Soja: dólar e Chicago limitam negócios no Brasil antes de novo relatório do USDA
Mercado brasileiro de soja ganha cautela nesta terça-feira (11), enquanto produtores seguram ofertas e investidores ajustam posições antes das novas projeções de oferta e demanda dos Estados Unidos
Publicado em: 11/08/2026 às 11:40hs
O mercado brasileiro de soja deve apresentar ritmo mais lento de negócios nesta terça-feira (11), em meio à cautela dos agentes diante da proximidade do novo relatório de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA), que será divulgado nesta quarta-feira (12).
A combinação entre oscilações em Chicago, dólar em baixa e expectativa pelos novos números da safra norte-americana reduz a disposição para grandes operações no mercado físico brasileiro. Depois das altas observadas em diversas praças no início da semana, produtores e compradores adotam postura mais defensiva, à espera de sinais mais claros para os preços.
O cenário externo permanece como principal referência para a formação das cotações domésticas. Ao mesmo tempo, os prêmios de exportação continuam firmes, ajudando a sustentar os valores da soja brasileira, embora a demanda e as margens das indústrias imponham limites aos negócios.
Mercado brasileiro de soja opera com liquidez moderada
Na segunda-feira (10), os preços da soja avançaram em boa parte das principais regiões produtoras do país. Apesar das altas, o volume negociado permaneceu moderado.
Segundo análises de mercado, produtores mais capitalizados continuam segurando parte da soja disponível, esperando oportunidades melhores de venda. A estratégia ganha força diante dos prêmios ainda considerados atrativos e da possibilidade de novas oscilações em Chicago após a divulgação do USDA.
Entre as principais referências do mercado físico, os preços registraram os seguintes movimentos:
- Passo Fundo (RS): de R$ 138,00 para R$ 139,00 por saca;
- Santa Rosa (RS): de R$ 139,00 para R$ 140,00;
- Cascavel (PR): de R$ 134,00 para R$ 134,50;
- Rondonópolis (MT): de R$ 129,00 para R$ 131,00;
- Dourados (MS): de R$ 128,00 para R$ 129,50;
- Rio Verde (GO): de R$ 129,00 para R$ 130,00.
Nos portos, Paranaguá (PR) passou de R$ 145,00 para R$ 145,50 por saca, enquanto Rio Grande (RS) avançou de R$ 145,00 para R$ 146,00.
Outras referências acompanhadas pelo mercado também mostram diferenças regionais. Em Maringá (PR), a cotação chegou a R$ 137,00, enquanto Paranaguá permaneceu próxima de R$ 147,00 em outra referência de mercado.
No Mato Grosso do Sul, as altas foram mais expressivas em algumas localidades, favorecidas pela recomposição de estoques das indústrias. Em Mato Grosso, por outro lado, o mercado apresentou comportamento mais lateral, com pequenas oscilações.
Dólar em baixa reduz suporte aos preços da soja
O câmbio também contribui para a cautela dos participantes.
O dólar comercial recua nesta terça-feira, sendo negociado próximo de R$ 5,10. A moeda norte-americana é um dos principais componentes da formação dos preços da soja no mercado brasileiro, especialmente nas regiões com maior ligação com a exportação.
Com o dólar mais fraco, parte do suporte aos preços domésticos diminui. Assim, mesmo quando Chicago apresenta alguma recuperação, a valorização pode não ser integralmente transferida para as cotações brasileiras.
Para o produtor, o comportamento dos três principais componentes — Chicago, dólar e prêmios de exportação — continuará determinando a atratividade das vendas nos próximos dias.
Chicago oscila antes do relatório do USDA
Na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), os futuros da soja apresentam movimentos modestos, em uma sessão marcada pelo ajuste de posições.
O contrato novembro, referência para a nova safra norte-americana, trabalha na faixa de US$ 11,70 a US$ 11,80 por bushel, enquanto os demais vencimentos também registram oscilações limitadas.
O comportamento dos contratos reflete principalmente a expectativa pelo relatório de oferta e demanda de agosto do USDA, previsto para esta quarta-feira (12), às 13h, no horário de Brasília.
O documento poderá trazer novas projeções para:
- área plantada nos Estados Unidos;
- produtividade das lavouras;
- produção norte-americana de soja;
- estoques de passagem;
- exportações;
- oferta e demanda mundial;
- estoques globais.
A proximidade do relatório faz com que muitos investidores reduzam posições ou evitem operações mais agressivas antes da divulgação dos números.
Mercado espera revisão da produção de soja dos EUA
As expectativas de mercado apontam para uma pequena redução na projeção de produção de soja dos Estados Unidos para a safra 2026/27.
Analistas consultados por agências internacionais estimam produção próxima de 4,469 bilhões de bushels, contra 4,475 bilhões projetados anteriormente.
Para os estoques de passagem dos EUA em 2026/27, a expectativa é de aproximadamente 302 milhões de bushels, praticamente estável em relação à previsão anterior.
Já para 2025/26, o mercado trabalha com possibilidade de redução dos estoques finais, de 330 milhões para cerca de 324 milhões de bushels.
