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Mercado Financeiro

Dólar sobe para R$ 5,17 com petróleo, juros e tensão política no radar

Moeda norte-americana avança diante da valorização global, enquanto investidores aguardam decisões do Copom e do Federal Reserve; alta do câmbio pressiona custos de insumos e operações do agronegócio


Publicado em: 14/09/2026 às 11:00hs

Dólar sobe para R$ 5,17 com petróleo, juros e tensão política no radar

O dólar operava em forte alta ante o real na manhã desta segunda-feira (14), refletindo o aumento da aversão ao risco nos mercados internacionais, a disparada do petróleo e as incertezas políticas no Brasil. A proximidade das decisões sobre juros no País e nos Estados Unidos também elevava a cautela dos investidores.

Na atualização mais recente disponível durante a manhã, o dólar comercial avançava 0,81%, negociado a R$ 5,167. Em outra referência de mercado, a cotação do par USD/BRL estava próxima de R$ 5,17, com máxima intradiária de R$ 5,1749.

A moeda norte-americana já havia iniciado o pregão em alta. Por volta das 9h46, subia 0,77%, cotada a R$ 5,162, acompanhando a valorização do dólar no exterior. No mesmo horário, o índice DXY, que mede o desempenho da divisa dos Estados Unidos diante de uma cesta de moedas fortes, avançava 0,49%.

Petróleo acima de US$ 108 amplia aversão ao risco

O avanço do petróleo reforçava a pressão sobre o câmbio e os ativos de países emergentes. O Brent, referência internacional da commodity, alcançou US$ 108,65 na máxima da manhã, com valorização de 3,86%. Nos contratos futuros, o barril chegou a operar próximo de US$ 109, enquanto o WTI se aproximava de US$ 104.

A escalada ocorre em meio às tensões no Oriente Médio e às preocupações com importantes rotas de transporte marítimo. Esse ambiente estimula a busca por ativos considerados mais seguros, favorecendo a valorização do dólar no mercado internacional.

Para o agronegócio brasileiro, a combinação entre dólar e petróleo em alta exige atenção. A valorização cambial pode favorecer receitas de exportadores, mas também tende a encarecer fertilizantes, defensivos, máquinas, peças e outros insumos cotados em moeda estrangeira.

O petróleo mais caro ainda pode repercutir sobre combustíveis, fretes e custos logísticos, reduzindo parte dos benefícios cambiais obtidos pelos setores exportadores.

Mercado aguarda decisões de juros no Brasil e nos Estados Unidos

Os investidores também se preparam para uma semana decisiva para a política monetária. O Comitê de Política Monetária (Copom) e o Federal Reserve realizam reuniões nos dias 15 e 16 de setembro.

Nos Estados Unidos, a aceleração da inflação ao consumidor em agosto aumentou as apostas em uma elevação dos juros. No encerramento da sexta-feira, o monitoramento do CME FedWatch indicava probabilidade de 86,5% de alta da taxa norte-americana para o intervalo entre 3,75% e 4%.

Juros mais elevados nos Estados Unidos aumentam a atratividade dos títulos norte-americanos e podem estimular a saída de recursos de mercados emergentes, pressionando moedas como o real.

No Brasil, o cenário é diferente. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) recuou 0,32% em agosto, registrando a primeira deflação em um ano. O resultado ampliou a expectativa de novos cortes na taxa Selic.

A diferença entre as trajetórias esperadas para os juros brasileiros e norte-americanos tornou-se mais um fator de atenção para o câmbio.

Ibovespa futuro recua antes da abertura da Bolsa

No mercado acionário, o Ibovespa futuro caía 1,42% durante a manhã, aos 185.920 pontos, antecipando uma abertura negativa da Bolsa brasileira. Os futuros do S&P 500 e do Dow Jones também recuavam, enquanto o índice de volatilidade VIX avançava mais de 12%, sinalizando maior percepção de risco entre os investidores.

O Ibovespa encerrou a sexta-feira (11) em queda de 0,56%, aos 187.206 pontos. O dólar, por sua vez, fechou aquele pregão em alta de 0,47%, cotado a R$ 5,1252.

Os números corrigem informações divergentes apresentadas anteriormente sobre o fechamento da sexta-feira, que indicavam queda do dólar e avanço da Bolsa.

Crise no STF e eleições aumentam cautela no mercado

No ambiente doméstico, o mercado financeiro acompanha os desdobramentos da crise envolvendo o Supremo Tribunal Federal, além das articulações relacionadas às eleições presidenciais.

A maior percepção de instabilidade política pode elevar os prêmios de risco exigidos pelos investidores e intensificar a volatilidade dos ativos brasileiros. O movimento costuma atingir o câmbio, a Bolsa e os contratos de juros futuros.

A atuação do Banco Central também permanece no radar. Para esta segunda-feira, estava previsto um leilão de rolagem com a oferta de 50 mil contratos de swap cambial tradicional com vencimento em 1º de outubro.

Dólar mais alto exige atenção do agronegócio

A cotação do dólar influencia diretamente a formação de preços no agronegócio. Para produtores e empresas exportadoras, a valorização da moeda norte-americana pode melhorar a conversão das receitas obtidas no exterior e oferecer sustentação às cotações domésticas de commodities.

O efeito não é uniforme, porém. Propriedades que dependem de fertilizantes, defensivos, sementes, máquinas ou componentes importados podem enfrentar custos maiores. Empresas com dívidas ou compromissos em dólar também ficam mais expostas às oscilações cambiais.

Diante de um pregão marcado por petróleo em alta, decisões de juros e tensão política, a tendência é de volatilidade ao longo desta segunda-feira. Para produtores, cooperativas e empresas do setor, o acompanhamento do câmbio continua essencial para decisões de compra, venda, fixação de preços e proteção das margens.

Fonte: Portal do Agronegócio

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