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Aveia, Trigo e Cevada

Mercado do trigo tem poucos negócios e risco de perda de qualidade aumenta no Sul

Diferença entre preços pedidos e oferecidos limita a comercialização, enquanto chuva, geada, granizo e doenças preocupam produtores no Rio Grande do Sul e no Paraná


Publicado em: 18/09/2026 às 11:50hs

Mercado do trigo tem poucos negócios e risco de perda de qualidade aumenta no Sul

O mercado de trigo permanece com baixa liquidez no Sul do Brasil, marcado pela distância entre as ofertas dos compradores e os preços pedidos pelos vendedores. Ao mesmo tempo, os agentes acompanham os possíveis impactos das chuvas, geadas, granizo e doenças sobre a qualidade da nova safra.

Segundo levantamento da TF Agroeconômica, os moinhos operam de forma cautelosa e priorizam aquisições pontuais. Os produtores, por sua vez, resistem aos valores oferecidos, especialmente diante das incertezas relacionadas à qualidade e à disponibilidade do cereal nos próximos meses.

No Rio Grande do Sul, o enfraquecimento das referências para exportação diminui a competitividade dos embarques. Em Santa Catarina, os moinhos estão abastecidos, enquanto, no Paraná, compradores reduzem as indicações para entregas mais distantes.

Preço do trigo chega a R$ 1.600 por tonelada no Rio Grande do Sul

No mercado gaúcho, os moinhos interessados em novas compras indicam aproximadamente R$ 1.400 por tonelada FOB. Os vendedores, no entanto, pedem cerca de R$ 1.500, com referências de até R$ 1.600 na região de Vacaria.

Algumas negociações foram registradas a R$ 1.450 por tonelada FOB, valor intermediário entre as propostas das duas partes. A diferença entre as referências continua limitando o fechamento de novos contratos.

Para exportação, as ofertas estão próximas de R$ 1.270 por tonelada, com entrega em dezembro e produto colocado no porto. O nível é considerado pouco atrativo pelos vendedores.

A cobertura baseada na Bolsa de Chicago recuou de R$ 1.374,81 para R$ 1.367,75 por tonelada. Em Panambi, o preço de balcão avançou para R$ 72 por saca.

Geada e granizo provocam danos pontuais nas lavouras gaúchas

As condições ambientais favoreceram o desenvolvimento do trigo em grande parte do Rio Grande do Sul. As lavouras mais precoces avançam para as etapas finais do ciclo, enquanto as áreas implantadas posteriormente permanecem nas fases vegetativa e reprodutiva.

Do total cultivado, 44% das lavouras estão em enchimento de grãos e 5% chegaram à maturação. Os plantios mais tardios encontram-se principalmente entre desenvolvimento vegetativo, espigamento e floração.

Apesar da evolução geral, episódios de geada e granizo provocaram danos localizados. Também foram identificadas ocorrências de oídio, manchas foliares, ferrugens e giberela.

A intensidade das perdas dependerá do estágio de desenvolvimento das plantas atingidas e da continuidade das condições favoráveis às doenças.

Moinhos abastecidos reduzem negócios em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a comercialização permanece restrita porque os moinhos estão abastecidos e demonstram pouca necessidade de ampliar as compras no curto prazo.

Os negócios pontuais ocorrem próximos de R$ 1.520 por tonelada FOB. Os vendedores também apresentam baixa disposição para negociar, sustentados pela expectativa de valorização futura.

Esse comportamento reduz a liquidez e mantém o mercado sem uma referência única. A retomada das negociações dependerá das necessidades dos compradores e da confirmação da qualidade da nova safra.

Chuvas reduzem qualidade do trigo no Paraná

No Paraná, a diferença entre compradores e vendedores também dificulta a comercialização. Os compradores oferecem R$ 1.500 por tonelada para o trigo tipo 1 com entrega em setembro.

Para outubro, as indicações recuam para R$ 1.450 por tonelada. Nas operações com entrega em novembro, as ofertas caem para aproximadamente R$ 1.400.

Do lado vendedor, as referências variam de R$ 1.550 a R$ 1.600 por tonelada FOB. A distância entre as propostas mantém os negócios em ritmo lento.

Além das divergências de preço, a qualidade do trigo paranaense passou a preocupar os agentes. As chuvas já provocaram perdas em algumas áreas, com relatos de redução do peso hectolitro (PH) e do falling number, indicadores importantes para a classificação e a utilização industrial do cereal.

Também foram observadas ocorrências de brusone e giberela, doenças capazes de comprometer o rendimento, a qualidade dos grãos e a destinação da produção.

Qualidade deve definir preços e ritmo das negociações

A evolução da colheita deverá tornar mais claras a oferta e a qualidade efetivamente disponíveis no mercado. Lotes com melhor PH, desempenho industrial e condições sanitárias adequadas podem receber maior valorização caso os danos climáticos reduzam a quantidade de trigo de padrão superior.

Para os produtores, a decisão de venda envolve comparar os custos de armazenagem e as necessidades de caixa com a possibilidade de preços mais firmes. Para os moinhos, o desafio será assegurar matéria-prima com qualidade suficiente sem elevar excessivamente os custos de aquisição.

Nas próximas semanas, o comportamento do clima, o avanço da colheita, a incidência de doenças e as referências de importação e exportação serão os principais fatores para a formação dos preços do trigo no Sul do Brasil.

Fonte: Portal do Agronegócio

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