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Milho e Sorgo

Preço do milho recua no Brasil com demanda fraca, enquanto Chicago testa suporte decisivo

Compradores reduzem aquisições no mercado interno, mas oferta restrita, paridade de exportação, clima e demanda por bioenergia limitam as quedas nas principais regiões produtoras


Publicado em: 14/09/2026 às 11:40hs

Preço do milho recua no Brasil com demanda fraca, enquanto Chicago testa suporte decisivo
Foto: CNA

O mercado do milho inicia a semana dividido entre a pressão da demanda enfraquecida no Brasil e uma recuperação moderada dos contratos futuros na Bolsa de Chicago. No mercado doméstico, compradores reduzem as aquisições após formarem estoques para o curto prazo, enquanto produtores restringem a oferta e acompanham o clima, o plantio da safra 2026/27 e a paridade de exportação.

Levantamentos do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) indicam recuo nas cotações em parte das regiões acompanhadas. A baixa liquidez reflete principalmente o afastamento dos consumidores, que consideram suficientes os volumes adquiridos anteriormente.

As quedas, entretanto, permanecem limitadas. Parte dos produtores evita negociar grandes lotes diante das incertezas climáticas para os próximos meses e da valorização da paridade de exportação. As atenções também estão concentradas nas atividades de campo, com a finalização da colheita da segunda safra 2025/26 e o avanço da semeadura de verão 2026/27.

Milho avança em Chicago, mas movimento ainda é limitado

Os contratos futuros do milho operavam com leves altas na manhã desta segunda-feira (14) na Bolsa de Chicago (CBOT), enquanto investidores continuavam avaliando o relatório de oferta e demanda divulgado pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).

Por volta das 9h32, no horário de Brasília, o contrato setembro de 2026 era negociado a US$ 5,17 por bushel, com valorização de 7,25 pontos. O vencimento dezembro de 2026 alcançava US$ 5,31, enquanto março de 2027 era cotado a US$ 5,46 e maio de 2027 a US$ 5,53, todos com alta de 0,75 ponto.

Apesar da reação positiva, o mercado ainda apresenta pouca variação. Segundo análise publicada pela Successful Farming, os operadores avaliam os números do relatório de Estimativas Mundiais de Oferta e Demanda Agrícola (WASDE), divulgado pelo USDA na sexta-feira.

A estimativa para a produção norte-americana de milho foi reduzida de 406,75 milhões para 401,33 milhões de toneladas. O corte, porém, ficou abaixo do esperado pelos participantes do mercado. A produtividade foi projetada em 178,5 bushels por acre, ante expectativa média de 178,1 bushels por acre e estimativa anterior de 180,7 bushels.

Mercado do milho testa suporte de US$ 5,25 em Chicago

A avaliação da TF Agroeconômica aponta tendência neutra a baixista para o milho no curto prazo, embora ainda não exista confirmação de reversão do movimento de valorização observado no horizonte mais amplo.

A pressão vem do avanço da colheita nos Estados Unidos, do aumento da disponibilidade física, das vendas realizadas pelos produtores norte-americanos e da retirada de posições pelos fundos de investimento. No movimento mais recente, os fundos liquidaram aproximadamente 9 mil contratos.

Após se aproximar de US$ 5,50 por bushel, o contrato de dezembro recuou e passou a testar a região de US$ 5,25. Esse patamar é considerado decisivo para a definição da tendência.

Caso permaneça acima do suporte, o contrato poderá buscar novamente as faixas de US$ 5,40 e US$ 5,50. Uma perda consistente dos US$ 5,25, por outro lado, aumentaria a possibilidade de recuo em direção a US$ 5,00 por bushel.

Estoques menores e exportações recordes limitam pressão internacional

Embora a colheita norte-americana pressione as cotações, outros fundamentos ajudam a evitar uma queda mais intensa. Os estoques finais de milho dos Estados Unidos projetados para a temporada 2026/27 recuaram para 39,79 milhões de toneladas, frente às 41,98 milhões indicadas em agosto.

As exportações norte-americanas da safra 2025/26 também alcançaram volumes recordes. Ao mesmo tempo, a redução da produção europeia e as dificuldades enfrentadas pela Ucrânia para realizar embarques continuam oferecendo suporte ao mercado internacional.

A combinação desses fatores mantém Chicago em uma zona de indefinição. O aumento sazonal da oferta exerce pressão sobre os contratos, mas a menor disponibilidade projetada e a demanda externa dificultam uma correção mais profunda.