No cenário mundial, a expectativa é de estoques finais de soja em 2026/27 próximos de 124,4 milhões de toneladas, ligeiramente acima dos 124,2 milhões projetados anteriormente.
Esses números serão determinantes para definir se o mercado encontrará espaço para novas altas ou se a perspectiva de ampla oferta continuará limitando a valorização da oleaginosa.
Condições das lavouras americanas seguem no radar
Além do USDA, o clima continua entre os principais fatores de influência sobre Chicago.
O último levantamento do USDA mostrou que 62% das lavouras de soja dos Estados Unidos estavam classificadas como boas ou excelentes até 9 de agosto, uma queda de um ponto percentual em relação à semana anterior.
Na semana anterior, o índice era de 63%.
Outros 28% das lavouras estavam em condições regulares, enquanto 10% eram classificadas como ruins ou muito ruins.
Apesar da pequena piora, o quadro geral ainda é considerado relativamente favorável. Chuvas recentes e temperaturas mais amenas ajudaram a aliviar parte das preocupações provocadas pelo calor e pelo tempo seco registrados em áreas do Meio-Oeste durante julho.
Dados do USDA e do National Drought Mitigation Center indicam ainda que cerca de 26% das áreas de soja norte-americanas estavam afetadas pela seca.
O mercado, portanto, continuará monitorando a evolução climática, principalmente porque a cultura entra em uma fase decisiva para a definição do potencial produtivo.
Demanda chinesa também influencia Chicago
A demanda internacional permanece como outro componente importante para a formação dos preços.
As inspeções semanais de embarques dos Estados Unidos apresentaram crescimento em relação à semana anterior, incluindo volumes destinados à China. O mercado também acompanha os leilões de reservas estatais chinesas, que podem oferecer sinais sobre o comportamento da demanda pelo produto norte-americano.
A possibilidade de novos compromissos comerciais envolvendo a China também contribui para limitar uma pressão maior sobre as cotações.
Por outro lado, a expectativa de uma produção norte-americana elevada impede que o mercado sustente altas mais fortes antes de conhecer os números oficiais do USDA.
Farelo e óleo de soja apresentam movimentos diferentes
O comportamento dos derivados também chama a atenção.
Enquanto o óleo de soja apresenta suporte, o farelo opera com maior pressão, refletindo ajustes próprios de oferta, demanda e margens de processamento.
As oscilações dos derivados são relevantes para o mercado brasileiro porque interferem diretamente na rentabilidade das esmagadoras e, consequentemente, na disposição das indústrias em adquirir matéria-prima.
No Brasil, margens mais apertadas das esmagadoras e fretes mais caros, pressionados pelo diesel, também contribuem para limitar a agressividade dos compradores em algumas regiões.
Produtor brasileiro mantém cautela nas vendas
Diante desse cenário, o produtor brasileiro tende a adotar uma postura mais seletiva.
A combinação entre preços ainda elevados em algumas praças, prêmios firmes e necessidade de caixa mantém o mercado funcionando, mas a expectativa pelo USDA reduz a disposição para grandes negócios nesta terça-feira.
Para quem possui soja disponível e está capitalizado, a estratégia de aguardar novas oportunidades permanece presente. Já consumidores e exportadores acompanham o câmbio e Chicago para definir novos níveis de compra.
A expectativa é que a divulgação do relatório de oferta e demanda dos Estados Unidos provoque aumento da volatilidade nos mercados internacionais e, consequentemente, altere as referências de preço no Brasil.
O que pode mexer com a soja nos próximos dias
Os principais fatores que devem definir o comportamento da soja são:
- Relatório do USDA: novas estimativas para produção, produtividade, estoques e exportações podem provocar forte reação em Chicago.
- Clima nos Estados Unidos: chuvas, temperaturas e evolução das condições das lavouras continuarão no centro das atenções.
- Dólar: uma moeda norte-americana mais fraca tende a limitar a valorização da soja no mercado interno.
- Chicago: os futuros da oleaginosa permanecem sensíveis ao ajuste de posições antes do relatório.
- China: compras e sinais de demanda chinesa podem oferecer sustentação adicional aos preços.
- Prêmios de exportação: referências firmes nos portos ajudam a compensar parte da pressão exercida pelo câmbio e pela Bolsa de Chicago.
- Custos logísticos: fretes elevados, especialmente com o diesel mais caro, continuam afetando as margens de comercialização.
Soja hoje: mercado aguarda novo direcionamento
O mercado brasileiro de soja começa esta terça-feira com sinais mistos e menor liquidez, enquanto os agentes aguardam o relatório do USDA.
Embora algumas praças tenham registrado altas no início da semana e os prêmios permaneçam firmes, a combinação de dólar mais fraco, oscilações em Chicago e incerteza sobre as novas estimativas da safra norte-americana recomenda cautela.
A divulgação do relatório nesta quarta-feira poderá ser o principal gatilho para uma nova rodada de ajustes nos preços da soja, tanto na Bolsa de Chicago quanto no mercado brasileiro.
Fonte: Portal do Agronegócio
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