Publicidade
Mercado Financeiro

Dólar abre em queda, mas mercado segue pressionado por cenário eleitoral e risco fiscal no Brasil

Moeda americana recua no início dos negócios desta segunda-feira (17), enquanto investidores monitoram a nova pesquisa eleitoral, indicadores econômicos, varejo e a saída de capital estrangeiro da Bolsa brasileira


Publicado em: 17/08/2026 às 11:10hs

Dólar abre em queda, mas mercado segue pressionado por cenário eleitoral e risco fiscal no Brasil

O dólar comercial abriu a sessão desta segunda-feira (17) em queda diante do real, depois de cinco pregões consecutivos de valorização. Por volta das 9h, a moeda americana recuava 0,18%, negociada a R$ 5,2098, em um mercado atento ao cenário político brasileiro, aos indicadores de atividade e aos resultados do setor varejista.

Apesar do alívio pontual na abertura, o câmbio permanece em um dos níveis mais elevados do ano. Na sexta-feira (14), o dólar comercial encerrou o pregão próximo de R$ 5,22, no maior patamar desde março, após registrar uma sequência de cinco altas.

A movimentação ocorre em um ambiente de maior cautela entre investidores, marcado pela saída de recursos estrangeiros da Bolsa, preocupações fiscais e aumento da incerteza relacionada às eleições de 2026.

Mercado financeiro acompanha cenário eleitoral

A política voltou a ocupar espaço importante nas decisões dos investidores. A nova rodada de pesquisas eleitorais divulgada nesta segunda-feira mostra estabilidade na disputa presidencial, com Lula e Flávio Bolsonaro em situação de empate técnico em um cenário de segundo turno, segundo levantamento BTG/Nexus.

Para o mercado, a proximidade da disputa eleitoral tende a aumentar a sensibilidade dos ativos brasileiros às pesquisas e às sinalizações dos principais candidatos sobre política econômica, contas públicas e trajetória da dívida.

Esse fator ajuda a explicar a maior volatilidade observada recentemente no câmbio e na Bolsa, especialmente diante da percepção de que o cenário fiscal continuará sendo um dos principais desafios para o próximo governo.

Ibovespa chega a nove quedas consecutivas

Enquanto o dólar tenta devolver parte dos ganhos recentes, o mercado acionário brasileiro enfrenta uma sequência de perdas.

O Ibovespa encerrou a sexta-feira aos 166.934 pontos, com baixa de 0,10%, acumulando o nono pregão consecutivo de queda. A sequência representa uma das mais longas séries negativas recentes e ocorre em meio à redução da exposição de investidores estrangeiros às ações brasileiras.

Segundo dados repercutidos pelo mercado, o fluxo estrangeiro negativo na Bolsa durante agosto já supera R$ 11 bilhões, aumentando a pressão sobre os ativos domésticos.

Além do ambiente político, os investidores também avaliam o impacto dos juros elevados, das incertezas fiscais, da relação comercial entre Brasil e Estados Unidos e das condições dos mercados internacionais.

Boletim Focus mantém inflação acima do teto da meta

Outro ponto importante para o mercado nesta segunda-feira é o novo Boletim Focus.

A mediana das projeções manteve a expectativa de inflação medida pelo IPCA em 5,02% para 2026, ainda acima do teto da meta de inflação, de 4,5%. Para 2027, a projeção subiu de 4,22% para 4,24%.

Para a taxa Selic, os economistas consultados pelo Banco Central passaram a projetar 13,75% ao ano no fim de 2026, ante 14% na semana anterior. Para 2027, a expectativa permanece em 12%.

A combinação de inflação ainda elevada e juros restritivos mantém o mercado atento à capacidade de desaceleração dos preços sem provocar uma deterioração mais forte da atividade econômica.

IBC-Br e varejo entram no radar

Além do câmbio e das eleições, os investidores acompanham nesta segunda-feira os indicadores de atividade econômica.

O IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), está entre os principais dados domésticos monitorados pelo mercado nesta abertura de semana. O indicador pode influenciar as expectativas sobre o ritmo da economia brasileira e, consequentemente, sobre os próximos passos da política monetária.

O setor varejista também está no radar, especialmente após o pedido de recuperação judicial da Casas Bahia, que reportou prejuízo de aproximadamente R$ 10 bilhões no segundo trimestre e possui dívida na casa de R$ 17,3 bilhões.

O desempenho das empresas de consumo ganha relevância em um ambiente de juros elevados, crédito mais caro e maior comprometimento da renda das famílias.

Dólar: como está a cotação nesta segunda-feira

Na abertura desta segunda-feira (17), o dólar comercial apresentou os seguintes níveis:

  • Dólar comercial: cerca de R$ 5,21;
  • Variação na abertura: -0,18%;
  • Máxima recente: região de R$ 5,25;
  • Patamar: maior nível desde março;
  • Ibovespa na sexta-feira: 166.934 pontos.

O dólar havia encerrado a sexta-feira próximo de R$ 5,22, confirmando a pressão recente sobre o real.

A cotação pode oscilar ao longo do pregão conforme entram novas informações sobre o cenário político, fluxo estrangeiro, juros brasileiros e americanos, indicadores econômicos e tensões geopolíticas.

Cenário internacional também influencia o real

No exterior, os investidores acompanham as perspectivas para a política monetária do Federal Reserve, além das tensões envolvendo o Oriente Médio e o Estreito de Ormuz.

A percepção sobre os próximos passos dos juros americanos influencia diretamente o fluxo global de capitais. Uma perspectiva de juros mais elevados nos Estados Unidos tende a fortalecer o dólar e reduzir a atratividade relativa de mercados emergentes.

Ao mesmo tempo, a possibilidade de flexibilização da política monetária americana pode favorecer ativos de maior risco, criando espaço para recuperação de moedas emergentes como o real.

Dólar ainda acumula valorização expressiva no curto prazo

Mesmo com a queda observada na abertura desta segunda-feira, o movimento não elimina a forte recuperação recente da moeda americana.

A cotação chegou a aproximadamente R$ 5,25 na semana passada, acumulando cinco sessões consecutivas de alta antes do pequeno recuo registrado nesta segunda-feira.

O comportamento do dólar continuará sendo importante para o agronegócio brasileiro. Uma moeda americana mais valorizada tende a melhorar a conversão em reais das receitas de exportadores de commodities, mas também pode elevar os custos de produtos e insumos importados, como fertilizantes, defensivos, máquinas e componentes.

Para produtores e empresas do setor, portanto, a volatilidade cambial permanece como um dos principais fatores a serem monitorados nas decisões de comercialização e planejamento financeiro.

O que o mercado acompanha nesta semana

Além da cotação do dólar e da Bolsa, os investidores devem monitorar:

  • novos indicadores de atividade econômica;
  • inflação e expectativas para os próximos meses;
  • decisões e sinalizações do Federal Reserve;
  • fluxo de capital estrangeiro para o Brasil;
  • pesquisas eleitorais;
  • cenário fiscal brasileiro;
  • resultados corporativos;
  • tensões geopolíticas e seus impactos sobre petróleo e moedas.
Mercado segue em alerta

A queda do dólar na abertura desta segunda-feira representa um alívio pontual, mas ainda não configura uma mudança definitiva da tendência observada nas últimas sessões.

Com a moeda americana próxima de R$ 5,21, o Ibovespa pressionado após nove quedas consecutivas e o cenário eleitoral começando a ganhar peso nas decisões de investimento, o mercado brasileiro inicia uma semana marcada por elevada sensibilidade a novos dados econômicos e políticos.

Para o agronegócio, a trajetória do dólar merece atenção especial, pois influencia diretamente os preços de commodities exportadas, a rentabilidade das vendas externas e o custo dos principais insumos utilizados na produção brasileira.

Fonte: Portal do Agronegócio

◄ Leia outras notícias