Dólar cai para R$ 5,17 com pesquisas eleitorais, Ptax e petróleo no radar
Moeda norte-americana recua diante do real e no exterior, enquanto disputa presidencial acirrada, definição da Ptax, conflito entre EUA e Irã e Orçamento de 2027 aumentam a volatilidade do mercado financeiro
Publicado em: 31/08/2026 às 11:10hs
O dólar iniciou a última sessão de agosto em queda no mercado brasileiro, refletindo a desvalorização da moeda norte-americana no exterior, a reação às novas pesquisas eleitorais e a disputa pela formação da taxa Ptax de fim de mês.
Por volta das 9h38 desta segunda-feira, 31 de agosto de 2026, o dólar à vista recuava 0,43%, negociado a R$ 5,1738 para venda. Pouco antes, a moeda chegou à faixa de R$ 5,16, com baixa próxima de 0,6%.
Na B3, o contrato de dólar futuro com vencimento em setembro caía 0,29%, cotado a R$ 5,1735. O vencimento de outubro também recuava 0,29%, para R$ 5,2090.
Na sessão anterior, a moeda norte-americana fechou com alta próxima de 0,6%, ao redor de R$ 5,196. Com o desempenho desta segunda-feira, o dólar reduz parte do ganho acumulado em agosto.
Dólar acumula alta no mês, mas recua em 2026
Mesmo com a queda no início desta segunda-feira, o dólar acumula valorização de aproximadamente 2,5% em agosto. No ano, entretanto, a moeda registra baixa superior a 5% diante do real.
A cotação tem oscilado nas últimas sessões entre fatores que favorecem e pressionam a moeda brasileira. De um lado, os juros elevados e a valorização de algumas commodities ajudam a atrair recursos. De outro, as incertezas fiscais, eleitorais e internacionais aumentam a cautela dos investidores.
O fluxo cambial também permanece no radar. O Brasil registrou saída líquida de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em agosto, após resultado negativo de US$ 8,1 bilhões em julho, fator que limita uma valorização mais consistente do real. UOL Economia
Ptax de fim de mês pode aumentar volatilidade
A sessão desta segunda-feira define a Ptax de encerramento de agosto, referência cambial calculada pelo Banco Central a partir das cotações observadas no mercado à vista.
A taxa é utilizada na liquidação de contratos futuros e derivativos. Por isso, o último pregão de cada mês costuma registrar maior disputa entre agentes com posições compradas ou vendidas em dólar.
Investidores posicionados para a alta da moeda procuram influenciar a formação da taxa em níveis mais elevados. Já aqueles com posições favoráveis à queda buscam cotações menores.
Esse movimento pode provocar oscilações mais intensas, especialmente nos períodos considerados pelo Banco Central para calcular a taxa.
Pesquisas eleitorais entram no preço dos ativos
O mercado também repercute duas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira sobre a corrida presidencial de 2026. Os levantamentos indicam uma disputa apertada em uma eventual votação de segundo turno entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro.
Na pesquisa AtlasIntel/Bloomberg, Lula aparece com 47,1% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro registra 42,6%. A diferença diminuiu em relação ao levantamento anterior, quando os percentuais eram de 49,2% e 42,9%, respectivamente. A margem de erro é de um ponto percentual.
O levantamento BTG/Nexus mostra Lula com 46% e Flávio Bolsonaro com 45%, configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Folha de S.Paulo
Parte do mercado associa a possibilidade de reeleição do atual governo a maiores desafios para o ajuste das contas públicas. Nesse contexto, o estreitamento da disputa eleitoral foi interpretado por alguns investidores como um fator favorável ao real e de pressão baixista sobre o dólar.
A reação, contudo, pode mudar rapidamente conforme novas pesquisas, propostas econômicas e sinalizações fiscais sejam divulgadas.
Orçamento de 2027 e contas públicas permanecem no foco
Além do cenário eleitoral, investidores acompanham os compromissos relacionados ao Orçamento de 2027 e a trajetória da dívida pública.
