Dólar opera próximo da estabilidade com foco no Oriente Médio, juros e petróleo; mercado monitora Selic, Fed e Ibovespa
Moeda norte-americana oscila na abertura dos negócios enquanto investidores acompanham os desdobramentos da crise no Oriente Médio, as expectativas para os juros no Brasil e nos Estados Unidos e o comportamento do petróleo, fatores que seguem determinando o rumo dos ativos financeiros
Publicado em: 03/08/2026 às 11:00hs
O dólar iniciou a sessão desta segunda-feira (3) operando próximo da estabilidade frente ao real, refletindo um cenário de cautela nos mercados globais. As atenções permanecem concentradas nas tensões geopolíticas envolvendo Estados Unidos e Irã, nas perspectivas para a política monetária brasileira e norte-americana e na evolução dos preços internacionais do petróleo.
Na abertura dos negócios, a moeda norte-americana apresentou leves oscilações em torno de R$ 5,06, após encerrar julho acumulando queda de 1,81%. No acumulado de 2026, o dólar registra desvalorização superior a 7% frente ao real, movimento sustentado pela entrada de capital estrangeiro, expectativa de redução gradual da Selic e maior apetite global por ativos de risco.
Oriente Médio continua ditando o humor dos mercados
O principal fator de curto prazo segue sendo o conflito no Oriente Médio.
Durante o fim de semana, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou o adiamento de uma nova ofensiva militar contra o Irã e informou que países da região solicitaram mais tempo para negociar um acordo relacionado à reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passa cerca de 20% do petróleo comercializado mundialmente.
Apesar de o governo iraniano negar a existência de negociações formais com Washington, o mercado mantém expectativa de avanços diplomáticos, reduzindo momentaneamente a percepção de risco internacional.
Como consequência, os preços do petróleo recuaram nas primeiras negociações do dia, enquanto bolsas europeias operaram em alta e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries) apresentaram queda, sinalizando maior procura por ativos considerados seguros.
Dólar perde força frente a moedas emergentes
No mercado internacional, o dólar também mostrou desempenho mais fraco frente a diversas moedas de países emergentes, incluindo peso chileno, peso mexicano e rand sul-africano.
No Brasil, entretanto, o movimento permanece limitado pela expectativa dos investidores em relação às próximas decisões de política monetária tanto do Banco Central brasileiro quanto do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos continua sendo um dos principais fatores de sustentação do real, embora o mercado já projete novos cortes na Selic ao longo dos próximos meses.
Focus reforça expectativa de queda da Selic
O Boletim Focus divulgado pelo Banco Central manteve praticamente estáveis as projeções para o câmbio no médio prazo.
As estimativas apontam dólar em torno de R$ 5,20 no encerramento de 2026 e próximo de R$ 5,28 ao final de 2027.
Já para a taxa Selic, os economistas passaram a projetar novos cortes até o fim deste ano, com expectativa de encerramento de 2026 em 13,75%, abaixo da taxa atual de 14,25% ao ano.
Esse cenário tende a reduzir parcialmente o diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos, fator que pode limitar uma valorização mais intensa do real nos próximos meses.
Ibovespa mantém desempenho positivo em 2026
Enquanto o câmbio permanece sensível ao cenário internacional, a Bolsa brasileira continua acumulando ganhos consistentes.
Após avançar 3,45% em julho, o Ibovespa registra valorização superior a 10% no acumulado de 2026, impulsionado pela expectativa de redução dos juros domésticos, fluxo de investidores estrangeiros e recuperação dos lucros corporativos.
A abertura desta semana também é marcada pela expectativa dos investidores em relação aos próximos indicadores econômicos e às sinalizações dos principais bancos centrais sobre os rumos da política monetária global.
Mercado financeiro segue altamente dependente do cenário externo
Analistas avaliam que o comportamento do dólar continuará condicionado principalmente à evolução das negociações envolvendo o Oriente Médio, às oscilações do petróleo e às decisões sobre juros no Brasil e nos Estados Unidos.
Caso haja avanço nas tratativas diplomáticas e redução das tensões geopolíticas, a tendência é de menor pressão sobre o petróleo e maior entrada de recursos em mercados emergentes, favorecendo moedas como o real. Por outro lado, uma nova escalada do conflito poderá aumentar a aversão ao risco e fortalecer novamente o dólar em âmbito global.
Fonte: Portal do Agronegócio
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