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Aveia, Trigo e Cevada

Preço do trigo sobe no Sul com oferta restrita e riscos para a nova safra

Baixa disponibilidade da safra velha sustenta cotações no Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Paraná, enquanto excesso de umidade aumenta preocupação com giberela, produtividade e qualidade dos grãos


Publicado em: 11/09/2026 às 11:40hs

Preço do trigo sobe no Sul com oferta restrita e riscos para a nova safra

O mercado de trigo permanece firme no Sul do Brasil, impulsionado pela oferta limitada da safra anterior, pela retração dos vendedores e pela necessidade de abastecimento da indústria moageira. No Rio Grande do Sul, os negócios ocorrem entre R$ 1.450 e R$ 1.500 por tonelada, conforme a qualidade do cereal e a localização, segundo informações da TF Agroeconômica.

Nos moinhos gaúchos, a referência de R$ 1.500 por tonelada já é considerada corrente. Ao longo do mês, a valorização acumulada no estado varia de R$ 50 a R$ 100 por tonelada, evidenciando o aperto na disponibilidade antes da entrada mais expressiva da nova colheita.

Estoques reduzidos deixam abastecimento mais ajustado

As estimativas indicam que ainda existam aproximadamente 70 mil toneladas de trigo disponíveis para comercialização no Rio Grande do Sul. O volume é semelhante à quantidade que precisaria ser importada para complementar a moagem até a chegada da próxima safra, além dos estoques já mantidos pelas indústrias.

Caso os moinhos decidam recompor também uma reserva técnica, a demanda adicional poderia equivaler a até três carregamentos de navios do tipo handy size. Esse cenário reforça a sustentação dos preços e reduz o espaço para recuos mais acentuados no curto prazo.

Giberela aumenta riscos para a qualidade da nova safra

Enquanto a oferta da safra velha diminui, as condições das lavouras que abastecerão o mercado nos próximos meses também exigem atenção. Os primeiros trigos que chegaram à fase de florescimento no Rio Grande do Sul apresentaram ocorrências de giberela, doença favorecida pelo excesso de umidade durante períodos críticos do desenvolvimento da cultura.

A presença do fungo pode provocar perdas de produtividade, redução da qualidade industrial e aumento do risco de contaminação por desoxinivalenol, micotoxina conhecida como DON. A intensidade dos impactos dependerá da evolução do clima e das condições fitossanitárias até a colheita.

Exportação ainda oferece preços pouco atrativos

No mercado de exportação, as indicações para dezembro estão próximas de R$ 1.270 por tonelada, com entrega no porto. O valor permanece abaixo das expectativas dos produtores e limita o interesse dos vendedores.

No melhor momento das negociações na Bolsa de Chicago, a paridade de exportação alcançou o equivalente a R$ 1.394,56 por tonelada, avanço diário de 1,68%. Apesar da recuperação, a referência ainda acumulava queda de 9,94% em relação ao começo do mês.

No mercado disponível, o preço de balcão em Panambi avançou para R$ 71 por saca, acompanhando a menor oferta regional.

Trigo chega a R$ 1.550 por tonelada em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a disponibilidade reduzida elevou as pedidas dos vendedores para uma faixa entre R$ 1.500 e R$ 1.550 por tonelada FOB. Diante da escassez local, os moinhos catarinenses continuam buscando trigo no Rio Grande do Sul e no Paraná.

A necessidade de recorrer a outros estados aumenta a influência dos custos logísticos sobre o preço final da matéria-prima e contribui para manter as cotações firmes no mercado catarinense.

Paraná registra poucas ofertas no mercado disponível

No Paraná, foram registrados negócios a R$ 1.500 por tonelada FOB na região Norte e a R$ 1.450 por tonelada nos Campos Gerais. As ofertas, entretanto, permanecem pouco frequentes, refletindo a postura cautelosa dos produtores.

Para o trigo da nova safra, as indicações dos compradores apresentam preços decrescentes conforme o avanço da colheita: R$ 1.500 por tonelada para entrega em setembro, R$ 1.450 em outubro e R$ 1.400 em novembro.

Mercado deve acompanhar clima, colheita e importações

A combinação entre estoques reduzidos, vendedores retraídos e incertezas sobre a qualidade da nova produção tende a manter o mercado de trigo sustentado no Sul do Brasil. Ao mesmo tempo, a entrada gradual da colheita poderá ampliar a oferta e provocar ajustes nas cotações durante os próximos meses.

O comportamento dos preços dependerá principalmente da evolução climática, da incidência de doenças nas lavouras, da qualidade industrial dos grãos colhidos e da necessidade de importações para completar o abastecimento dos moinhos.

Fonte: Portal do Agronegócio

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