Indústria de soja amplia capacidade em 13,1% no Brasil e prevê R$ 7,65 bilhões em investimentos
Estrutura de processamento chega a 86,4 milhões de toneladas por ano; demanda por farelo e óleo, impulsionada pelo biodiesel, sustenta expansão do setor
Publicado em: 06/10/2026 às 20:00hs
A capacidade de processamento de soja no Brasil cresceu 13,1% em 2026, alcançando 86,4 milhões de toneladas por ano, segundo pesquisa anual da Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais (Abiove), divulgada nesta terça-feira (6). O avanço acompanha a demanda por farelo e óleo de soja nos mercados interno e externo.
O levantamento também mapeou aproximadamente R$ 7,65 bilhões em investimentos anunciados para novas unidades e ampliação de instalações existentes. Os projetos, com possibilidade de entrar em operação em um período de 12 meses, poderão acrescentar 7,4 milhões de toneladas anuais à capacidade industrial brasileira.
Capacidade instalada supera processamento projetado para 2026
A estrutura industrial disponível supera o volume que a Abiove estima processar neste ano: 63,5 milhões de toneladas de soja, patamar que, se confirmado, será recorde.
Os indicadores representam medidas distintas. A capacidade corresponde ao potencial anual das instalações, enquanto a projeção de processamento indica o volume de soja que deverá efetivamente ser industrializado em 2026.
Segundo Daniel Furlan Amaral, diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da Abiove, a expansão responde ao crescimento da procura pelos derivados da oleaginosa, com destaque para o óleo destinado à fabricação de biodiesel.
Biodiesel e alimentação animal sustentam demanda
O óleo de soja responde pela maior parte da matéria-prima utilizada na produção brasileira de biodiesel, conectando a expansão da indústria de processamento à demanda por biocombustíveis.
O farelo, por sua vez, tem forte consumo interno como ingrediente de rações para a cadeia de carnes. O Brasil também ocupa a posição de segundo maior exportador mundial do produto.
Essa combinação de demanda doméstica e externa sustenta as perspectivas de ampliação da capacidade, de acordo com a associação, que reúne empresas como ADM, Bunge e Cargill.
Investimentos incluem novas unidades e modernização
Os R$ 7,65 bilhões mapeados pela Abiove abrangem projetos já anunciados de expansão e implantação de unidades industriais. A entrada em operação dessas estruturas poderá ampliar a oferta de farelo e óleo e fortalecer o processamento de soja no país.
Na avaliação de Amaral, os investimentos demonstram a perspectiva de longo prazo da indústria e contribuem para modernizar a infraestrutura. O diretor também aponta potencial de geração de empregos e estímulo às economias regionais onde os projetos serão instalados.
Número de plantas ativas cresce para 148
A pesquisa mostra que o total de unidades industriais ativas passou de 131 em 2025 para 148 em 2026. No mesmo período, o número de plantas paradas caiu de 12 para seis.
O levantamento identificou ainda três unidades em construção, ante seis na pesquisa anterior. Esses dados complementam o quadro de expansão da estrutura de processamento da oleaginosa.
Centro-Oeste concentra 42,9% da capacidade nacional
O Centro-Oeste permanece como a principal região de processamento de soja, concentrando 42,9% da capacidade instalada brasileira.
Entre os estados, Mato Grosso lidera com 21,6% do total nacional. A participação reforça o peso do estado na industrialização da soja, além de sua atuação na produção agrícola.
Fonte: Portal do Agronegócio
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