Trigo de qualidade fica mais escasso no Sul e clima pressiona preços da safra 2026
Estoques da safra velha se aproximam do fim, enquanto doenças e excesso de umidade levantam dúvidas sobre a qualidade dos primeiros lotes colhidos
Publicado em: 29/09/2026 às 11:50hs
A oferta restrita de trigo da safra velha e as incertezas sobre a qualidade da produção de 2026 mantêm o mercado brasileiro em alerta. Segundo pesquisadores do Cepea, as condições climáticas desfavoráveis podem afetar tanto a produtividade quanto as características do cereal destinado aos moinhos. Se a disponibilidade de trigo adequado à demanda interna diminuir, a necessidade de importações poderá crescer.
No Sul do país, a TF Agroeconômica relata preços firmes para os estoques remanescentes e negociações cautelosas da safra nova. Os primeiros lotes colhidos em algumas regiões apresentam problemas de qualidade, enquanto produtores aguardam maior clareza sobre a produção antes de ampliar as vendas.
Trigo velho chega ao fim no Rio Grande do Sul
No Rio Grande do Sul, a procura pelo trigo da safra anterior continua, mas os estoques estão próximos do fim. Negócios foram registrados entre R$ 1.500 e R$ 1.530 por tonelada, enquanto vendedores passaram a pedir de R$ 1.550 a R$ 1.600 por tonelada.
Para a safra nova, compradores indicam preços entre R$ 1.350 e R$ 1.400 por tonelada no interior do estado. A distância entre as indicações e a postura retraída dos produtores limita os negócios. De acordo com a TF Agroeconômica, os primeiros lotes apresentam ocorrência de giberela e outras doenças fúngicas, com peso hectolítrico (PH) entre 70 e 76. Em Panambi, o preço de balcão subiu R$ 2, para R$ 74 por saca.
Moinhos de Santa Catarina aguardam novas ofertas
Em Santa Catarina, os moinhos estão abastecidos e priorizam o recebimento de compras já realizadas. Houve negócios pontuais a R$ 1.520 por tonelada FOB, enquanto vendedores evitam novas ofertas diante das chuvas e da expectativa de valorização.
A indústria catarinense busca trigo gaúcho entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada, antes do frete. Com o transporte, o custo se aproxima de R$ 1.750 por tonelada CIF. Nas regiões acompanhadas, os preços de balcão variam de R$ 71,50 a R$ 79 por saca.
Qualidade da safra nova preocupa no Paraná
No Paraná, a falta de estoques praticamente interrompeu os negócios com trigo velho. Já os lotes recentes da safra nova apresentam qualidade variável, com registros de PH e falling number mais baixos em algumas áreas. Diante desse quadro, moinhos passaram a aplicar tabelas de descontos, e as ofertas de trigo tipo 1 ficaram escassas.
As indicações de preço CIF vão de R$ 1.550 por tonelada para entrega em setembro a R$ 1.450 para novembro. Entre as alternativas importadas citadas pela TF Agroeconômica, o trigo paraguaio chegou a US$ 320 por tonelada nos Campos Gerais, enquanto o argentino com 11,5% de proteína foi indicado a US$ 325 por tonelada em Paranaguá.
Para o Cepea, a evolução da colheita será decisiva para dimensionar a oferta nacional de trigo com a qualidade exigida pelos compradores. Uma disponibilidade menor desse produto, combinada à valorização do cereal no mercado externo, pode sustentar os preços domésticos e ampliar a atenção às compras internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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