Exportações mais lentas aumentam atenção sobre oferta brasileira

No Brasil, a desaceleração dos embarques amplia a preocupação com a quantidade de milho disponível no mercado interno. Embora setembro tenha começado com desempenho superior ao observado em agosto, o ritmo das exportações permanece abaixo do registrado no mesmo período de 2025.

Com a colheita da segunda safra praticamente concluída nas principais regiões produtoras, uma absorção menor pelo mercado externo pode ampliar a oferta doméstica e pressionar as cotações.

Por enquanto, a retenção dos vendedores impede uma queda mais generalizada. Os produtores acompanham a paridade de exportação e evitam ampliar as vendas em momentos de baixa, enquanto compradores operam apenas para cobrir necessidades imediatas.

Milho varia de R$ 60 a R$ 68 no Rio Grande do Sul

No Rio Grande do Sul, as indicações do milho oscilam entre R$ 60 e R$ 68 por saca. O preço médio estadual calculado pela Emater avançou 0,83% na semana, para R$ 61,60. Em Cruz Alta, as referências para o cereal disponível chegaram a R$ 75 por saca.

O plantio da safra 2026/27 alcançou 54% da área estimada em 896,4 mil hectares. Apesar do avanço da semeadura, o frio intenso e a ocorrência de geadas aumentaram a preocupação dos produtores.

Os possíveis prejuízos dependerão da intensidade das baixas temperaturas e do estágio de desenvolvimento das lavouras. Esse risco climático também contribui para manter parte dos vendedores afastada das negociações.

Déficit de milho sustenta mercado em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a comercialização permanece limitada pela distância entre os valores pedidos pelos vendedores e as ofertas apresentadas pelos compradores. As referências estão próximas de R$ 60 por saca, enquanto a demanda indica valores ao redor de R$ 55.

O estado apresenta um déficit estrutural de milho. O consumo anual é estimado em aproximadamente 8,5 milhões de toneladas, enquanto a produção da safra 2025/26 alcançou 2,67 milhões. A diferença próxima de 6 milhões de toneladas precisa ser atendida por compras realizadas em outros estados ou por importações.

Mesmo com essa necessidade, consumidores mantêm cautela nas aquisições e evitam formar estoques elevados diante da possibilidade de novas correções nos preços.

Paraná avança no plantio e monitora pragas

No Paraná, os compradores também priorizam aquisições pontuais para reposição. A segunda safra está praticamente colhida, enquanto a semeadura da primeira safra de milho 2026/27 alcançou 34% da área prevista.

Além do comportamento dos preços, os produtores acompanham as condições sanitárias das lavouras. O Departamento de Economia Rural (Deral) aponta maior incidência de cigarrinha-do-milho e percevejo-barriga-verde em comparação com a temporada anterior.

A evolução dessas pragas poderá influenciar os custos de manejo e o potencial produtivo das áreas cultivadas, especialmente se o controle não for realizado nas fases iniciais das lavouras.

Bioenergia sustenta demanda em Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, os preços do milho variam entre R$ 54 e R$ 57 por saca. As negociações também ocorrem de forma limitada, mas a demanda da indústria de bioenergia ajuda a absorver parte da oferta disponível.

A expansão do processamento de milho para a produção de etanol cria uma fonte adicional de consumo no Centro-Oeste e reduz a dependência exclusiva das exportações e das cadeias de proteína animal.

Essa procura industrial contribui para sustentar as cotações regionais, mesmo em um período de maior disponibilidade após a colheita da segunda safra.

Produtores devem avaliar vendas parciais e custos de armazenagem

O mercado do milho permanece sujeito a forças opostas. A demanda doméstica retraída, a colheita norte-americana e o ritmo mais lento das exportações brasileiras pressionam os preços. Em sentido contrário, a retenção dos produtores, os estoques menores nos Estados Unidos, os problemas produtivos na Europa e a demanda por bioenergia limitam as perdas.

Diante desse quadro, a orientação é manter cautela e escalonar as decisões comerciais. Produtores podem aproveitar movimentos de recuperação para realizar vendas parciais, considerando custos de armazenagem, fluxo de caixa e necessidade de liberar espaço.

Para consumidores, eventuais recuos podem representar oportunidades para ampliar gradualmente a cobertura das necessidades. A definição de uma tendência mais clara dependerá do comportamento do suporte em Chicago, do avanço das exportações brasileiras, das condições climáticas da nova safra e da disposição dos produtores em negociar.

Fonte: Portal do Agronegócio

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