A dívida bruta do governo geral alcançou 82,5% do Produto Interno Bruto em julho, equivalente a aproximadamente R$ 10,9 trilhões. O indicador aumentou 0,6 ponto percentual em relação a junho e atingiu o maior nível em cinco anos.
O crescimento do endividamento amplia as preocupações sobre a capacidade do governo de estabilizar as contas públicas. Um cenário fiscal mais deteriorado pode pressionar o dólar e os juros futuros, além de elevar o custo do crédito no País.
Para o agronegócio, as oscilações cambiais afetam diretamente os preços dos fertilizantes, defensivos, máquinas e outros insumos importados. O câmbio também influencia a competitividade das exportações de soja, milho, café, açúcar, algodão e carnes.
Conflito entre EUA e Irã impulsiona petróleo
No exterior, os mercados iniciaram a semana sob pressão após uma nova escalada militar entre Estados Unidos e Irã. Forças norte-americanas atacaram alvos na ilha iraniana de Larak, enquanto o Irã respondeu com ações contra posições dos Estados Unidos na Jordânia e em outros pontos da região.
O aumento das tensões levou o petróleo Brent a superar US$ 90 por barril. A commodity chegou a avançar mais de 6%, alcançando aproximadamente US$ 91,50 durante o pregão. Folha de S.Paulo
Apesar da aversão ao risco provocada pelo conflito, a alta do petróleo oferece suporte ao real por fortalecer as perspectivas para empresas brasileiras exportadoras da commodity e melhorar os termos de troca do País.
Para o setor produtivo, porém, a valorização do barril aumenta o risco de pressão sobre diesel, fretes e inflação. Uma alta prolongada também pode encarecer insumos agrícolas dependentes de energia e derivados do petróleo.
Dólar também perde força no exterior
A moeda norte-americana recuava diante de várias divisas internacionais. O índice DXY, que compara o dólar a uma cesta de seis moedas fortes, caía 0,07%, aos 99,566 pontos.
O movimento beneficiava moedas de países emergentes e exportadores de commodities, incluindo o real brasileiro, o rand sul-africano e o peso chileno.
Ainda assim, a escalada no Oriente Médio pode limitar as perdas do dólar caso os investidores aumentem a busca por ativos considerados mais seguros. A trajetória do petróleo e as expectativas para os juros dos Estados Unidos também devem continuar influenciando o mercado cambial.
Ibovespa tenta ampliar sequência de recuperação
Na sexta-feira, o Ibovespa avançou cerca de 0,3%, aos 175,6 mil pontos, contrariando a queda das bolsas de Nova York. O índice acumulou valorização de 2,71% na semana e reduziu as perdas de agosto para aproximadamente 1,31%.
No acumulado de 2026, a Bolsa brasileira registra ganho próximo de 9%. Nesta segunda-feira, o Ibovespa futuro iniciou os negócios em alta de 0,37%, aos 178.355 pontos, apoiado principalmente pela valorização do petróleo e pelas expectativas de avanço das ações da Petrobras.
A Bolsa também acompanha a divulgação do Boletim Focus, os dados fiscais, as pesquisas eleitorais e as negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.
Câmbio exige atenção do produtor rural
A queda do dólar reduz, em princípio, a pressão sobre fertilizantes, defensivos, máquinas e componentes importados. Por outro lado, uma moeda norte-americana mais fraca pode diminuir a conversão em reais das receitas obtidas com exportações.
O efeito final varia conforme a atividade, o momento das compras, o nível de proteção cambial e a parcela da produção já comercializada.
Com a definição da Ptax, a disputa eleitoral, o avanço do petróleo e as incertezas fiscais ocorrendo simultaneamente, o mercado financeiro pode manter elevada volatilidade ao longo do pregão. Para o produtor rural, acompanhar o câmbio torna-se essencial para decidir sobre compra de insumos, venda antecipada da safra e contratação de crédito.
Fonte: Portal do Agronegócio
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