Milho recua em Chicago e oferta elevada mantém preços pressionados no Brasil
Compradores negociam apenas para reposição de estoques, enquanto chuvas e frio afetam lavouras no Sul; mercado acompanha colheita dos EUA e concorrência sul-americana
Publicado em: 27/10/2026 às 11:40hs
Os preços futuros do milho abriram em leve queda na Bolsa de Chicago nesta terça-feira (27), enquanto o mercado brasileiro segue com negociações lentas e cotações pressionadas pela disponibilidade elevada do cereal. No Sul, o excesso de umidade, as baixas temperaturas e a falta de luminosidade dificultam parte das lavouras de verão da safra 2026/27.
Segundo a TF Agroeconômica, a oferta nacional superior à demanda mantém os compradores cautelosos. As aquisições se concentram na reposição de estoques, enquanto a distância entre os valores oferecidos e as pedidas dos vendedores limita o fechamento de negócios.
No cenário internacional, a expectativa de ampla produção e estoques nos Estados Unidos se soma à concorrência de Brasil e Argentina pelas exportações. O mercado também acompanha o ritmo da colheita norte-americana, que estava abaixo da média histórica no último levantamento considerado para a abertura.
Milho abre terça-feira em baixa na Bolsa de Chicago
Por volta das 9h05, no horário de Brasília, o contrato de milho para dezembro de 2026 era negociado a US$ 4,54 por bushel, com queda de 1 centavo de dólar.
Os demais vencimentos apresentavam recuos entre 0,75 e 1,25 centavo por bushel:
- Março/27: US$ 4,68, baixa de 0,75 centavo;
- Maio/27: US$ 4,7625, recuo de 1,25 centavo;
- Julho/27: US$ 4,8275, queda de 1,25 centavo;
- Setembro/27: US$ 4,7950, redução de 0,75 centavo.
A boa disponibilidade do cereal e a competitividade das exportações sul-americanas seguem entre os fatores observados pelos operadores. O comportamento da demanda externa e do consumo doméstico dos Estados Unidos também influencia a formação dos preços.
USDA projeta produção de 407 milhões de toneladas nos EUA
No relatório de oferta e demanda divulgado em 9 de outubro, o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) elevou a estimativa da produção norte-americana de milho para aproximadamente 407 milhões de toneladas. A produtividade média foi projetada em 181,2 bushels por acre.
Os estoques finais da temporada 2026/27 também foram revisados para cerca de 47 milhões de toneladas, reforçando a perspectiva de oferta elevada.
No campo, a última referência de colheita considerada na abertura apontava 44% da área colhida até 18 de outubro, abaixo da média de cinco anos, de 52%. Os atrasos estavam concentrados, especialmente, em Iowa, Nebraska e Minnesota.
A evolução dos trabalhos e as condições meteorológicas nas principais regiões produtoras seguem no radar, pois interferem no ritmo de entrada do cereal no mercado.
Preço do milho no RS fica entre R$ 60 e R$ 70 por saca
No Rio Grande do Sul, as referências de mercado variam de R$ 60 a R$ 70 por saca, segundo a TF Agroeconômica. A média estadual acompanhada pela Emater recuou 0,57%, para R$ 62,59 por saca, enquanto o milho disponível em Cruz Alta apresentava referência de R$ 75.
No campo, o plantio alcançou 81% da área prevista, conforme a Conab. Umidade elevada, frio e baixa luminosidade dificultam os trabalhos e retardam o crescimento das plantas.
O estado também registrou geadas pontuais no Planalto Superior. Nas áreas atingidas pelo granizo no fim de setembro, houve redução do potencial produtivo das lavouras mais prejudicadas.
Diferença entre compra e venda trava negócios em Santa Catarina
Em Santa Catarina, vendedores pedem cerca de R$ 60 por saca, enquanto as propostas de compra ficam próximas de R$ 55. A diferença entre as intenções das duas pontas restringe a comercialização.
A semeadura chegou a 89,9% da área, acima da média histórica de 85%. As lavouras apresentam boas condições de desenvolvimento, apesar da lentidão dos negócios no mercado físico.
Paraná tem avanço da semeadura e preços regionais distintos
No Paraná, o plantio do milho de verão atingiu 86% da área, abaixo dos 94% registrados no mesmo período de 2025 e da média de 90,2%.
Tempestades causaram desfolhamento em algumas lavouras e favoreceram a ocorrência de pragas e doenças, aumentando a atenção sobre as condições das áreas já implantadas.
As cotações ao produtor apresentaram comportamentos diferentes entre as regiões. No Centro Oriental, recuaram para R$ 60,45 por saca; no Oeste, para R$ 50,58. No Norte Central, houve alta para R$ 65,83 por saca.
Bioenergia absorve parte da oferta em Mato Grosso do Sul
Em Mato Grosso do Sul, o milho é negociado entre R$ 52 e R$ 54 por saca. A indústria de bioenergia absorve parte da produção, enquanto outros compradores mantêm a estratégia de evitar aumentos nos estoques.
Do lado vendedor, produtores restringem a oferta de novos lotes, em um mercado com dificuldade para aproximar as expectativas de preço.
A demanda europeia é uma alternativa para os embarques brasileiros, mas o ritmo das exportações segue abaixo do registrado em 2025.
Argentina pode ampliar concorrência nas exportações
A perspectiva de produção elevada na Argentina acrescenta pressão à disputa internacional por compradores.
O adido agrícola dos Estados Unidos em Buenos Aires projeta uma safra argentina de 62 milhões de toneladas em 2026/27, acima dos 55 milhões de toneladas considerados oficialmente pelo USDA.
Caso a estimativa se confirme, a maior disponibilidade argentina poderá ampliar a concorrência com o milho brasileiro e norte-americano. Até lá, o mercado acompanhará as condições climáticas na América do Sul, a colheita nos Estados Unidos e o desempenho das vendas externas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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