Açúcar sobe e atinge R$ 97,51 no mercado paulista com menor produção e alta nas bolsas internacionais
Menor disponibilidade de açúcar no Centro-Sul, maior direcionamento da cana para o etanol e avanço das cotações em Nova York e Londres sustentam a valorização da commodity no início de agosto
Publicado em: 11/08/2026 às 11:30hs
O mercado de açúcar iniciou agosto em trajetória de alta no Brasil e no exterior. No mercado paulista, o açúcar cristal branco alcançou R$ 97,51 por saca de 50 quilos, segundo o indicador CEPEA/ESALQ, enquanto as bolsas de Nova York e Londres também registraram ganhos na segunda-feira (10).
A combinação entre menor produção de açúcar no Centro-Sul, maior direcionamento da cana para a fabricação de etanol e valorização internacional vem dando sustentação aos preços da commodity.
Segundo o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), as cotações do açúcar cristal branco já haviam avançado para a faixa de R$ 96 por saca, nível que não era observado desde meados de maio. Com a aceleração registrada no início desta semana, o indicador paulista atingiu novo patamar de valorização.
Açúcar cristal acumula alta de 6,57% em agosto
O indicador CEPEA/ESALQ para o açúcar cristal branco subiu 1,55% na segunda-feira (10), para R$ 97,51 por saca de 50 kg.
No acumulado de agosto, a valorização chega a 6,57%, enquanto a cotação convertida para dólar ficou em US$ 19,08 por saca.
O movimento ocorre em um ambiente de maior atenção dos compradores e vendedores às perspectivas de oferta. Apesar dos preços mais elevados, a liquidez no mercado paulista aumentou, de acordo com o Cepea.
Ainda assim, compradores seguem adotando uma postura mais seletiva diante dos níveis atuais de preços, tanto no mercado doméstico quanto no exterior.
Menor produção de açúcar sustenta preços
Um dos principais fatores de sustentação do mercado é a menor produção de açúcar no Centro-Sul brasileiro.
O cenário chama atenção porque ocorre mesmo com o avanço do processamento de cana-de-açúcar e com a melhora na qualidade da matéria-prima. Na prática, a maior moagem não tem se convertido necessariamente em maior disponibilidade de açúcar para o mercado.
Isso ocorre, principalmente, porque usinas vêm direcionando uma parcela maior da cana para a produção de etanol, reduzindo o volume destinado à fabricação de açúcar.
Esse redirecionamento limita a oferta do adoçante e contribui para manter os preços firmes.
Etanol também ganha força
O movimento de valorização não ficou restrito ao açúcar.
No mercado paulista, o Indicador Diário de Paulínia apontou o etanol hidratado a R$ 2.187,50 por metro cúbico na segunda-feira, alta de 2,15% no dia.
No acumulado de agosto, o biocombustível registra valorização de 2,70%.
A reação simultânea dos preços do açúcar e do etanol reforça a importância da estratégia de mix das usinas, que ajustam a destinação da cana conforme as condições de mercado.
Açúcar avança em Nova York
No mercado internacional, o açúcar bruto também começou a semana em alta.
Na ICE Futures U.S., em Nova York, o contrato outubro/26 avançou 0,02 centavo de dólar por libra-peso e encerrou a sessão a 16,47 cents/lbp.
O contrato março/27 subiu 0,11 ponto, para 17,44 cents/lbp, enquanto o vencimento maio/27 ganhou 0,14 ponto, fechando a 17,17 cents/lbp.
Os demais contratos terminaram o pregão com ganhos entre 0,06 e 0,15 ponto.
A valorização internacional contribui para melhorar o ambiente de preços também no mercado brasileiro, especialmente em um momento em que a disponibilidade doméstica de açúcar recebe maior atenção dos agentes.
Açúcar branco também sobe em Londres
Em Londres, o açúcar branco acompanhou o movimento positivo observado em Nova York.
Na ICE Futures Europe, o contrato outubro/26 avançou US$ 2,70 por tonelada, encerrando a sessão a US$ 506,10.
O vencimento dezembro/26 subiu US$ 2,90, também para US$ 506,10 por tonelada. Já o contrato março/27 ganhou US$ 4,10, alcançando US$ 508,70 por tonelada.
As demais posições também fecharam em alta, reforçando a percepção de um início de semana mais firme para o mercado internacional do açúcar.
Oferta e mix de produção entram no radar
O comportamento dos preços nas próximas semanas deverá continuar condicionado principalmente à relação entre oferta de açúcar, processamento de cana e direcionamento da matéria-prima para açúcar ou etanol.
A menor produção de açúcar no Centro-Sul reduz a disponibilidade do produto justamente em um momento de recuperação das cotações internacionais.
Ao mesmo tempo, o avanço do etanol cria uma alternativa de remuneração para as usinas e pode influenciar as decisões sobre o mix de produção ao longo da safra.
Para o mercado, o resultado é um cenário de maior sensibilidade às informações sobre moagem, produtividade, qualidade da cana, produção de açúcar e etanol e comportamento das bolsas internacionais.
Mercado de açúcar começa agosto mais firme
O início de agosto mostra uma mudança importante no comportamento dos preços do açúcar.
No Brasil, o cristal branco alcançou R$ 97,51 por saca, acumulando alta superior a 6% no mês. No exterior, Nova York e Londres também registraram valorização.
Com a menor produção de açúcar no Centro-Sul e o maior direcionamento da cana para o etanol, a disponibilidade da commodity permanece como um dos principais pontos de atenção para o mercado.
A combinação desses fatores mantém o açúcar em um ambiente de preços mais firmes e coloca a evolução da oferta brasileira no centro das atenções dos agentes do setor sucroenergético.
Fonte: Portal do Agronegócio
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