Soja sobe em Chicago após forte queda e dólar impulsiona preços no Sul; Mato Grosso recua
Contratos futuros avançavam na manhã desta terça-feira após aumento das inspeções de exportação dos EUA; no Brasil, altas chegaram a R$ 5 por saca no Paraná
Publicado em: 27/10/2026 às 11:50hs
Os preços futuros da soja na Bolsa de Chicago iniciaram a terça-feira (27) em alta, recuperando parte das perdas do pregão anterior. A reação ocorre após a divulgação de um aumento nas inspeções de exportação dos Estados Unidos e em meio à atenção do mercado à volatilidade do dólar e ao avanço da safra brasileira 2026/27.
No mercado físico brasileiro, a forte valorização da moeda norte-americana favoreceu as indicações em parte do país na segunda-feira. Segundo a TF Agroeconômica, as cotações subiram até R$ 5 por saca no Paraná, enquanto praças de Mato Grosso registraram queda.
Para o produtor, a formação do preço continua dependendo da combinação entre câmbio, contratos em Chicago, prêmios de exportação e custos de transporte. Frete, descontos e condições de pagamento também influenciam o valor efetivamente recebido.
Soja recupera parte das perdas em Chicago
Por volta das 8h59, no horário de Brasília, o contrato novembro de 2026 da soja era negociado a US$ 12,4950 por bushel, com alta de 8,25 centavos de dólar, equivalente a aproximadamente 0,66%.
O vencimento janeiro de 2027 subia 7 centavos, para US$ 12,5950 por bushel, enquanto março avançava 6 centavos, a US$ 12,6700. Os contratos de maio e julho de 2027 registravam ganhos de 5,50 centavos, cotados, respectivamente, a US$ 12,7550 e US$ 12,8200 por bushel.
A recuperação veio após uma segunda-feira de perdas superiores a 1% nos principais vencimentos. O contrato novembro havia encerrado aquela sessão a US$ 12,4125 por bushel, em queda de 1,21%.
A desvalorização do real foi acompanhada pelos operadores internacionais diante da possibilidade de tornar a soja brasileira mais competitiva nas exportações.
Embarques de soja dos EUA crescem quase 20%
A demanda pela soja norte-americana ganhou destaque com os dados de inspeções de exportação divulgados pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Na semana encerrada em 22 de outubro, as inspeções somaram aproximadamente 2,48 milhões de toneladas, volume 19,7% maior que o da semana anterior e superior ao dobro do registrado no mesmo período de 2025.
A China foi o principal destino, com cerca de 1,65 milhão de toneladas, seguida por México e Egito. No acumulado do ano comercial 2026/27, as inspeções norte-americanas chegaram a aproximadamente 9,71 milhões de toneladas, alta de 42,4% na comparação anual.
O desempenho dos embarques oferece suporte às cotações em Chicago, enquanto o mercado avalia a concorrência brasileira e as perspectivas de oferta para os próximos meses.
Dólar impulsiona preços da soja no Sul do Brasil
No mercado brasileiro, a alta do dólar favoreceu as indicações de compra em diferentes praças do Sul, conforme levantamento da TF Agroeconômica.
No Rio Grande do Sul, as referências subiram R$ 4 por saca, alcançando R$ 159 em Rio Grande, R$ 152 em Passo Fundo e R$ 153 em Santa Rosa.
Em Santa Catarina, a cotação em Abelardo Luz passou de R$ 148 para R$ 149 por saca, na modalidade FOB.
No Paraná, os preços avançaram R$ 5 por saca, para R$ 147 em Cascavel e R$ 158 em Paranaguá.
Mato Grosso registra queda nas cotações
Apesar do impulso cambial observado em outras regiões, o levantamento apontou recuo nas indicações em Mato Grosso.
Em Campo Verde e Primavera do Leste, as referências perderam R$ 1,45 por saca, para R$ 137,50 e R$ 136,95, respectivamente. Também houve baixas em Sorriso, com indicação de R$ 133,20; Lucas do Rio Verde, a R$ 133,60; e Rondonópolis, a R$ 139.
Em Mato Grosso do Sul, o comportamento foi diferente entre as praças. Dourados registrou alta de R$ 3, para R$ 143 por saca, enquanto Campo Grande permaneceu em R$ 140, na modalidade CIF.
Plantio da soja avança em ritmos diferentes
O mercado também acompanha a implantação da safra brasileira 2026/27, com diferenças entre as regiões produtoras.
Em Mato Grosso, o Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea) registrava 75,81% da área semeada, após avanço semanal de 23,95 pontos percentuais.
No Paraná, o Departamento de Economia Rural (Deral) apontava plantio em 47% da área, abaixo da média superior a 55% observada nas três safras anteriores. Em Mato Grosso do Sul, o levantamento do SIGA-MS indicava 32% da área plantada, com a região Sul mais adiantada.
No Rio Grande do Sul, a Emater/RS-Ascar informava semeadura em 3% da área, abaixo da média de 5%. Umidade elevada, frio e baixa radiação solar limitavam as operações em parte do estado.
Frete e condições de entrega influenciam o ganho do produtor
A melhora das indicações de compra não significa que uma venda foi concluída. No Paraná, por exemplo, a alta de R$ 5 por saca representaria R$ 5 mil adicionais em um lote de mil sacas, antes da dedução dos custos.
A diferença entre as referências de Paranaguá e Cascavel permaneceu em R$ 11 por saca. Para avaliar a oportunidade de venda, o produtor precisa considerar frete, descontos, prazo de pagamento e local de entrega.
Com a volatilidade do câmbio e das bolsas, a recomendação é conferir as condições da proposta no momento da fixação. O comportamento do dólar, a demanda internacional e o clima nas áreas produtoras da América do Sul seguirão entre os principais fatores para a formação dos preços da soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
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