Oferta restrita sustenta preços do feijão, mas demanda limita novas altas no mercado
Feijão-carioca premium ganha referências de até R$ 340 por saca, enquanto feijão-preto perde apoio das exportações e depende da reposição industrial para manter a firmeza
Publicado em: 14/09/2026 às 11:35hs
O mercado brasileiro de feijão encerra a semana com preços firmes, mas ainda sem uma reação consistente da demanda que confirme novos patamares. No feijão-carioca, a oferta reduzida de lotes superiores amplia a diferença entre os padrões de qualidade. Já no feijão-preto, a menor disponibilidade sustenta as cotações, embora a queda das exportações restrinja o potencial de valorização.
Segundo o analista da Safras & Mercado Evandro Oliveira, a movimentação atual exige uma leitura cuidadosa dos preços efetivamente negociados. Qualidade, peneira, coloração, umidade e rendimento passaram a exercer influência ainda maior sobre o valor final das operações.
No curto prazo, a tendência é de manutenção da firmeza. A possibilidade de novas altas, entretanto, dependerá principalmente do ritmo de reposição dos empacotadores e da disponibilidade física nas principais regiões produtoras.
Feijão-carioca premium chega a R$ 340 por saca
No mercado do feijão-carioca, lotes comerciais com notas de cor entre 7,5 e 8 registraram negócios de R$ 290 a R$ 310 por saca, na modalidade CIF São Paulo. As operações, porém, envolveram volumes reduzidos.
Para os lotes premium, a referência de R$ 340 por saca começa a ganhar espaço. Esse valor ainda precisa ser confirmado por um volume maior de negócios, especialmente no atacado do Brás, onde as indicações oscilam entre R$ 330 e R$ 340 por saca.
A diferença entre os preços mostra um mercado cada vez mais segmentado. Os compradores estão avaliando de forma mais rigorosa as características de cada lote, enquanto a menor presença de produto de qualidade superior limita as opções de aquisição.
“Essa abertura de diferenciais revela um mercado mais segmentado: qualidade, peneira, aspecto, umidade e rendimento passaram a determinar o preço efetivamente negociado”, explica Oliveira.
Preços do feijão variam entre as regiões produtoras
Nas negociações na origem, os valores do feijão-carioca apresentam diferenças relevantes entre as principais praças produtoras.
Em Goiás, as referências FOB variam de R$ 285 a R$ 295 por saca. Em Minas Gerais, os preços ficam entre R$ 295 e R$ 305 por saca. No interior de São Paulo, os lotes extras com nota 9 ou superior alcançam de R$ 330 a R$ 335 por saca.
A valorização mais acentuada dos melhores padrões está relacionada à oferta física limitada e à resistência dos produtores em aceitar preços inferiores. Sem necessidade imediata de caixa, parte dos vendedores mantém o produto armazenado e evita ampliar as concessões nas negociações.
Os empacotadores, por sua vez, adotam uma postura cautelosa. As compras são realizadas conforme a necessidade de reposição dos estoques e a possibilidade de preservar as margens, sem antecipação expressiva de aquisições nos níveis mais elevados.
Reposição industrial pode definir novo patamar de preços
O comportamento da indústria será determinante para o mercado do feijão-carioca nas próximas negociações. Caso os empacotadores ampliem as compras, a oferta restrita de lotes superiores poderá provocar uma nova reprecificação.
“No curto prazo, a tendência é de firmeza, com potencial de nova reprecificação nos melhores lotes caso a reposição industrial acelere”, avalia o analista.
Sem o avanço da demanda, entretanto, a liquidez deverá permanecer limitada. Nesse cenário, os preços mais altos continuarão concentrados nos lotes de melhor qualidade, sem necessariamente representar uma valorização generalizada do mercado.
Feijão-preto mantém firmeza com oferta ajustada
O mercado do feijão-preto também apresenta sustentação, mas com diferenças regionais. No Paraná, o produto extra Tipo 1 é negociado entre R$ 225 e R$ 230 por saca. Em Santa Catarina, as indicações variam de R$ 230 a R$ 235 por saca.
A disponibilidade reduzida limita a pressão dos compradores, enquanto os produtores resistem a preços menores. Assim como ocorre no carioca, os empacotadores priorizam aquisições pontuais, voltadas à reposição de estoques e à manutenção das margens comerciais.
A acomodação observada em Santa Catarina ainda não indica uma mudança estrutural no mercado. As cotações paranaenses permanecem sustentadas e a disponibilidade regional segue curta, impedindo uma pressão mais intensa sobre os preços.
Exportações de feijão-preto caem 65,5%
Apesar do avanço das exportações brasileiras de feijão em 2026, o movimento não se distribuiu de maneira uniforme entre as diferentes variedades. O crescimento dos embarques ficou concentrado principalmente no feijão-mungo, com a Índia como principal destino.
No caso do feijão-preto, as exportações recuaram 65,5% e retiraram uma importante alternativa de escoamento da produção nacional.
“A drástica retração de 65,5% nas exportações de feijão-preto retirou a importante válvula de escape do mercado nesta temporada”, destaca Oliveira.
Sem o suporte do comércio exterior, o feijão-preto passou a depender ainda mais do consumo interno. A demanda doméstica, porém, está concentrada especialmente nos estados do Sul e em algumas outras regiões do país, o que limita a capacidade de absorção da oferta.
Esse cenário reduz o potencial de novas altas e favorece a acomodação das cotações, mesmo com a disponibilidade ajustada nas praças produtoras.
Mercado do feijão deve continuar seletivo
Para as próximas sessões, a perspectiva é de preços firmes tanto para o feijão-carioca quanto para o feijão-preto. A sustentação, contudo, continuará condicionada à oferta física e ao ritmo das compras industriais.
No carioca, os lotes premium podem ganhar novo impulso caso os empacotadores acelerem a reposição. No preto, a perda do suporte das exportações mantém o mercado mais dependente da demanda doméstica e reduz o espaço para uma valorização generalizada.
“A leitura de curto prazo exige separar disponibilidade física, qualidade, preços efetivamente fechados e fluxo externo”, conclui Oliveira.
Com vendedores resistentes e compradores cautelosos, o mercado deverá permanecer seletivo. Os melhores preços continuarão concentrados nos lotes de qualidade superior, enquanto a confirmação de um novo patamar dependerá de maior liquidez e de uma retomada consistente das aquisições.
Fonte: Portal do Agronegócio
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