Em sentido contrário, a demanda chinesa, os preços elevados do petróleo e eventuais revisões sobre a oferta global podem restringir as perdas.

Para o mercado doméstico, além de Chicago e do dólar, o ritmo do plantio da safra 2026/27 e o comportamento das chuvas passam a ocupar posição central na formação dos preços e nas decisões de comercialização.

Fonte: Portal do Agronegócio

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