Dólar recua perto de R$ 5,10 nesta terça-feira, enquanto mercado avalia inflação e ata do Copom
Moeda americana opera em baixa no início dos negócios, enquanto investidores repercutem IPCA de julho, novas sinalizações do Banco Central e cenário externo; Ibovespa começa o pregão sob pressão após cinco quedas consecutivas
Publicado em: 11/08/2026 às 11:10hs
O dólar abriu a sessão desta terça-feira (11) em leve queda diante do real, enquanto os investidores avaliam novos dados de inflação no Brasil e as sinalizações divulgadas pelo Banco Central na ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom).
Por volta das 9h, a moeda americana recuava cerca de 0,10%, negociada a R$ 5,1053, após encerrar o pregão anterior em alta de 0,53%, a R$ 5,1106.
O movimento ocorre em uma sessão considerada importante para os mercados brasileiros, com a divulgação do IPCA de julho e da ata do Copom no radar dos investidores. O documento reforçou a necessidade de manter uma política monetária restritiva diante das pressões inflacionárias e das incertezas no cenário econômico.
IPCA de julho fica em 0,07%
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) avançou 0,07% em julho, segundo dados divulgados nesta terça-feira pelo IBGE. O resultado representa desaceleração da inflação, mas ficou ligeiramente acima das expectativas do mercado.
A leitura do indicador é acompanhada de perto porque pode influenciar as expectativas para os próximos passos da política monetária brasileira.
Mesmo com a desaceleração dos preços, o Banco Central mantém cautela. Na ata divulgada nesta terça-feira, o Copom destacou que a demanda doméstica continua exercendo pressão sobre a inflação e que os efeitos da política monetária restritiva ainda precisam ser observados.
Copom mantém sinal de cautela com os juros
Na reunião realizada na semana passada, o Copom reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 14% ao ano, marcando o quarto corte consecutivo da taxa básica de juros.
Apesar da redução, a ata deixou claro que o Banco Central pretende manter uma postura cautelosa diante das expectativas de inflação, do comportamento da atividade econômica, do mercado de trabalho e das condições financeiras internacionais.
A sinalização reduz a possibilidade de uma trajetória automática de cortes mais acelerados nos juros e mantém o mercado atento aos próximos indicadores de inflação e atividade.
Dólar acumula alta na semana e no mês
Mesmo com a leve queda registrada na abertura desta terça-feira, o dólar ainda apresenta desempenho positivo nos períodos mais curtos.
Dólar:
- Cotação na abertura: R$ 5,1053;
- Fechamento anterior: R$ 5,1106;
- Variação na semana: +0,53%;
- Variação em agosto: +0,81%;
- Variação em 2026: -6,89%.
A valorização recente da moeda também está relacionada ao ambiente externo, com investidores monitorando os rendimentos dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos, o petróleo e as tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos, Irã e o Estreito de Ormuz.
Ibovespa inicia semana pressionado
O mercado acionário brasileiro também começa a terça-feira sob pressão. O Ibovespa encerrou a segunda-feira (10) aos 172.179,93 pontos, com queda de 0,19%.
Foi o quinto pregão consecutivo de baixa para o principal índice da Bolsa brasileira. No acumulado de agosto, o Ibovespa registra queda de 3,27%, enquanto o desempenho em 2026 ainda é positivo em 6,86%.
Ibovespa:
- Fechamento anterior: 172.179,93 pontos;
- Variação na semana: -0,19%;
- Variação em agosto: -3,27%;
- Variação em 2026: +6,86%.
Na abertura desta terça-feira, os contratos futuros do Ibovespa operavam próximos da estabilidade, refletindo a cautela dos investidores diante da agenda econômica carregada.
Mercado financeiro monitora cenário externo
Além dos indicadores brasileiros, o comportamento dos mercados internacionais continua influenciando o câmbio e a Bolsa.
Os investidores acompanham os preços do petróleo e as tensões no Oriente Médio, especialmente os desdobramentos relacionados ao Estreito de Ormuz. A alta da commodity pode aumentar as preocupações com inflação global e dificultar uma eventual flexibilização mais rápida da política monetária em diferentes economias.
Nos Estados Unidos, os próximos dados de inflação também permanecem no radar, uma vez que podem alterar as expectativas para os juros americanos e, consequentemente, afetar o fluxo de capital para mercados emergentes, incluindo o Brasil.
Dólar e juros seguem importantes para o agronegócio
Para o agronegócio brasileiro, o comportamento do dólar continua sendo um dos principais indicadores a serem acompanhados.
Uma moeda americana mais valorizada tende a favorecer a receita dos exportadores brasileiros de soja, milho, café, açúcar, algodão, carnes e outros produtos agropecuários, especialmente quando os preços internacionais permanecem firmes.
Por outro lado, o câmbio também influencia os custos de produção, principalmente em itens com forte participação de componentes importados, como fertilizantes, defensivos agrícolas, máquinas, peças e alguns insumos.
Nesse cenário, a combinação entre dólar, juros, petróleo e preços das commodities deve continuar determinando boa parte das decisões de comercialização e investimento no setor rural.
O que observar no mercado nesta terça-feira
O mercado financeiro brasileiro concentra as atenções em quatro principais fatores:
- IPCA de julho: inflação desacelerou, mas veio ligeiramente acima do esperado;
- Ata do Copom: documento reforça cautela e necessidade de juros ainda restritivos;
- Dólar: moeda opera próxima de R$ 5,10 após alta na sessão anterior;
- Ibovespa: Bolsa acumula cinco pregões consecutivos de queda e monitora o ambiente externo.
A combinação desses fatores deve manter o mercado volátil ao longo do dia, com investidores recalibrando expectativas para a trajetória dos juros brasileiros e para o comportamento do real diante do dólar.
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Fonte: Portal do Agronegócio
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