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Gestão

Inadimplência no agro avança em 2026 e reforça debate sobre análise de crédito rural

Atrasos nas carteiras do Banco do Brasil e da Caixa ampliam a atenção ao risco; dados de fluxo financeiro podem ajudar a avaliar a capacidade de pagamento ao longo do ciclo produtivo


Publicado em: 29/09/2026 às 12:30hs

Inadimplência no agro avança em 2026 e reforça debate sobre análise de crédito rural

A inadimplência no agronegócio aumentou em 2026 e passou a exigir uma leitura mais detalhada da capacidade de pagamento de produtores e empresas. No Banco do Brasil, a parcela das operações do agro com atraso superior a 90 dias chegou a 6,27% no segundo trimestre, ante 3,16% um ano antes. Na Caixa, o índice da carteira do agronegócio alcançou 20,74% em junho, frente a 7,02% no mesmo mês de 2025.

Os percentuais se referem às carteiras de cada banco e mostram a pressão sobre o crédito rural. Na Caixa, a carteira do agronegócio somava R$ 62,3 bilhões ao fim do segundo trimestre, segundo os resultados divulgados pela instituição. caixanoticias.caixa.gov.br

Renegociação de dívidas entra no radar dos bancos

Parte da atenção do setor está voltada à Medida Provisória nº 1.376/2026, que autoriza a criação de linhas de crédito para composição de dívidas rurais e de Cédulas de Produto Rural, conforme as condições previstas na medida. Planalto

Na carteira rural do Banco do Brasil, a estimativa apresentada no material é de que até R$ 100 bilhões em operações possam se enquadrar na reestruturação. Desse total, R$ 36,7 bilhões correspondem a operações inadimplentes e R$ 63,5 bilhões a dívidas ainda adimplentes, mas já renegociadas ou prorrogadas. O possível enquadramento não significa que todo esse valor será efetivamente renegociado.

Fluxo de caixa pode complementar a avaliação do crédito

O aumento dos atrasos também reacende a discussão sobre como medir o risco financeiro no campo. Para a PilotIn, empresa de inteligência de dados, informações sobre entradas e saídas de recursos podem complementar o histórico de crédito, as garantias e as demonstrações financeiras usados pelas instituições.

Essa leitura é relevante no agronegócio porque receitas e despesas se concentram em etapas diferentes do ano. Compra de insumos, plantio, colheita e comercialização alteram a necessidade de caixa, enquanto condições climáticas e oscilações de preços podem mudar o momento ou o volume dos recebimentos.

“Ao observar o fluxo financeiro, é possível complementar a visão tradicional com informações que ajudam a entender como os recursos entram e saem da operação e qual é a capacidade efetiva de honrar compromissos”, afirma Ingrid Barth, fundadora e CEO da PilotIn.

Segundo a empresa, acompanhar a movimentação ao longo do tempo ajuda a identificar períodos de maior pressão sobre o caixa e de concentração de receitas que uma análise feita em um único momento pode deixar de mostrar. Os dados de transações acrescentam contexto à avaliação, mas precisam ser considerados junto às demais informações da operação.

Para produtores e empresas da cadeia agropecuária, o desafio é fazer com que prazos e condições de crédito reflitam o ciclo da atividade. Para quem concede o financiamento, uma visão mais completa do fluxo financeiro pode ajudar a identificar riscos e avaliar a capacidade de pagamento antes e durante a vigência do contrato.

Fonte: Portal do Agronegócio

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