Dólar opera perto de R$ 5,14 com política fiscal, eleições e leilões do Banco Central no radar
Mercado financeiro brasileiro acompanha pesquisa Datafolha, reajuste do Bolsa Família e atuação extraordinária do BC, enquanto juros nos Estados Unidos e queda do petróleo influenciam o cenário externo
Publicado em: 18/09/2026 às 11:05hs
O dólar opera próximo da estabilidade nesta sexta-feira (18), negociado na faixa de R$ 5,13 a R$ 5,14, com investidores atentos ao cenário político e fiscal brasileiro, às decisões recentes de juros e aos leilões cambiais anunciados pelo Banco Central.
No início da sessão, às 9h17, a moeda norte-americana recuava 0,09% no mercado à vista, cotada a R$ 5,1345 na venda. Em atualização posterior durante a manhã, o dólar rondava R$ 5,14, refletindo ajustes nas posições dos investidores antes das operações do BC. UOL Economia
Na B3, o contrato futuro de dólar para outubro, atualmente o mais negociado, avançava 0,16%, aos R$ 5,148. A diferença entre os mercados à vista e futuro indicava cautela diante dos fatores domésticos e da valorização da moeda dos Estados Unidos no exterior.
Banco Central anuncia oferta de US$ 1 bilhão
A principal influência sobre o câmbio nesta sexta-feira é a atuação extraordinária do Banco Central. A autoridade monetária programou dois leilões de linha simultâneos, com venda de dólares acompanhada de compromisso de recompra, no valor total de até US$ 1 bilhão.
As operações têm como objetivo fornecer liquidez ao mercado à vista, especialmente em períodos de maior demanda por moeda estrangeira. A medida havia sido anunciada na noite de quinta-feira (17). Money Times
Além dos leilões de linha, o BC realiza uma operação regular de rolagem de swap cambial, com oferta de 50 mil contratos com vencimento em 1º de outubro. O instrumento equivale à disponibilização de proteção contra a variação do dólar, sem envolver a entrega física da moeda norte-americana.
A combinação das operações tende a reduzir eventuais pressões provocadas pela necessidade de dólares no mercado doméstico, embora o comportamento da cotação também dependa do ambiente político, fiscal e internacional.
Pesquisa eleitoral e cenário fiscal influenciam o dólar
No cenário interno, os investidores avaliam os resultados da nova pesquisa Datafolha e seus possíveis reflexos sobre a corrida presidencial. A proximidade das eleições aumenta a sensibilidade dos ativos brasileiros às pesquisas de intenção de voto e às propostas econômicas dos candidatos.
Também permanece no radar o reajuste do Bolsa Família, anunciado pelo governo federal na quinta-feira. A elevação do benefício gerou questionamentos entre agentes financeiros sobre seus impactos nas despesas públicas e no cumprimento das metas fiscais.
O mercado busca avaliar se o aumento terá compensação orçamentária e quais poderão ser seus efeitos sobre a trajetória da dívida pública. Percepções de maior risco fiscal costumam pressionar os juros futuros e estimular a procura por dólares como proteção.
Selic e juros dos Estados Unidos mexem com o câmbio
As decisões recentes dos bancos centrais brasileiro e norte-americano também seguem influenciando os negócios. No Brasil, o Comitê de Política Monetária reduziu a taxa Selic para 13,75% ao ano.
Nos Estados Unidos, o Federal Reserve elevou os juros em 0,25 ponto percentual, levando a taxa para a faixa de 3,75% a 4% ao ano. O banco central norte-americano ainda sinalizou a possibilidade de novos aumentos, reforçando a atratividade dos títulos emitidos pelo país.
A elevação dos juros nos Estados Unidos pode direcionar recursos para ativos denominados em dólar e pressionar moedas de países emergentes. Por outro lado, a Selic ainda elevada mantém o Brasil atrativo para estratégias baseadas no diferencial de juros.
No exterior, o índice que acompanha o desempenho do dólar diante de uma cesta de moedas fortes registrava valorização, sustentado pela postura mais restritiva do Federal Reserve. Reuters
Petróleo recua e adiciona cautela ao mercado
A queda dos preços internacionais do petróleo também entra nos cálculos dos investidores. O movimento ocorre após a redução das preocupações relacionadas à oferta da commodity e às tensões no Oriente Médio.
A desvalorização do petróleo pode pressionar empresas do setor e ações de grande peso no Ibovespa, especialmente a Petrobras. Ao mesmo tempo, preços menores da energia tendem a aliviar parte das preocupações com a inflação internacional.
O comportamento da commodity tem impacto adicional sobre a balança comercial brasileira, uma vez que o petróleo está entre os principais produtos da pauta de exportações do país.
Ibovespa parte dos 185,9 mil pontos
O Ibovespa encerrou a sessão de quinta-feira com valorização próxima de 0,24%, aos 185.992 pontos. O avanço foi sustentado principalmente pelas ações da Vale, enquanto o mercado absorveu as decisões de política monetária no Brasil e nos Estados Unidos.
Na abertura desta sexta-feira, a Bolsa brasileira apresentou volatilidade, acompanhando os ajustes nos juros futuros, a cautela fiscal e o desempenho misto dos mercados internacionais.
O cenário externo combina bolsas europeias em queda, futuros de Wall Street com viés positivo e mercados asiáticos influenciados pela decisão do Banco do Japão de elevar sua taxa básica para 1,25% ao ano, maior nível em 31 anos.
Dólar acumula queda no mês e no ano
Apesar da oscilação desta sexta-feira, o dólar mantém desempenho negativo nos horizontes mensal e anual. Até o fechamento anterior, a moeda apresentava os seguintes resultados:
- alta de 0,27% na semana;
- queda de 0,79% em setembro;
- recuo de 6,38% em 2026.
Na quinta-feira, o dólar à vista fechou em baixa de aproximadamente 0,25%, cotado perto de R$ 5,14. A trajetória da moeda ao longo desta sexta-feira deverá continuar condicionada aos leilões do Banco Central, às notícias fiscais e eleitorais e ao comportamento do dólar no exterior.
Fonte: Portal do Agronegócio
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