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Soja

Soja inicia semana sustentada por chuvas no Brasil, demanda firme e alta do petróleo

Semeadura da safra 2026/27 avança com melhora da umidade, enquanto retenção de vendedores limita a oferta no mercado físico; em Chicago, cotações sobem com apoio do petróleo e das compras internacionais


Publicado em: 14/09/2026 às 11:20hs

Soja inicia semana sustentada por chuvas no Brasil, demanda firme e alta do petróleo

O mercado da soja começou a semana dividido entre fatores de sustentação no Brasil e a cautela provocada pelas oscilações externas. As chuvas recentes favoreceram o início da semeadura da safra 2026/27, enquanto a retração dos vendedores reduziu a disponibilidade de grandes lotes e ajudou a sustentar os preços no mercado spot nacional.

No exterior, os contratos futuros operavam com leves ganhos na Bolsa de Chicago nesta segunda-feira (14), apoiados pela valorização do petróleo, pelo avanço de outras commodities agrícolas e pelas expectativas relacionadas à demanda internacional. Os participantes também ajustavam posições após a divulgação do relatório mais recente do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Apesar dos sinais positivos, o mercado físico brasileiro apresentou comportamento desigual. Houve recuos em importantes regiões do Paraná, de Mato Grosso e do Rio Grande do Sul, enquanto algumas praças registraram estabilidade ou altas pontuais diante da demanda local.

Chuvas favorecem semeadura da soja 2026/27

O plantio da nova safra brasileira de soja já começou, beneficiado pela recuperação da umidade do solo em áreas produtoras. De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o ritmo das operações deve ganhar força após a redução das precipitações.

A expectativa é de que os agricultores aproveitem as condições favoráveis para antecipar os trabalhos de campo. A estratégia busca ampliar a segurança da implantação das lavouras e reduzir a exposição aos possíveis impactos do El Niño durante o ciclo 2026/27.

As condições climáticas passaram a ocupar o centro das decisões no mercado. Segundo pesquisadores do Cepea, vendedores evitaram negociar grandes volumes na primeira dezena do mês, comportamento que reduziu a liquidez e contribuiu para a valorização da soja no mercado spot.

Essa postura indica que parte dos produtores aguarda uma definição mais clara sobre o clima, o desenvolvimento da safra e o comportamento das cotações internacionais antes de ampliar as vendas.

Mercado físico tem quedas no interior e resistência nos portos

Embora a menor oferta tenha sustentado os preços em algumas regiões, a pressão exercida pela Bolsa de Chicago provocou recuos em diferentes praças brasileiras. Levantamento da TF Agroeconômica mostrou um mercado regionalizado, com quedas no interior, estabilidade em determinados pontos e maior resistência nos portos.

No Rio Grande do Sul, a saca foi negociada a R$ 140 em Não-Me-Toque e Nonoai, alta de 0,72%. No Porto de Rio Grande, as indicações permaneceram em R$ 163 para o produto disponível e R$ 164 para entrega e embarque em outubro de 2026.

Em Ijuí e Cruz Alta, a soja encerrou a R$ 150 por saca, baixa de 0,66%. Passo Fundo e Santa Rosa registraram R$ 151, também com recuo.

Santa Catarina apresentou maior estabilidade. Em Rio do Sul, a soja permaneceu cotada a R$ 140 por saca, enquanto Palma Sola registrou R$ 138,50. A necessidade de abastecimento das agroindústrias levou compradores locais a apresentarem propostas mais competitivas em algumas áreas.

Indicadores da soja recuam no Paraná

No Paraná, o Indicador Cepea/Esalq caiu 0,64%, para R$ 152,82 por saca. O Indicador Esalq/B3 referente a Paranaguá recuou 0,73%, negociado a R$ 160,55.

Apesar da queda nos preços, o prêmio de exportação para setembro de 2026 permaneceu firme em US$ 1,85 por bushel, oferecendo sustentação parcial às referências no porto.

