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Soja

Soja oscila em Chicago após máxima de três anos, enquanto preços sobem no Brasil e custos desafiam safra 2026/27

Demanda chinesa e petróleo sustentaram forte avanço da oleaginosa, mas realização de lucros e expectativa pelo relatório do USDA pressionam os contratos; no mercado interno, cotações chegam a R$ 165,50 por saca


Publicado em: 11/09/2026 às 11:30hs

Soja oscila em Chicago após máxima de três anos, enquanto preços sobem no Brasil e custos desafiam safra 2026/27

O mercado da soja atravessa um período de elevada volatilidade, marcado pela demanda chinesa, pelas oscilações do petróleo e pela expectativa em torno das novas projeções de oferta e demanda do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA). Depois de alcançar o maior nível em três anos na Bolsa de Chicago, a oleaginosa passou a registrar perdas nesta sexta-feira (11), refletindo uma realização de lucros antes da divulgação do relatório mensal da instituição norte-americana.

No Brasil, o cenário externo positivo observado na quinta-feira (10), aliado à demanda industrial e às condições regionais de comercialização, sustentou as cotações nas principais praças. No Porto de Paranaguá, houve relatos de negócios pontuais a R$ 165,50 por saca, enquanto o Porto de Rio Grande alcançou R$ 163,00.

Apesar da valorização, produtores iniciam a safra 2026/27 pressionados pela alta dos custos, pelas despesas logísticas e pela perspectiva de menor rentabilidade, especialmente em Mato Grosso.

Soja atinge maior cotação em três anos em Chicago

Os contratos futuros da soja encerraram a quinta-feira em forte alta na Bolsa de Mercadorias de Chicago (CBOT), impulsionados pelo aumento das compras chinesas e pela disparada do petróleo no mercado internacional.

O vencimento novembro avançou 22,75 centavos de dólar, equivalente a 1,73%, e fechou cotado a US$ 13,3225 por bushel. A posição janeiro subiu 1,66%, para US$ 13,4725 por bushel.

Os derivados também acompanharam o movimento. O farelo de soja para dezembro ganhou 1,53%, encerrando a US$ 356,90 por tonelada. Já o óleo de soja com o mesmo vencimento avançou 1,91%, para 71,92 centavos de dólar por libra-peso.

A valorização levou os contratos da commodity aos maiores patamares dos últimos três anos, ampliando o interesse dos investidores e fortalecendo as referências para o mercado físico brasileiro.

Compras da China reforçam demanda pela soja dos Estados Unidos

A demanda chinesa foi um dos principais fatores de sustentação das cotações. Informações do mercado indicam que a China adquiriu aproximadamente 1 milhão de toneladas de soja norte-americana durante a semana.

Exportadores privados também comunicaram novas vendas de 271 mil toneladas para o mercado chinês e de 206,5 mil toneladas para destinos não informados.

O crescimento das compras ocorre antes de uma visita prevista do presidente da China, Xi Jinping, a Washington. O movimento aumentou as expectativas de continuidade das importações chinesas e trouxe novo suporte aos contratos negociados em Chicago.

As aquisições realizadas até agora representariam quase metade das 25 milhões de toneladas anuais que, segundo o governo dos Estados Unidos, a China teria se comprometido a comprar até 2028.

Petróleo recua e soja devolve parte dos ganhos

Após a forte valorização da quinta-feira, os futuros da soja passaram a operar em queda na manhã desta sexta-feira. Por volta das 7h30, no horário de Brasília, os principais vencimentos recuavam entre 13,50 e 15 pontos.

O contrato novembro era negociado próximo de US$ 13,17 por bushel, enquanto março aparecia ao redor de US$ 13,38. O óleo de soja registrava perdas próximas de 2%, e o farelo caía quase 1%.

A correção foi provocada principalmente pela realização de lucros dos fundos de investimento, depois dos ganhos expressivos da sessão anterior. A queda superior a 3% do petróleo também estimulou um movimento de aversão ao risco entre as commodities.

Mesmo com o recuo, o barril do petróleo Brent permanecia acima de US$ 100 em Londres. As cotações do milho e do trigo também eram pressionadas, com perdas superiores a 1% em Chicago.

Mercado aguarda possíveis cortes do USDA

A proximidade da divulgação do relatório de setembro do USDA elevou a cautela entre operadores. O mercado espera ajustes nas projeções de produtividade, produção e estoques dos Estados Unidos, após períodos de instabilidade climática e estresse hídrico durante a fase final das lavouras.

A estimativa média dos analistas aponta para uma safra norte-americana de soja de 4,492 bilhões de bushels em 2026/27, abaixo dos 4,519 bilhões projetados pelo USDA em agosto.

Para os estoques finais dos Estados Unidos em 2026/27, a expectativa é de redução de 320 milhões para 289 milhões de bushels. Em relação ao ciclo 2025/26, o mercado projeta um ajuste mais moderado, de 325 milhões para 320 milhões de bushels.

No quadro mundial, os estoques finais de soja em 2026/27 podem cair de 124,2 milhões para 123,1 milhões de toneladas. Para a temporada 2025/26, a projeção esperada é de estabilidade em 125,1 milhões de toneladas.

Preço da soja sobe no Rio Grande do Sul

No mercado brasileiro, a soja apresentou predominância de alta nas principais regiões produtoras na quinta-feira, segundo levantamento da TF Agroeconômica.

No Rio Grande do Sul, a referência no Porto de Rio Grande avançou 0,62%, para R$ 163,00 por saca. No interior gaúcho, Ijuí e Cruz Alta registraram R$ 151,00, enquanto Passo Fundo e Santa Rosa alcançaram R$ 152,00.

Apesar da valorização, a comercialização permaneceu pontual, com produtores atentos às condições de frete, armazenagem e ao avanço dos preparativos para a nova safra.

Demanda por ração sustenta cotações em Santa Catarina

Em Santa Catarina, a procura das fábricas de ração contribuiu para manter o mercado sustentado. Em São Francisco do Sul, a soja avançou 0,45%, chegando a R$ 158,00 por saca.

No mercado de balcão, Palma Sola permaneceu cotada a R$ 138,50, enquanto Rio do Sul registrou R$ 140,00. Compradores locais apresentaram propostas mais competitivas diante da necessidade de garantir matéria-prima para processamento e fabricação de rações.

Soja chega a R$ 165,50 no Porto de Paranaguá

No Paraná, o Indicador Cepea/Esalq avançou 0,91%, para R$ 153,81 por saca. O Indicador Esalq/B3 referente ao Porto de Paranaguá subiu 1,01%, alcançando R$ 161,73.

Também foram relatadas negociações pontuais a R$ 165,50 por saca no porto paranaense. No interior, Cascavel registrou R$ 154,00, Maringá e Ponta Grossa ficaram em R$ 151,00, e Pato Branco apresentou referência de R$ 149,00.

Soja varia pouco em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul

Em Mato Grosso do Sul, as cotações chegaram a R$ 143,00 por saca em Dourados e Campo Grande. Maracaju alcançou R$ 144,00, enquanto Chapadão do Sul e Sidrolândia permaneceram estáveis, também em R$ 144,00.

Em Mato Grosso, as variações foram mais discretas. A atenção dos produtores está concentrada nos custos da safra 2026/27, no peso dos fretes e nas margens esperadas para a nova temporada.

Custo de produção pode reduzir rentabilidade da soja em 35%

Mesmo com a recuperação das cotações, o aumento das despesas agrícolas limita o potencial de ganho dos sojicultores. O Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) projeta custo total de aproximadamente R$ 8,17 mil por hectare para a soja na safra 2026/27 em Mato Grosso.

A estimativa aponta para uma redução de 35% na rentabilidade em comparação com a temporada anterior. Insumos, crédito, transporte e armazenagem estão entre os principais componentes de pressão sobre as margens.

O cenário exige maior cautela na comercialização. A combinação entre preços internacionais voláteis, custos elevados e incertezas sobre a produção dos Estados Unidos tende a manter o mercado da soja sensível aos dados do USDA, às compras da China, ao comportamento do petróleo e ao ritmo de formação da nova safra brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

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