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Internacional

EUA ameaçam reduzir cota de açúcar do Brasil e pressionam por acordos comerciais

Washington avalia redistribuir 55,9 mil toneladas de açúcar que ficaram fora da alocação inicial para o Brasil no ano fiscal de 2027; medida pode elevar custos e reduzir a competitividade do produto brasileiro no mercado americano


Publicado em: 11/08/2026 às 11:45hs

EUA ameaçam reduzir cota de açúcar do Brasil e pressionam por acordos comerciais

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo ponto de tensão no mercado internacional de açúcar. O governo norte-americano sinalizou que poderá redistribuir cerca de 56 mil toneladas de açúcar que ficaram fora da cota inicialmente destinada ao Brasil, caso Brasília não apresente propostas comerciais consideradas satisfatórias por Washington.

A sinalização foi apresentada pelo subsecretário de Agricultura dos Estados Unidos, Stephen Vaden, durante um simpósio da American Sugar Alliance realizado no Colorado. O posicionamento ocorre em um momento de pressão de produtores norte-americanos por medidas mais rígidas de proteção ao mercado doméstico, diante do avanço das importações e do nível elevado dos estoques.

Brasil recebe cota menor para o próximo ano fiscal

Para o ano fiscal de 2027 dos Estados Unidos, que começa em 1º de outubro de 2026 e termina em 30 de setembro de 2027, Washington estabeleceu uma cota tarifária global de aproximadamente 1,117 milhão de toneladas de açúcar, distribuída entre 39 países fornecedores.

Historicamente, o Brasil tem acesso a aproximadamente 156 mil toneladas dentro desse mecanismo. Para o próximo ano fiscal, porém, a alocação inicial foi reduzida para 100 mil toneladas.

Com isso, 55.993 toneladas permaneceram sem destino definido, volume equivalente a cerca de 36% da cota que tradicionalmente é atribuída ao açúcar brasileiro.

O governo dos Estados Unidos ainda poderá decidir o destino desse volume. A sinalização de Vaden indica que as toneladas poderão retornar ao Brasil caso sejam apresentadas propostas comerciais alinhadas aos interesses norte-americanos. Caso contrário, a quantidade poderá ser redistribuída entre outros países fornecedores.

Cota de açúcar tem impacto direto na rentabilidade

Embora o volume envolvido seja pequeno diante das exportações totais de açúcar do Brasil, a disputa pela cota possui relevância econômica significativa.

Isso ocorre porque o açúcar importado pelos Estados Unidos dentro da cota tarifária está sujeito a uma cobrança muito menor do que aquela aplicada ao produto que entra no país acima do limite estabelecido.

Para o açúcar bruto, a tarifa dentro da cota é de aproximadamente US$ 14,60 por tonelada. Fora do mecanismo, a cobrança pode alcançar cerca de US$ 338,60 por tonelada.

A diferença entre as tarifas altera significativamente a competitividade do produto brasileiro e aumenta o valor comercial de cada tonelada incluída na cota preferencial.

Brasil é um dos maiores fornecedores mundiais de açúcar

A importância estratégica da negociação fica ainda mais clara diante da dimensão das exportações brasileiras.

A estimativa do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) aponta que o Brasil deverá exportar aproximadamente 35,7 milhões de toneladas de açúcar na safra 2025/26.

Nesse cenário, a cota norte-americana representa menos de 0,5% das exportações brasileiras. Em termos de volume, portanto, a eventual perda das 55,9 mil toneladas não representa uma parcela relevante do comércio externo brasileiro.

O impacto está principalmente nas condições de acesso ao mercado americano e na diferença de rentabilidade proporcionada pela tarifa reduzida.

Pressão americana aumenta incertezas para o açúcar brasileiro

A possibilidade de redistribuição das toneladas ainda não alocadas adiciona um novo elemento às negociações comerciais entre Brasil e Estados Unidos.

Para os exportadores brasileiros, manter o maior volume possível dentro da cota é importante para preservar condições mais competitivas de entrada no mercado americano. Para Washington, por outro lado, a definição do volume também está relacionada às pressões da indústria e dos produtores locais por maior proteção.

A disputa ocorre em um mercado global no qual preços internacionais, estoques, produção e políticas comerciais continuam influenciando as decisões de compra e venda.

O que está em jogo para o Brasil

O principal ponto da negociação não é apenas o volume de açúcar que poderá ser exportado, mas o custo para acessar o mercado dos Estados Unidos.

Se as 55.993 toneladas forem destinadas a outros fornecedores, o Brasil ficará inicialmente limitado às 100 mil toneladas já alocadas. O excedente exportado acima da cota estará sujeito a uma tarifa significativamente maior.

Na prática, isso pode reduzir as margens dos exportadores brasileiros ou exigir ajustes nos preços para manter a competitividade do açúcar nacional no mercado norte-americano.

A decisão sobre o destino do volume ainda não alocado, portanto, passa a ser um dos pontos de atenção para o setor sucroenergético brasileiro nas negociações com Washington.

Açúcar brasileiro no radar do mercado

A disputa pela cota reforça a importância da política comercial dos Estados Unidos para o setor sucroenergético brasileiro. Mesmo representando uma pequena parcela das exportações totais do país, o acesso tarifário preferencial pode fazer diferença na rentabilidade, na formação dos preços e na estratégia dos exportadores de açúcar.

Com a aproximação do novo ano fiscal americano, o mercado acompanha os próximos movimentos de Washington e do governo brasileiro em busca de uma definição para as toneladas que permanecem fora da alocação inicial.

Fonte: Portal do Agronegócio

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