Milho mantém preços sustentados no Brasil, enquanto Chicago recua com clima favorável nos EUA
Plantio da safra 2026/27 avança no Sul, com cotações entre R$ 60 e R$ 68 por saca no Rio Grande do Sul; sinais de menor tensão entre Rússia e Ucrânia pressionam contratos futuros
Publicado em: 15/09/2026 às 11:32hs
O mercado do milho apresenta movimentos distintos nesta terça-feira (15). No Brasil, os preços permanecem sustentados em diferentes regiões do Sul e do Centro-Oeste, apesar da baixa liquidez e da cautela dos compradores. Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros operam em queda, pressionados pela melhora das condições das lavouras norte-americanas e pelos sinais de redução das tensões entre Rússia e Ucrânia.
No mercado doméstico, o avanço acelerado do plantio da primeira safra 2026/27 divide a atenção com a reta final da colheita do milho de segunda safra. Enquanto os compradores realizam aquisições pontuais, os produtores mantêm uma postura seletiva nas negociações, limitando a oferta e impedindo quedas mais expressivas nas cotações.
Segundo levantamento da TF Agroeconômica, a demanda das indústrias de bioenergia também ajuda a sustentar os preços em áreas do Centro-Oeste.
Milho varia de R$ 60 a R$ 68 no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, as indicações de preço estão entre R$ 60 e R$ 68 por saca. A média estadual subiu 0,83% na semana, alcançando R$ 61,60.
A semeadura da primeira safra 2026/27 chegou a 54% da área prevista, avanço expressivo em relação aos 38% registrados na semana anterior. As condições climáticas permitiram acelerar os trabalhos de campo, mas as geadas ocorridas nos dias 6 e 7 de setembro provocaram danos em lavouras que estavam em desenvolvimento vegetativo.
A extensão das perdas depende da intensidade do frio, do estágio das plantas e da posição das áreas no relevo. Os efeitos sobre o potencial produtivo ainda precisam ser acompanhados nas próximas semanas.
Plantio acelera em Santa Catarina, mas umidade limita trabalhos
Em Santa Catarina, as referências de venda estão próximas de R$ 60 por saca, enquanto as propostas de compra permanecem ao redor de R$ 55.
O plantio alcançou 21,7% da área destinada à primeira safra, superando os 6,5% observados na semana anterior. O percentual também está acima da média dos últimos cinco anos para o período.
A elevada umidade do solo, entretanto, dificulta o ingresso das máquinas e restringe o avanço da semeadura em algumas localidades. O mercado continua com negociações pontuais, diante da distância entre os valores pedidos pelos produtores e as propostas apresentadas pelos compradores.
Paraná semeia 34% da primeira safra
No Paraná, as indicações de compra continuam próximas de R$ 60 por saca, enquanto a demanda gira em torno de R$ 55 por saca na modalidade CIF, quando o vendedor assume o custo de entrega até o destino.
A semeadura da primeira safra chegou a 34% da área prevista, ante 18% na semana anterior. Ao mesmo tempo, a colheita da segunda safra atingiu 93% e se aproxima da conclusão.
As chuvas interromperam temporariamente os trabalhos em algumas regiões. Além das condições climáticas, os produtores monitoram a incidência da cigarrinha-do-milho e do percevejo-barriga-verde, pragas que podem prejudicar o desenvolvimento inicial das lavouras.
Bioenergia sustenta demanda em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, os preços do milho variam entre R$ 54 e R$ 57 por saca. A demanda das indústrias de bioenergia continua ativa e oferece sustentação às cotações regionais.
A colheita da segunda safra alcançou 98% da área cultivada e está próxima do encerramento. Mesmo com a entrada do cereal no mercado, a procura industrial ajuda a absorver parte da oferta.
O comportamento dos produtores permanece cauteloso. As vendas são realizadas conforme a necessidade de caixa e as condições oferecidas pelos compradores, sem aumento expressivo da liquidez.
Milho abre em queda na Bolsa de Chicago
No mercado internacional, os contratos futuros do milho operavam em baixa na manhã desta terça-feira. Por volta das 9h05, no horário de Brasília, todos os principais vencimentos apresentavam perdas na Bolsa de Chicago.
O contrato dezembro de 2026 era negociado a US$ 5,28 por bushel, com recuo de 5,25 pontos. Março de 2027 valia US$ 5,43, queda de 5 pontos, enquanto maio de 2027 era cotado a US$ 5,50, também com perda de 5 pontos. Julho de 2027 registrava US$ 5,53 por bushel, baixa de 4,75 pontos.
A pressão veio das negociações noturnas, influenciadas pelas perspectivas para a oferta global de grãos e pela evolução da safra norte-americana.
Sinais de menor tensão entre Rússia e Ucrânia pressionam grãos
Segundo informações divulgadas pelo site internacional Successful Farming, o mercado reagiu à possibilidade de redução da escalada do conflito entre Rússia e Ucrânia.
O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou que o país estaria disposto a suspender ataques em território russo caso a Rússia também deixasse de atingir a infraestrutura ucraniana. A sinalização foi interpretada como uma possível abertura para diminuir as tensões.
O conflito, iniciado em fevereiro de 2022, ganhou novos episódios de ataques contra portos, instalações e embarcações envolvidas no transporte de grãos. A Rússia ocupa a liderança mundial nas exportações de trigo, enquanto a Ucrânia aparece como a sexta maior fornecedora global do cereal.
Uma eventual redução dos riscos logísticos na região tende a melhorar as expectativas de circulação dos grãos, aumentando a percepção de oferta e pressionando as cotações internacionais.
Condição das lavouras melhora nos Estados Unidos
A evolução da safra de milho dos Estados Unidos também pesou sobre os contratos futuros. Segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), 57% das lavouras estavam classificadas em condições boas ou excelentes, ante 56% na semana anterior.
A colheita alcançou 8% da área até domingo, acima dos 5% observados na semana anterior e da média histórica de 6% para esta época do ano.
O avanço mais rápido dos trabalhos e a melhora na avaliação das lavouras reforçam a expectativa de entrada de oferta no mercado norte-americano. Esse cenário aumenta a pressão sobre os preços em Chicago, especialmente em um momento de ajustes nas projeções para a disponibilidade global do cereal.
Mercado brasileiro encontra suporte na oferta restrita
Mesmo com a queda das cotações internacionais, o milho permanece sustentado em várias regiões brasileiras. A postura mais seletiva dos produtores, a demanda das indústrias e a distância entre os preços pedidos e oferecidos reduzem a liquidez, mas também limitam as perdas.
Nas próximas semanas, o mercado deverá acompanhar o avanço da semeadura no Sul do Brasil, a conclusão da colheita da segunda safra e os possíveis impactos das geadas sobre as áreas recém-implantadas.
No ambiente externo, a evolução da colheita dos Estados Unidos, as condições das lavouras e os desdobramentos do conflito entre Rússia e Ucrânia continuarão influenciando a formação dos preços do milho.
Fonte: Portal do Agronegócio
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