Preço do trigo sobe pelo sétimo mês no Paraná, enquanto chuvas ameaçam produtividade e qualidade
Colheita avança para 20% da área estadual, mas pressão de doenças e oferta doméstica restrita sustentam as cotações; mercado internacional passa por correção após duas semanas de queda
Publicado em: 14/09/2026 às 11:50hs
O mercado do trigo combina valorização no Brasil, preocupação com as condições das lavouras no Paraná e ajustes negativos nas bolsas internacionais. No estado paranaense, o preço do cereal caminha para o sétimo mês consecutivo de alta, enquanto a colheita avançou de 5% para 20% da área estimada em apenas uma semana.
Dados do Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento do Paraná (Seab), mostram que o ritmo dos trabalhos supera o registrado no mesmo período da safra anterior, quando 12% da área havia sido colhida.
Apesar do avanço, as chuvas recorrentes, as temperaturas elevadas e o aumento da pressão de doenças ampliam as incertezas sobre a produtividade e a qualidade do trigo. Ao mesmo tempo, a menor disponibilidade interna mantém os preços sustentados, mesmo diante da correção observada em Chicago.
Colheita do trigo avança para 20% no Paraná
O tempo mais quente e a necessidade de aproveitar os intervalos sem chuva aceleraram a retirada do trigo das lavouras paranaenses. Os produtores buscam concluir as operações durante as janelas de clima firme, antes da chegada de novas precipitações.
As condições gerais das plantações ainda são superiores às verificadas no mesmo período do ano passado. As primeiras produtividades, no entanto, ficaram abaixo das expectativas dos triticultores e próximas aos rendimentos obtidos no início da colheita anterior.
A atenção aumenta à medida que as máquinas avançam para áreas atingidas por chuvas mais intensas e frequentes. Segundo o Deral/Seab, a combinação entre volumes elevados de precipitação e temperaturas mais altas confirma os impactos do El Niño sobre a produção paranaense.
Chuvas e doenças elevam risco de perdas nas lavouras
As precipitações registradas desde agosto, principalmente na metade sul do Paraná, dificultaram o manejo das lavouras. No Sudoeste, a umidade excessiva limitou a aplicação de fungicidas e favoreceu o avanço de doenças.
Os períodos secos têm permitido a colheita de grãos com umidade adequada, mas a previsão de novas chuvas mantém os produtores em alerta. Cada intervalo de tempo firme se torna importante para reduzir o risco de perdas de rendimento e de qualidade.
O cenário é agravado pela diminuição da área cultivada em algumas localidades. Com uma oferta potencialmente menor e dúvidas sobre o desempenho das lavouras mais afetadas pelo clima, o mercado acompanha de perto os resultados obtidos em campo.
Preço do trigo acumula sete meses de valorização
A maioria das praças paranaenses registrava, em setembro, preços iguais ou superiores a R$ 78 por saca. A média mensal deve superar os R$ 74,90 por saca observados em agosto, conforme o Deral/Seab.
Caso o resultado seja confirmado, setembro marcará o sétimo mês consecutivo de valorização do trigo no Paraná. As cotações também permanecem acima dos R$ 71,62 por saca registrados no mesmo mês do ano anterior.
Os preços se aproximaram do custo variável estimado pelo Deral em agosto, de R$ 77,18 por saca, e do preço mínimo definido pelo Governo Federal para a Região Sul, de R$ 78,51 por saca para o trigo pão tipo 1.
A TF Agroeconômica também identifica sustentação no mercado físico paranaense. Segundo a consultoria, os preços romperam a resistência de R$ 1.475 por tonelada e chegaram perto de R$ 1.490 por tonelada em determinadas referências de negociação, mantendo a perspectiva de alta.
Oferta restrita sustenta mercado brasileiro
No Rio Grande do Sul, as cotações apresentam maior estabilidade, com negócios entre R$ 1.355 e R$ 1.360 por tonelada, de acordo com a TF Agroeconômica.
A menor disponibilidade de trigo e a continuidade da demanda ajudam a limitar eventuais recuos no mercado brasileiro. A valorização observada durante o início da colheita é considerada atípica, pois a entrada da nova produção normalmente aumenta a oferta e exerce pressão sobre as cotações.
Neste ciclo, porém, os riscos climáticos, a redução de área em algumas regiões e as incertezas sobre a qualidade dos grãos alteraram a dinâmica das negociações.
Trigo recua por duas semanas no mercado internacional
No exterior, o trigo acumulou a segunda semana consecutiva de queda. O movimento foi influenciado pela realização de lucros dos fundos, pelo desempenho fraco das exportações dos Estados Unidos e pela expectativa de oferta elevada na região do Mar Negro.
As vendas semanais norte-americanas somaram 194,2 mil toneladas, abaixo das 313,5 mil toneladas registradas na semana anterior. No Canadá, os estoques alcançaram 6,65 milhões de toneladas, crescimento de 57% na comparação anual.
Em Chicago, o contrato com vencimento em dezembro chegou próximo de US$ 7,90 por bushel antes de recuar para a região de US$ 7,25. Conforme a análise da TF Agroeconômica, a faixa entre US$ 7,80 e US$ 7,90 atua como resistência, enquanto US$ 7,20 por bushel representa o primeiro nível de suporte.
Apesar da correção de curto prazo, a avaliação indica que a estrutura do mercado continua positiva no médio prazo.
Guerra no Mar Negro mantém risco para embarques
As tensões entre Rússia e Ucrânia permanecem entre os principais fatores de sustentação das cotações internacionais. Ataques à infraestrutura portuária e logística continuam ameaçando o fluxo de mercadorias, enquanto as incertezas sobre um eventual acordo de paz mantêm riscos para os embarques pelo Mar Negro.
Parte da demanda internacional tem se deslocado para a Europa. Nesse contexto, a previsão de exportações de trigo soft da União Europeia foi elevada para 29,5 milhões de toneladas.
Para produtores e compradores brasileiros, o cenário recomenda cautela. Com oferta doméstica restrita, riscos climáticos no Paraná e volatilidade no exterior, a estratégia indicada é escalonar vendas e aquisições, evitando a concentração das operações em um único momento.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias