Trigo: importações avançam com oferta restrita e mercado segue lento no Sul
Preço do trigo importado, especialmente da Argentina, ganha competitividade diante das cotações brasileiras, enquanto moinhos mantêm cobertura e negócios com a nova safra avançam lentamente
Publicado em: 11/08/2026 às 11:50hs
O mercado brasileiro de trigo atravessa um período de baixa liquidez, oferta restrita no mercado spot e forte concorrência do produto importado. Em julho, as importações brasileiras de trigo avançaram e registraram o maior volume mensal de 2026 até agora, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).
O movimento ocorre em um cenário de disponibilidade limitada de trigo nacional, principalmente de lotes com qualidade superior, acima de PH 78, e de preços mais competitivos no mercado internacional. O produto argentino se destaca nesse contexto e aumenta a pressão sobre os vendedores brasileiros.
Trigo importado ganha competitividade no mercado brasileiro
Segundo o Cepea, o preço médio nominal do trigo no Rio Grande do Sul permaneceu acima da média praticada pelo cereal importado. Com essa diferença, vendedores nacionais passaram a ajustar suas ofertas na tentativa de recuperar competitividade diante do produto estrangeiro.
A situação é especialmente relevante para os moinhos, que encontram no trigo importado uma alternativa de abastecimento em um momento de oferta mais restrita no mercado spot.
Apesar do avanço registrado em julho, o volume acumulado de importações nos últimos 12 meses ainda permanece abaixo do observado no mesmo período anterior.
No acumulado de janeiro a julho de 2026, as compras externas também estão abaixo das registradas nos primeiros sete meses de 2025. O volume acumulado no ano é, inclusive, o menor para o período dos últimos três anos.
Mercado de trigo segue lento no Sul
No mercado doméstico, as negociações continuam ocorrendo de forma pontual, com margens apertadas para os moinhos, cobertura relativamente alongada e cautela em relação à nova safra.
No Rio Grande do Sul, o mercado apresentou alguma reação nas indicações de compra. Para trigo não segregado, as referências estão próximas de R$ 1.300 por tonelada para embarque em agosto e R$ 1.320 por tonelada para setembro. Lotes segregados apresentam valores superiores.
A cobertura dos moinhos avançou até aproximadamente 20 de setembro, reduzindo a necessidade de novas compras imediatas. A moagem permanece mais fraca, enquanto a diferença entre os preços do trigo e das farinhas continua pressionando as margens da indústria.
Entre os derivados, o farelo de trigo aparece como o produto com melhor remuneração no momento.
A oferta importada também ganha espaço. Um navio com aproximadamente 31 mil toneladas de trigo argentino está previsto para chegar ao estado nos próximos dias.
Para a nova safra gaúcha, os negócios continuam limitados, com cerca de 60 mil toneladas comercializadas. Em Panambi, o preço ao produtor recuou para aproximadamente R$ 69 por saca.
Diante desse cenário, o mercado recomenda cautela com vendas antecipadas de trigo físico, principalmente diante dos riscos relacionados à entrega e à formação de preços para a próxima temporada.
Santa Catarina mantém moinhos abastecidos
Em Santa Catarina, os moinhos permanecem relativamente abastecidos e recorrem eventualmente ao trigo produzido no Rio Grande do Sul para complementar suas necessidades.
As referências para trigo pão estão entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada, enquanto o plantio da nova safra ainda está em fase inicial.
No mercado de balcão, as cotações variam entre R$ 64 e R$ 75 por saca, dependendo da região, qualidade e condições de negociação.
A combinação de estoques disponíveis e demanda mais cautelosa limita a aceleração dos negócios no curto prazo.
Paraná concentra atenção na nova safra
No Paraná, o mercado começa a direcionar as atenções para a produção da nova temporada. Nos Campos Gerais, a referência está próxima de R$ 1.450 por tonelada CIF moinho, enquanto compradores indicam valores entre R$ 1.530 e R$ 1.550 por tonelada CIF.
Para o trigo futuro, as indicações variam entre R$ 1.400 e R$ 1.500 por tonelada CIF.
O produto argentino também permanece competitivo. O trigo importado e nacionalizado aparece na faixa de US$ 310 por tonelada, enquanto um navio com aproximadamente 15 mil toneladas está previsto para desembarcar em Paranaguá.
Para 2027, as projeções apontam que o Paraná poderá precisar importar entre 1,5 milhão e 1,6 milhão de toneladas de trigo, reforçando a importância do mercado internacional para o abastecimento estadual.
Importações e nova safra serão decisivas para os preços
O cenário do trigo brasileiro combina, portanto, dois movimentos importantes: de um lado, a oferta restrita de lotes de maior qualidade mantém o mercado doméstico sustentado em algumas regiões; de outro, a competitividade do trigo importado limita a capacidade de alta dos preços nacionais.
A chegada de novos carregamentos, principalmente da Argentina, tende a ampliar as alternativas de abastecimento dos moinhos e pode aumentar a pressão sobre os vendedores brasileiros.
Ao mesmo tempo, a evolução do plantio e da nova safra nos estados do Sul será determinante para a formação das expectativas de oferta nos próximos meses.
Com negociações lentas, moinhos relativamente abastecidos e importações ganhando competitividade, o mercado de trigo no Brasil permanece atento à relação entre preços domésticos e internacionais, ao câmbio e ao ritmo de entrada do cereal estrangeiro.
Mercado de trigo em resumo
- Importações: julho registrou o maior volume mensal de 2026 até o momento.
- Trigo argentino: ganha competitividade diante dos preços do cereal nacional.
- Rio Grande do Sul: mercado lento, com cobertura dos moinhos até aproximadamente 20 de setembro.
- Santa Catarina: moinhos abastecidos e preços do trigo pão entre R$ 1.350 e R$ 1.400/t.
- Paraná: mercado concentrado na nova safra e com chegada de trigo argentino em Paranaguá.
- Nova safra: negócios ainda restritos no Sul.
- 2027: Paraná poderá demandar entre 1,5 milhão e 1,6 milhão de toneladas de trigo importado.
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Fonte: Portal do Agronegócio
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