Soja cai em Chicago e baixa liquidez trava negócios no Brasil à espera de preços maiores
Realização de lucros e queda do farelo pressionam contratos, enquanto produtores seguram lotes, portos sustentam cotações e mercado aguarda encontro entre Trump e Xi Jinping
Publicado em: 18/09/2026 às 11:30hs
O mercado da soja encerra a semana sob pressão externa e com baixa liquidez no Brasil. Nesta sexta-feira (18), os contratos futuros recuam na Bolsa de Chicago diante da realização de lucros e das perdas do farelo, enquanto produtores brasileiros permanecem cautelosos e limitam a oferta à espera de preços mais elevados nos portos.
O encontro entre os presidentes dos Estados Unidos, Donald Trump, e da China, Xi Jinping, previsto para a próxima semana em Washington, concentra as atenções. A agricultura deverá integrar as negociações, com o mercado buscando sinais sobre novas compras chinesas de soja e outros produtos norte-americanos.
No Brasil, dólar próximo da estabilidade e prêmios firmes ajudam a reduzir parte do impacto negativo de Chicago. Mesmo assim, os negócios seguem pontuais e concentrados principalmente nos corredores de exportação.
Soja perde mais de 11 pontos em Chicago
Os futuros da soja operavam com perdas superiores a 11 pontos nos contratos mais negociados durante a manhã. O vencimento novembro de 2026 oscilou entre US$ 13,07 e US$ 13,08¾ por bushel, com recuo próximo de 0,83%.
O movimento representa um ajuste após as altas recentes e uma semana marcada por forte volatilidade. A pressão também vem dos derivados, principalmente do farelo de soja, que recuava mais de 1% e contribuía para ampliar as perdas do grão.
Milho e trigo avançavam na direção oposta, reforçando o caráter específico da pressão sobre o complexo soja.
Encontro entre Estados Unidos e China entra no radar
A expectativa em torno da reunião entre Trump e Xi Jinping aumenta a sensibilidade das cotações a declarações dos dois governos.
A soja deverá ocupar espaço na agenda agrícola, embora faça parte de uma negociação comercial mais ampla. Segundo informações atribuídas à Casa Branca, a China caminha para cumprir o compromisso de comprar anualmente 25 milhões de toneladas de soja norte-americana até 2028, acertado no encontro de Busan. Pequim, entretanto, não reconheceu publicamente o acordo nos mesmos termos divulgados por Washington.
Autoridades norte-americanas também indicaram a possibilidade de iniciativas para ampliar as vendas de milho e sorgo à China.
Apesar das perdas em Chicago, a demanda chinesa continua sendo um dos principais fatores de sustentação do mercado. O resultado da reunião poderá influenciar as expectativas para as exportações dos Estados Unidos e o comportamento dos contratos na próxima semana.
Sinograin retoma leilões de soja importada
Outro ponto acompanhado pelos investidores é a retomada dos leilões promovidos pela Sinograin, estatal responsável pelos estoques estratégicos da China.
Após uma pausa de aproximadamente um mês, a empresa programou para terça-feira a oferta de 543 mil toneladas de soja importada, produzidas entre 2023 e 2025, segundo comunicado do Centro Nacional de Comércio de Grãos.
O movimento amplia a atenção sobre a gestão dos estoques chineses e ocorre às vésperas da reunião entre os líderes dos Estados Unidos e da China.
Mercado brasileiro mantém negociações restritas
Na quinta-feira (17), o mercado físico brasileiro apresentou poucas variações, com negócios concentrados nos portos e sem movimentação expressiva de volumes.
Segundo Rafael Silveira, analista da Safras & Mercado, os prêmios permaneceram praticamente estáveis, enquanto as cotações oscilaram entre estabilidade e pequenas altas.
“O produtor está olhando para um porto que pode chegar a R$ 170 por saca”, afirma Silveira.
A expectativa de referências mais elevadas mantém vendedores afastados e restringe a comercialização dos lotes ainda disponíveis. Nesta sexta-feira, a queda de Chicago tende a aumentar a cautela.
O dólar comercial operava praticamente estável, cotado próximo de R$ 5,14, enquanto o Índice Dólar avançava no exterior. Como a moeda norte-americana permanecia abaixo de R$ 5,15, o câmbio oferecia pouco suporte adicional às cotações domésticas.
Portos concentram negócios de soja
No Rio Grande do Sul, as negociações permanecem concentradas nos corredores de exportação. As referências em Rio Grande variaram entre R$ 162 e R$ 163,50 por saca, conforme o momento da negociação.
No interior gaúcho, Passo Fundo chegou a R$ 154,50, Santa Rosa alcançou R$ 155,50, enquanto Ijuí e Cruz Alta permaneceram próximas de R$ 153 por saca.
Em Santa Catarina, São Francisco do Sul manteve referência de R$ 162. No interior, os valores ficaram em R$ 139,50 em Palma Sola e R$ 140 em Rio do Sul. Compradores ligados à agroindústria adotaram propostas mais competitivas para garantir o abastecimento.
No Paraná, Paranaguá avançou para R$ 163 por saca, enquanto Cascavel atingiu R$ 152. Em Mato Grosso, Rondonópolis permaneceu em R$ 147. Dourados, em Mato Grosso do Sul, também registrou R$ 147, e Rio Verde, em Goiás, ficou em R$ 148 por saca.
Exportações do complexo soja avançam no Paraná
Entre janeiro e agosto, o Paraná exportou 11,67 milhões de toneladas de produtos do complexo soja, crescimento de 4% em relação ao mesmo período de 2025. A receita alcançou US$ 5,2 bilhões, aumento de 13%.
O principal destaque foi o óleo de soja, com embarques de 563,95 mil toneladas. O volume cresceu 48%, enquanto a receita avançou 68%.
O desempenho das exportações contribui para sustentar as referências no porto de Paranaguá, embora a comercialização interna continue limitada pela retenção dos produtores.
Custo da soja sobe 16,69% em Mato Grosso
Em Mato Grosso, além do início do plantio da safra 2026/27, os custos de produção aumentam a preocupação dos agricultores.
O custo total foi estimado em R$ 8.171,41 por hectare, alta de 16,69% em relação ao ciclo anterior. Ao mesmo tempo, o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, conhecido como Lajida, apresenta recuo projetado de 35,05%.
O cenário reforça a necessidade de preservar o caixa e aumenta a seletividade nas vendas. Com margens mais apertadas, os produtores acompanham atentamente Chicago, dólar, prêmios e custos logísticos antes de fechar novos negócios.
Próxima semana pode definir direção do mercado
No curto prazo, a queda em Chicago tende a pressionar as cotações brasileiras, principalmente se o dólar e os prêmios não compensarem as perdas externas.
A resistência dos produtores em vender, porém, limita a oferta e ajuda a sustentar os preços físicos. Nos portos, a expectativa de cotações mais próximas de R$ 170 por saca continua adiando parte das negociações.
O encontro entre Trump e Xi Jinping deverá ser o principal evento da próxima semana. Sinais de novas compras chinesas podem oferecer suporte à soja, enquanto a ausência de avanços comerciais tende a manter o mercado vulnerável a novas correções.
Fonte: Portal do Agronegócio
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