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Mercado Financeiro

Dólar vira para alta e chega a R$ 5,16 antes das decisões de juros no Brasil e nos EUA

Moeda norte-americana abriu o dia em queda, mas mudou de direção após a divulgação de dados da atividade econômica; Ibovespa recua enquanto investidores aguardam as decisões do Copom e do Federal Reserve


Publicado em: 16/09/2026 às 11:08hs

Dólar vira para alta e chega a R$ 5,16 antes das decisões de juros no Brasil e nos EUA

O dólar mudou de direção no mercado brasileiro nesta quarta-feira (16). Após iniciar a sessão em queda e ser negociado abaixo de R$ 5,15, a moeda norte-americana passou a avançar e operava próxima de R$ 5,16 na atualização mais recente desta manhã.

O dólar comercial registrava valorização de 0,07%, cotado a aproximadamente R$ 5,1580. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 0,66%, aos 185.277 pontos, refletindo a cautela dos investidores antes das decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos. As cotações são intradiárias e podem sofrer alterações ao longo do pregão. UOL Economia

Dólar muda de direção após abertura em queda

No início dos negócios, o dólar à vista chegou a cair 0,12%, para cerca de R$ 5,1470. O Dollar Index, indicador que compara o desempenho da moeda norte-americana com uma cesta de seis divisas globais, avançava 0,07%.

A perda de força do real ocorreu em meio à repercussão dos indicadores da economia brasileira e ao comportamento misto do dólar no exterior. O mercado também ajusta posições antes das definições de política monetária que marcam a chamada “Superquarta”.

Na B3, o contrato futuro de dólar com vencimento em outubro — o mais negociado no mercado nacional — iniciou a sessão com baixa de 0,14%, cotado a R$ 5,1645.

Atividade econômica brasileira pressiona os mercados

A divulgação de uma retração da atividade econômica em julho reforçou a cautela entre os investidores. O resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central, o IBC-Br, veio abaixo das expectativas e trouxe novos sinais de desaceleração da economia.

O indicador é considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB) e ajuda o mercado a avaliar o ritmo da atividade nacional. Uma economia mais fraca pode ampliar o espaço para a redução da taxa básica de juros, embora o comportamento da inflação continue limitando cortes mais intensos.

O Boletim Focus aponta expectativa de inflação de 4,90% para 2026, percentual ainda acima do teto de 4,5% do intervalo de tolerância estabelecido para a meta.

Copom pode reduzir Selic para 13,75%

No Brasil, as atenções estão concentradas na reunião do Comitê de Política Monetária do Banco Central. A mediana das projeções do mercado indica um corte de 0,25 ponto percentual na Selic, atualmente em 14% ao ano.

Caso a previsão se confirme, a taxa básica de juros cairá para 13,75% ao ano. A decisão do Copom será divulgada após o fechamento do mercado.

Embora juros menores possam favorecer a atividade econômica e estimular o crédito, a redução da Selic também diminui a diferença entre as taxas brasileiras e internacionais. Esse movimento pode limitar a entrada de capital estrangeiro e aumentar a volatilidade do dólar.

Federal Reserve também decide taxa de juros

Nos Estados Unidos, o Federal Reserve anunciará sua decisão sobre os juros nesta quarta-feira. As expectativas apontam para uma elevação da taxa, atualmente situada no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano.

A perspectiva de juros mais altos nos Estados Unidos tende a fortalecer o dólar no mercado internacional, uma vez que aumenta a atratividade dos títulos norte-americanos. Esse cenário pode pressionar moedas de países emergentes, incluindo o real.

Os investidores também acompanham a inflação dos Estados Unidos. Em agosto, o índice de preços ao consumidor norte-americano avançou 0,4% na comparação mensal e acumulou alta de 3,4% em 12 meses. Folha de S.Paulo

Banco Central realiza operação no mercado cambial

O Banco Central programou para esta quarta-feira um leilão regular de rolagem de até 50 mil contratos de swap cambial tradicional, com vencimento em 1º de outubro.

Essas operações funcionam como uma oferta de proteção contra oscilações da moeda norte-americana e ajudam a manter a liquidez do mercado futuro. A atuação não representa necessariamente uma tentativa de determinar uma cotação específica para o dólar.

Ibovespa recua após fechar em alta

A Bolsa brasileira também opera sob pressão. Depois de encerrar a terça-feira com valorização de 0,54%, aos 186.503 pontos, o Ibovespa passou a cair nesta quarta-feira, acompanhando o ambiente de cautela nos mercados.

Entre as ações de maior peso, Petrobras PN recuava 1,88%, Itaú caía 0,82%, Bradesco perdia 0,55% e Vale apresentava leve baixa de 0,04%.

O petróleo permanece entre os principais fatores de atenção. A valorização da commodity, impulsionada pelas tensões no Oriente Médio, pode pressionar os preços dos combustíveis e dificultar o processo de desaceleração da inflação.

Dólar acumula queda no mês e no ano

Apesar da mudança de direção nesta quarta-feira, o dólar mantém desempenho negativo nos períodos mais longos. Conforme os dados apresentados no início da sessão, a moeda acumulava:

  • Alta de 0,57% na semana;
  • Queda de 0,49% em setembro;
  • Recuo de 6,09% em 2026.

Na terça-feira, o dólar à vista havia encerrado o pregão com alta de 0,10%, cotado a R$ 5,1543.

Câmbio influencia custos e receitas do agronegócio

A oscilação do dólar tem impacto direto sobre o agronegócio brasileiro. A valorização da moeda pode aumentar a receita em reais de exportadores de soja, milho, café, carnes, açúcar e algodão. Por outro lado, também encarece fertilizantes, defensivos, combustíveis, máquinas e outros insumos importados.

Com as decisões do Copom e do Federal Reserve, o câmbio pode apresentar maior volatilidade nas próximas horas. O comunicado das autoridades monetárias e as sinalizações sobre os próximos passos dos juros serão determinantes para o comportamento do dólar, da Bolsa e dos preços dos ativos brasileiros.

Fonte: Portal do Agronegócio

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