Bolsas operam com cautela nesta terça; Ibovespa reage ao IPCA, Copom e tensão no Oriente Médio
Mercados globais monitoram as negociações entre Estados Unidos e Irã, o bloqueio do Estreito de Ormuz e a alta do petróleo, enquanto investidores brasileiros avaliam inflação de 4,44% em 12 meses e a nova sinalização do Banco Central sobre a Selic
Publicado em: 11/08/2026 às 10:55hs
O mercado financeiro iniciou esta terça-feira (11) em um ambiente de cautela e volatilidade, com os investidores dividindo a atenção entre os dados de inflação no Brasil, a ata da última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), a temporada de balanços corporativos e a evolução do conflito no Oriente Médio.
No Brasil, o Ibovespa operava próximo da estabilidade, enquanto o dólar recuava diante do real. Por volta das 10h10, o principal índice da B3 avançava 0,03%, aos 172.226,97 pontos, e o dólar à vista caía 0,17%, cotado a R$ 5,1019.
O movimento ocorre após a divulgação do IPCA de julho, que subiu 0,07%, desacelerando em relação à alta de 0,16% registrada em junho. Em 12 meses, a inflação acumulou 4,44%, permanecendo abaixo do teto de 4,50% da meta de inflação. Apesar da desaceleração, o resultado veio acima da mediana das expectativas, que apontava alta de 0,03% no mês.
Copom mantém tom cauteloso sobre os juros
Outro ponto central para os mercados brasileiros é a ata da última reunião do Copom, quando o Banco Central reduziu a Selic para 14% ao ano.
O documento reforçou a preocupação da autoridade monetária com o comportamento das expectativas de inflação e destacou o aumento das incertezas no cenário econômico. O Comitê também voltou a chamar atenção para os efeitos da política fiscal sobre a demanda e sobre o prêmio de risco da curva de juros.
A leitura do mercado é de que o Banco Central mantém uma postura bastante cuidadosa. Ao mesmo tempo em que a desaceleração da inflação abre espaço para novos cortes de juros, o tom da ata indica que eventuais reduções adicionais dependerão da evolução dos preços, das expectativas e do cenário fiscal.
Na abertura, a curva de juros reagiu em alta. O DI para janeiro de 2027 avançava para 13,745%, enquanto o contrato para janeiro de 2031 subia para 14,395%.
Bolsas internacionais refletem tensão no Oriente Médio
No exterior, o principal fator de risco continua sendo o conflito no Oriente Médio e a dificuldade de avanço nas negociações entre Estados Unidos e Irã para a reabertura do Estreito de Ormuz.
A rota permanece bloqueada, mantendo elevado o risco de interrupções no fluxo internacional de petróleo. Também houve relatos de ataque a uma embarcação no Estreito de Bab el-Mandeb, outra importante passagem marítima para o comércio de energia.
Na Ásia, os mercados encerraram o pregão sem direção única. O Kospi, da Coreia do Sul, subiu 0,73%, enquanto o Hang Seng, de Hong Kong, recuou 1,10%. Na China continental, o Xangai Composto caiu 0,82%, e o Shenzhen Composto perdeu 0,46%. A bolsa australiana avançou 0,19%. O mercado japonês permaneceu fechado.
Na Europa, o movimento também era moderado. O índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 0,17% no início do dia, enquanto as principais bolsas registravam pequenas oscilações.
Em Nova York, os contratos futuros indicavam abertura positiva. Por volta das 9h de Brasília, o futuro do Dow Jones subia 0,08%, o S&P 500 avançava 0,15% e o Nasdaq ganhava 0,31%.
O mercado norte-americano também se prepara para a divulgação do CPI dos Estados Unidos, prevista para quarta-feira. O indicador poderá influenciar as expectativas para a política monetária do Federal Reserve, especialmente após dados recentes de emprego mais fracos do que o esperado.
Petróleo volta ao centro das atenções
A tensão geopolítica continua refletida diretamente nas cotações do petróleo.
