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Mercado Financeiro

Dólar cai para R$ 5,35 e Ibovespa reage após forte turbulência no pós-eleição

Moeda norte-americana recua e Bolsa ensaia recuperação nesta terça-feira; investidores acompanham sinalizações fiscais do governo e decisão de juros dos Estados Unidos


Publicado em: 27/10/2026 às 11:06hs

Dólar cai para R$ 5,35 e Ibovespa reage após forte turbulência no pós-eleição

O dólar recuava e o Ibovespa avançava na manhã desta terça-feira (27), após a forte reação dos mercados brasileiros à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Os investidores ajustavam posições depois da disparada da moeda na véspera e acompanhavam declarações do governo sobre a política fiscal.

Por volta das 10h15, o dólar à vista caía 0,86%, cotado a R$ 5,3543, enquanto o Ibovespa subia 0,43%, aos 177.362 pontos. Às 10h, a moeda havia registrado queda mais intensa, de 1,22%, a R$ 5,3406 na venda.

Na segunda-feira, o índice da Bolsa encerrou em baixa de 13,88%, aos 176.608 pontos, sua maior perda diária desde março de 2020. Conforme o InfoMoney, a sessão foi marcada pelo acionamento do circuit breaker, mecanismo que interrompe temporariamente as negociações diante de uma queda acentuada.

Dólar devolve parte da alta após eleição

A desvalorização do dólar nesta terça-feira representa um ajuste parcial depois do salto observado na primeira sessão após o segundo turno. Na véspera, a moeda encerrou o dia próxima de R$ 5,40, com valorização superior a 8%.

Os dois levantamentos de mercado apresentam pequenas diferenças para o fechamento de segunda-feira: um apontou alta de 8,36%, a R$ 5,4066, enquanto o outro registrou avanço de 8,21%, a R$ 5,4027.

No mercado futuro, o contrato de dólar para novembro apresentava queda de 0,57%, a R$ 5,3475, no registro inicial informado. As referências à vista e futura são negociadas em mercados distintos e podem apresentar variações diferentes.

A reação da segunda-feira refletiu, em parte, o ajuste de investidores que haviam se posicionado para uma vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Também pesaram as preocupações de agentes financeiros com a trajetória das contas públicas.

Ibovespa tenta recuperar parte das perdas

A alta de 0,43% registrada pelo Ibovespa por volta das 10h15 indica uma tentativa inicial de recuperação, depois da queda de 13,88% no pregão anterior. O movimento ainda representava uma parcela limitada das perdas acumuladas na segunda-feira.

No exterior, ativos brasileiros também deram sinais de acomodação antes da abertura de Wall Street. O UOL informou que o fundo EWZ, ligado a ações brasileiras, apresentava leve alta no pré-mercado após perder 19,8% na sessão anterior.

O comportamento dos ativos ao longo do dia dependerá da continuidade dos ajustes de posição e das novas informações sobre a condução econômica.

Fazenda reafirma compromisso com a meta fiscal

Em entrevista a jornalistas na manhã desta terça-feira, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, reafirmou a intenção do governo de buscar o centro da meta fiscal e disse que o tema será tratado com o Congresso Nacional.

Durigan avaliou que a pressão sobre Bolsa, câmbio e juros futuros na segunda-feira refletiu a mudança de posições de agentes que esperavam outro resultado eleitoral. Para o ministro, o início da sessão desta terça-feira já mostrava acomodação das expectativas.

A trajetória da dívida pública, o controle das despesas e as medidas a serem apresentadas pelo governo seguem entre os temas acompanhados pelos investidores.

Banco Central mantém operação de câmbio na agenda

O Banco Central tinha previsto para as 11h30 um leilão regular de rolagem de swap cambial, com oferta de 80 mil contratos para 3 de novembro.

O swap é um instrumento usado pelo BC no mercado de câmbio. A rolagem prevista administra o vencimento de contratos existentes e não deve ser confundida, por si só, com uma nova intervenção extraordinária.

O mercado também acompanhava as manifestações da autoridade monetária após a volatilidade da véspera. Em declaração relatada pela Folha de S.Paulo, o chefe do Departamento de Estatísticas do BC, Fernando Rocha, afirmou que ainda era cedo para estimar os efeitos da oscilação cambial sobre as contas externas.

Fed e petróleo permanecem no radar internacional

No exterior, a atenção está voltada à decisão de juros do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira (28). As expectativas para a política monetária norte-americana influenciam o fluxo internacional de recursos e o desempenho das moedas.

O petróleo também segue em destaque. Com a cotação elevada e o mercado atento às tensões no Oriente Médio, o combustível permanece entre os fatores de preocupação para custos de transporte e inflação.

Câmbio influencia receitas e custos do agronegócio

Para o agronegócio, as oscilações do dólar afetam tanto a conversão das receitas de exportação quanto os custos de produtos importados, como fertilizantes, defensivos e equipamentos.

A valorização da moeda norte-americana pode elevar a receita em reais de vendas externas, quando os demais fatores permanecem constantes. Por outro lado, também pode encarecer insumos e compromissos vinculados ao câmbio. O resultado para cada empresa ou produtor depende dos contratos, dos preços das commodities, das despesas e das operações de proteção já realizadas.

Referência das cotações: 10h15 de 27 de outubro de 2026, no horário de Brasília. Os valores podem mudar ao longo do pregão.

Fonte: Portal do Agronegócio

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