No interior paranaense, Cascavel recuou para R$ 153 por saca. Maringá e Ponta Grossa permaneceram estáveis, ambas com indicação de R$ 151.

Mato Grosso registra perdas de até R$ 5 por saca

Em Mato Grosso do Sul, os preços também apresentaram movimentos distintos. Chapadão do Sul recuou 1,39%, para R$ 142 por saca, enquanto Campo Grande avançou 1,40%, alcançando R$ 145.

Mato Grosso concentrou algumas das maiores perdas do mercado físico, com quedas de até R$ 5 por saca em negócios pontuais. Foram observados recuos em Lucas do Rio Verde, Nova Mutum, Primavera do Leste e Rondonópolis.

Em Sorriso, a soja foi cotada a R$ 135,20 por saca. O farelo de soja, por sua vez, alcançou R$ 1.911,88 por tonelada.

Demanda mantém farelo de soja valorizado

Os preços do farelo de soja continuam firmes no Brasil, impulsionados pela concorrência entre compradores domésticos e internacionais.

De acordo com o Cepea, indústrias e consumidores brasileiros precisam recompor estoques, enquanto a procura externa permanece aquecida. A combinação amplia a disputa pelo derivado e oferece suporte às cotações.

O comportamento do farelo adiciona um elemento positivo ao complexo soja, mesmo diante das oscilações do grão nas principais regiões produtoras.

Soja sobe em Chicago com apoio do petróleo

Na Bolsa de Chicago, os futuros da soja operavam com leves altas na manhã desta segunda-feira. Por volta das 7h40, no horário de Brasília, os principais contratos avançavam entre 0,25 e 1,25 ponto.

O vencimento novembro era cotado a US$ 12,97 por bushel, enquanto maio alcançava US$ 13,26. O trigo também subia e oferecia suporte adicional às commodities agrícolas. Os derivados da soja apresentavam movimentação mais contida no início do pregão.

Parte da sustentação vinha do forte avanço do petróleo no mercado internacional. O Brent chegou a subir mais de 3%, aproximando-se de US$ 108 por barril, enquanto o WTI avançou mais de 2% e superou US$ 102.

A valorização do petróleo favorece ativos ligados à energia e pode melhorar a competitividade relativa dos biocombustíveis. Esse movimento tende a beneficiar especialmente o óleo de soja, utilizado como matéria-prima na produção de biodiesel.

Tensões geopolíticas ampliam preocupação com oferta de petróleo

O avanço do petróleo refletiu o agravamento das tensões geopolíticas no Oriente Médio. Ataques contra estruturas de infraestrutura e transporte aumentaram as preocupações com a oferta global, enquanto persistem as incertezas envolvendo o Estreito de Hormuz e o Mar Vermelho.

Para o complexo soja, o petróleo funciona como um fator adicional de sustentação, mas ainda não foi suficiente para provocar uma valorização mais intensa em Chicago.

O mercado permanece atento às estimativas para a safra norte-americana, ao balanço global de oferta e demanda e aos próximos números oficiais divulgados pelo USDA.

Compras da China seguem no radar do mercado

A demanda internacional, especialmente as compras chinesas de soja dos Estados Unidos, continua entre os principais fatores monitorados pelos operadores.

Na semana anterior, as sinalizações de maior procura da China ajudaram os contratos futuros a alcançar máximas do período. Na sexta-feira (11), porém, o mercado devolveu parte dos ganhos após alguns vencimentos atingirem máximas contratuais e o novo relatório do USDA provocar ajustes nas posições.

Neste início de semana, a combinação entre petróleo valorizado, demanda internacional presente e avanço da semeadura no Brasil oferece sustentação às cotações. Ainda assim, a proximidade de novas informações sobre a oferta norte-americana e o potencial produtivo da safra brasileira mantém o mercado da soja volátil e limita movimentos mais expressivos de alta.

Fonte: Portal do Agronegócio

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