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Setor Sucroalcooleiro

Açúcar despenca 3% em Nova York, mas cristal acumula alta de 5,13% no Brasil

Liquidação de posições compradas, valorização do dólar e queda do petróleo pressionam contratos internacionais, enquanto oferta limitada sustenta os preços no mercado paulista


Publicado em: 18/09/2026 às 11:40hs

Açúcar despenca 3% em Nova York, mas cristal acumula alta de 5,13% no Brasil

O mercado do açúcar apresentou movimentos opostos nesta quinta-feira (17). Os contratos futuros registraram forte queda nas bolsas de Nova York e Londres, pressionados pela liquidação de posições compradas, pela fraqueza do petróleo e pela valorização internacional do dólar. No Brasil, entretanto, o açúcar cristal branco manteve a trajetória de alta e alcançou R$ 119,58 por saca de 50 quilos.

O Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ – São Paulo avançou 0,25% no dia e passou a acumular valorização de 5,13% em setembro. Em moeda norte-americana, a referência ficou em US$ 23,26 por saca.

A divergência mostra que o mercado físico brasileiro continua influenciado pela disponibilidade restrita de produto e pelas decisões das usinas sobre a destinação da cana-de-açúcar, enquanto as bolsas externas reagem com maior intensidade aos movimentos financeiros e ao cenário energético.

Açúcar bruto cai mais de 3% em Nova York

Na ICE Futures U.S., o contrato outubro de 2026 encerrou a sessão cotado a 17,42 centavos de dólar por libra-peso, queda de 0,55 centavo, equivalente a 3,06%.

Março de 2027 recuou 0,57 centavo, ou 3%, fechando a 18,32 centavos por libra-peso. Maio de 2027 perdeu 0,46 centavo e terminou a 17,76 centavos, enquanto julho de 2027 caiu 0,42 centavo, para 17,51 centavos por libra-peso.

As demais posições também fecharam no campo negativo, interrompendo o movimento de valorização observado em sessões anteriores.

A queda ganhou intensidade diante do elevado volume de posições compradas mantidas pelos fundos de commodities. Em momentos de realização de lucros ou aumento da percepção de risco, essa concentração pode acelerar as vendas e ampliar as oscilações dos preços futuros.

Fundos ampliaram apostas de alta para maior nível em quase três anos

O relatório semanal Commitment of Traders (COT) mostrou que os fundos elevaram suas posições líquidas compradas em açúcar bruto em 28.055 contratos na semana encerrada em 8 de setembro.

Com o movimento, a posição comprada líquida chegou a 160.551 contratos, o maior nível em quase três anos.

Esse posicionamento indica que uma parcela expressiva dos investidores apostava na valorização da commodity. Quando o mercado perdeu sustentação, a saída simultânea de posições intensificou a pressão vendedora.

A realização de lucros foi acompanhada pela valorização do índice do dólar, que torna as commodities negociadas na moeda norte-americana mais caras para compradores que utilizam outras divisas.

Petróleo mais barato reduz apoio ao açúcar

A queda das cotações do petróleo também pressionou o mercado açucareiro. O combustível fóssil mais barato reduz a competitividade relativa do etanol e pode favorecer uma maior destinação de cana para a fabricação de açúcar no Brasil e na Índia.

Essa relação é acompanhada de perto pelos investidores porque açúcar e etanol disputam a mesma matéria-prima em importantes países produtores. Quando o biocombustível se torna menos atrativo, aumenta a expectativa de que as usinas possam ampliar o mix açucareiro.

A perspectiva de maior oferta exerce pressão sobre os contratos futuros, mesmo quando a disponibilidade imediata permanece limitada em determinados mercados físicos.

Açúcar branco recua mais de US$ 15 em Londres

As perdas foram ainda mais expressivas na Bolsa de Londres. O contrato dezembro de 2026 caiu US$ 15,40 e encerrou o pregão a US$ 508,60 por tonelada.

Março de 2027 recuou US$ 14,40, para US$ 515,10 por tonelada, enquanto maio de 2027 perdeu US$ 13,80 e fechou a US$ 517,10.

Agosto de 2027 registrou baixa de US$ 12,40, cotado a US$ 513,20 por tonelada. Outubro do mesmo ano caiu US$ 11,10 e terminou a US$ 508,70. Os demais vencimentos também acompanharam o movimento negativo.

Açúcar cristal mantém valorização em São Paulo

Enquanto as bolsas internacionais recuaram, o mercado físico paulista registrou nova alta. A saca de 50 quilos do açúcar cristal branco foi cotada a R$ 119,58, segundo o indicador do Cepea.

A valorização de 5,13% acumulada em setembro reforça a sustentação dos preços internos. Entre os fatores monitorados estão a oferta disponível para pronta entrega, o ritmo de comercialização das usinas e a divisão da cana entre açúcar e etanol.

A menor disponibilidade do cristal para negociação no mercado spot pode manter os preços firmes mesmo diante da queda dos contratos internacionais. Essa diferença também evidencia que os movimentos das bolsas não são automaticamente transferidos para o mercado físico brasileiro.

Etanol permanece estável, mas sobe 10,38% no mês

No mercado paulista de etanol, o Indicador Diário de Paulínia permaneceu estável em R$ 2.727 por metro cúbico.

Apesar da estabilidade na quinta-feira, o hidratado acumula alta de 10,38% em setembro. A valorização mantém o biocombustível competitivo na disputa pela matéria-prima dentro das usinas.

O comportamento do etanol será importante para definir o mix de produção do setor sucroenergético. Caso seus preços continuem firmes, as unidades produtoras poderão preservar uma destinação maior de cana ao biocombustível, limitando o crescimento da oferta de açúcar.

Oferta mundial e clima mantêm mercado volátil

Além dos fatores financeiros, os investidores acompanham as perspectivas para a produção mundial de açúcar na safra 2026/27. As diferentes estimativas disponíveis aumentam as incertezas sobre o equilíbrio entre oferta e demanda.

As condições climáticas nas principais regiões produtoras também permanecem no radar. Alterações no regime de chuvas ou nas temperaturas podem afetar a produtividade dos canaviais e modificar as projeções de disponibilidade da commodity.

No curto prazo, o mercado tende a continuar dividido. Nas bolsas, o elevado posicionamento dos fundos, o comportamento do petróleo e a oscilação do dólar podem manter a volatilidade. No Brasil, oferta física, demanda e rentabilidade relativa do etanol seguem como os principais fatores de sustentação do açúcar cristal.

Fonte: Portal do Agronegócio

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