Durante a manhã, o Brent chegou a operar próximo de US$ 90 por barril, enquanto o WTI também registrava alta. Em uma das leituras do mercado por volta das 10h de Brasília, o Brent para outubro avançava 0,42%, a US$ 88,09, e o WTI para setembro subia 0,58%, a US$ 82,61.
Outra atualização de mercado apontava o Brent em US$ 89,93, com alta de 2,52%, e o WTI em US$ 84,38, avanço de 2,74%. A diferença entre as cotações reflete a forte volatilidade do mercado de energia ao longo da manhã.
A alta do petróleo representa um importante risco para a inflação global, principalmente caso a interrupção do transporte pelo Estreito de Ormuz se prolongue.
Para o agronegócio, o comportamento da commodity também merece atenção. Petróleo mais caro tende a elevar custos de transporte, fretes, combustíveis e alguns insumos, aumentando a pressão sobre as despesas de produção e logística no campo.
Temporada de balanços movimenta a Bolsa brasileira
Além do cenário macroeconômico, a temporada de resultados do segundo trimestre continua no radar dos investidores.
O BTG Pactual (BPAC11) divulgou lucro líquido ajustado de R$ 5,14 bilhões no segundo trimestre, crescimento de 22,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. O resultado reforça a posição do banco entre os destaques positivos da temporada de balanços.
Já a JBS (JBSS3) apresentou prejuízo líquido de US$ 102 milhões no segundo trimestre, revertendo o lucro de US$ 528 milhões registrado um ano antes. A companhia também anunciou o fechamento de duas unidades nos Estados Unidos, colocando o setor de proteínas no foco dos investidores.
A Natura também está entre as empresas que divulgaram resultados nesta temporada, enquanto o calendário desta terça-feira concentra novas divulgações importantes.
Entre os nomes previstos para apresentar números estão B3 (B3SA3), Direcional (DIRR3), BTG Pactual (BPAC11), Cury (CURY3), Taesa (TAEE11), CSU Digital (CSUD3), Bemobi (BMOB3), Brisanet e Espaçolaser, entre outras companhias.
A B3, a Direcional e outras empresas têm divulgação prevista para depois do fechamento, mantendo a expectativa de maior movimentação dos papéis ao longo do pregão.
Mercado acompanha dólar e commodities
O dólar segue próximo de R$ 5,10, enquanto os investidores avaliam simultaneamente o cenário doméstico e os movimentos da moeda americana no exterior. O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, apresentava pequena queda durante a manhã.
Entre outras commodities, o minério de ferro negociado em Dalian registrava alta de 1,07%, a 707,50 yuans por tonelada, equivalente a aproximadamente US$ 104,85.
O que pode mexer com os mercados nesta terça-feira
O comportamento das bolsas ao longo do dia deverá depender principalmente de quatro fatores:
- IPCA de julho e seus efeitos sobre as expectativas para a Selic;
- Ata do Copom e possíveis sinais sobre os próximos cortes de juros;
- Negociações entre Estados Unidos e Irã e eventual reabertura do Estreito de Ormuz;
- Temporada de balanços corporativos no Brasil e no exterior.
O mercado também começa a se posicionar para a divulgação da inflação ao consumidor nos Estados Unidos, prevista para quarta-feira, dado que poderá alterar as apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Cenário exige atenção redobrada
A combinação de juros ainda elevados no Brasil, inflação próxima do teto da meta, petróleo pressionado e incertezas geopolíticas mantém o ambiente desafiador para os investidores.
Para o agronegócio, a combinação merece atenção especial porque alterações no câmbio, petróleo, fretes e juros podem influenciar diretamente os custos de produção, a formação de preços das commodities e a competitividade das exportações brasileiras.
Assim, apesar da relativa estabilidade do Ibovespa nesta manhã, o cenário internacional permanece como importante fonte de volatilidade para a Bolsa brasileira e para os mercados de commodities ao longo dos próximos dias.
Fonte: Portal do Agronegócio
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