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Mercado Financeiro

Dólar cai abaixo de R$ 5,10 após inflação no Brasil e nos EUA; Ibovespa monitora juros e petróleo

IPCA registra deflação de 0,32% em agosto, enquanto inflação norte-americana avança 3,4% em 12 meses; mercado financeiro ajusta apostas para Selic e juros do Federal Reserve


Publicado em: 11/09/2026 às 11:05hs

Dólar cai abaixo de R$ 5,10 após inflação no Brasil e nos EUA; Ibovespa monitora juros e petróleo

O dólar comercial perdeu força e passou a operar abaixo de R$ 5,10 nesta sexta-feira (11/09), após uma abertura marcada por volatilidade. O mercado financeiro repercute os novos dados de inflação do Brasil e dos Estados Unidos, além da queda do petróleo e das expectativas para as decisões de juros da próxima semana.

Na quinta-feira (10), a moeda norte-americana recuou 0,18% e encerrou o pregão cotada a R$ 5,1026. O Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, avançou 1,42%, aos 188.268 pontos, sustentado principalmente pela entrada de capital estrangeiro, pelo ambiente eleitoral e pela valorização das ações ligadas ao petróleo.

Na manhã desta sexta-feira, o dólar chegou a ser negociado próximo de R$ 5,11, mas inverteu o movimento e caiu para a faixa de R$ 5,08 a R$ 5,10 após a divulgação dos indicadores de preços.

IPCA registra deflação maior que a esperada

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu 0,32% em agosto, resultado mais baixo desde agosto de 2022. A retração superou a expectativa mediana do mercado, que apontava deflação de 0,29%.

Em 12 meses, a inflação brasileira desacelerou de 4,44% para 4,22%, também abaixo da projeção de 4,27% dos economistas. O resultado reforçou a percepção de perda de força das pressões inflacionárias e ampliou as apostas em uma nova redução da taxa Selic.

A queda do IPCA foi influenciada principalmente pelos grupos habitação, transportes e alimentação. As despesas com habitação recuaram 1,87%, beneficiadas pela redução temporária nas contas de energia elétrica. Transportes caíram 0,86%, enquanto alimentação e bebidas apresentaram baixa de 0,34%.

Apesar do resultado favorável, analistas recomendam cautela, já que parte da deflação decorreu de fatores temporários. Além disso, a recente valorização do petróleo pode voltar a pressionar combustíveis, fretes, custos de produção e preços ao consumidor.

Mercado projeta novo corte da Selic

A inflação abaixo das expectativas fortaleceu a possibilidade de o Comitê de Política Monetária (Copom) reduzir novamente a Selic em 0,25 ponto percentual, de 14% para 13,75% ao ano.

O Banco Central já realizou quatro cortes consecutivos de 0,25 ponto percentual. Entretanto, o ritmo futuro dependerá do comportamento da inflação de serviços, das expectativas para os próximos anos, da política fiscal e dos impactos da alta da energia sobre a economia brasileira.

Para o agronegócio, uma redução gradual dos juros pode aliviar o custo do crédito rural, melhorar as condições de financiamento e reduzir a pressão financeira sobre produtores endividados. Por outro lado, uma eventual valorização do real diminui a conversão das receitas das exportações agrícolas para a moeda brasileira.

Inflação dos Estados Unidos reforça expectativa de alta dos juros

Nos Estados Unidos, o Índice de Preços ao Consumidor (CPI) avançou 0,4% em agosto, depois da alta de 0,1% registrada em julho. No acumulado de 12 meses, a inflação permaneceu em 3,4%.

Os números mantiveram no mercado a expectativa de que o Federal Reserve poderá elevar os juros em sua próxima reunião. Juros norte-americanos mais altos tendem a fortalecer o dólar globalmente e reduzir a procura por ativos de países emergentes.

O rendimento dos títulos do Tesouro dos Estados Unidos permanece elevado. A taxa do Treasury de dez anos ficou próxima de 4,9%, enquanto os contratos de dois anos refletiram apostas crescentes em um aperto monetário pelo Fed.

Petróleo cai após superar US$ 109

O petróleo também influencia os negócios desta sexta-feira. Depois de o Brent superar US$ 109 por barril na sessão anterior, investidores realizaram lucros e a commodity recuou mais de 3%, aproximando-se de US$ 104.

A queda trouxe algum alívio às bolsas internacionais, mas o petróleo ainda acumula forte valorização na semana. As tensões no Oriente Médio e os riscos para o transporte de cargas pelo Estreito de Hormuz continuam sustentando a preocupação com a oferta global.

Para o Brasil, a oscilação da commodity produz efeitos mistos. Preços elevados podem favorecer Petrobras e empresas exportadoras, mas também aumentam os riscos de reajustes nos combustíveis, encarecimento do transporte rodoviário e pressão sobre os custos do agronegócio.

Bolsas internacionais tentam recuperação

Os índices futuros de Wall Street operavam em alta na manhã desta sexta-feira, com investidores buscando recuperar parte das perdas da sessão anterior. A redução do petróleo contribuiu para o movimento, embora a inflação e os juros continuem no centro das atenções.

Na Europa, as bolsas também apresentavam recuperação, enquanto os mercados asiáticos encerraram majoritariamente em queda. O cenário internacional permanece marcado por elevada volatilidade, avanço dos juros dos títulos públicos e incertezas geopolíticas.

Dólar acumula queda na semana, no mês e em 2026

Mesmo com as oscilações desta sexta-feira, o dólar mantém trajetória negativa nos principais períodos:

  • Na semana: queda acumulada de 0,53%;
  • Em setembro: recuo acumulado de 1,49%;
  • Em 2026: desvalorização acumulada de 7,03%.

O Ibovespa, considerando o fechamento de quinta-feira, acumulava alta de 1,69% na semana, avanço de 6,12% em setembro e valorização de 16,85% no ano.

Câmbio continua sensível aos juros e ao cenário político

A direção do dólar nas próximas sessões dependerá principalmente das decisões do Copom e do Federal Reserve, previstas para a próxima semana. O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos será determinante para o fluxo de recursos estrangeiros e para o desempenho do real.

No ambiente doméstico, as expectativas fiscais e o quadro eleitoral também continuam influenciando os ativos brasileiros. Para produtores rurais e empresas do agronegócio, a recomendação é acompanhar a volatilidade cambial, especialmente diante dos reflexos sobre fertilizantes, defensivos, máquinas, combustíveis e receitas de exportação.

Fonte: Portal do Agronegócio

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