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Mercado Financeiro

Bolsas globais sobem com tecnologia na Ásia, enquanto Ibovespa enfrenta pressão de fluxo estrangeiro e risco doméstico

Mercados internacionais começam a semana com apetite por ações de tecnologia, mas Bolsa brasileira segue pressionada por saída de capital estrangeiro, desaceleração da atividade econômica, crise da Casas Bahia e incertezas fiscais e eleitorais


Publicado em: 17/08/2026 às 10:55hs

Bolsas globais sobem com tecnologia na Ásia, enquanto Ibovespa enfrenta pressão de fluxo estrangeiro e risco doméstico

As bolsas de valores iniciaram a semana de 17 de agosto de 2026 em direções distintas. Enquanto os mercados asiáticos fecharam majoritariamente em alta, liderados pelas ações de tecnologia e semicondutores na China, as bolsas europeias operam próximas da estabilidade, e os futuros de Wall Street apontam para uma abertura moderadamente positiva.

No Brasil, o cenário é mais desafiador. O Ibovespa permanece pressionado após nove pregões consecutivos de queda, enquanto o dólar comercial opera na faixa de R$ 5,22. Investidores avaliam dados de atividade econômica mais fracos, a deterioração do ambiente doméstico, a saída de recursos estrangeiros e o pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia, com passivos de R$ 17,3 bilhões.

Ásia termina o dia com forte alta das ações de tecnologia

Na Ásia, a sessão foi marcada pelo avanço das ações chinesas, especialmente nos segmentos de chips, inteligência artificial e tecnologia.

O índice CSI 300 subiu 1,61%, aos 4.741 pontos, enquanto o Shanghai Composite (SSEC) avançou 1,41%, aos 3.982 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng ganhou 1,34%, aos 25.453 pontos.

O movimento foi ainda mais forte entre empresas ligadas à tecnologia. O índice chinês de chips avançou cerca de 5%, enquanto o indicador de inteligência artificial ganhou aproximadamente 3,3%. O STAR 50, concentrado em empresas de tecnologia, avançou cerca de 4,1%.

Entre os demais mercados, o Nikkei 225, de Tóquio, subiu 0,74%, aos 69.220 pontos. O TAIEX, de Taiwan, ganhou 0,10%, enquanto o Straits Times, de Cingapura, avançou 0,43%. Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 0,46%. A Bolsa da Coreia do Sul permaneceu fechada devido a feriado.

A alta das ações chinesas ocorreu mesmo diante de sinais de perda de ritmo da economia. Dados de julho mostraram desaceleração da produção industrial e das vendas no varejo, reforçando a percepção de que a demanda doméstica continua sendo um ponto de atenção para a segunda maior economia do mundo.

O mercado, portanto, passa a equilibrar dois vetores: de um lado, a força dos resultados corporativos e o entusiasmo com tecnologia e inteligência artificial; de outro, sinais de enfraquecimento da atividade econômica chinesa.

Europa opera perto da estabilidade

Na Europa, o comportamento é mais moderado. O STOXX 600 avançava cerca de 0,1% no início da sessão, aos 658,51 pontos, com destaque para empresas de recursos básicos e tecnologia.

O setor de mineração ganha força com a valorização do ouro e do cobre, enquanto empresas de tecnologia também apresentam desempenho positivo. O movimento ocorre em um ambiente no qual investidores reduziram as apostas em uma eventual elevação dos juros pelo Federal Reserve.

Entre os principais mercados europeus, Londres apresenta alta, enquanto Paris e Frankfurt oscilam próximas da estabilidade. O DAX alemão permanece próximo de níveis recordes, enquanto o FTSE 100 britânico opera em terreno positivo.

O mercado europeu também acompanha os desdobramentos geopolíticos no Oriente Médio e os preços do petróleo, que permanecem elevados diante das incertezas envolvendo Estados Unidos, Irã e o Estreito de Ormuz.

Wall Street começa a semana com futuros positivos para tecnologia

Nos Estados Unidos, os futuros dos principais índices apontam para uma abertura relativamente tranquila, com S&P 500 e Nasdaq-100 em alta, enquanto os contratos futuros do Dow Jones apresentam leve baixa.

O movimento ocorre depois de o S&P 500 ter alcançado máxima histórica na semana passada. A expectativa de que o Federal Reserve não aumente os juros em setembro continua contribuindo para o apetite por ações, especialmente empresas ligadas à tecnologia e inteligência artificial.

Os investidores também aguardam a divulgação, na quarta-feira, da ata da última reunião do Federal Reserve, que poderá oferecer novas pistas sobre os próximos passos da política monetária norte-americana.

A agenda corporativa também ganha importância, com resultados de grandes varejistas dos Estados Unidos, incluindo Walmart, Target e Home Depot, que poderão fornecer informações adicionais sobre a força do consumidor americano.

Ibovespa enfrenta sequência negativa e pressão do capital estrangeiro

No Brasil, o início da semana é marcado por cautela.

O Ibovespa acumulou nove pregões consecutivos de queda, com perda superior a 7% na sequência recente e forte saída de capital estrangeiro da Bolsa. Segundo levantamento citado pelo mercado, o fluxo estrangeiro negativo alcançou bilhões de reais em agosto, ampliando a pressão sobre os ativos brasileiros.

Na manhã desta segunda-feira, o índice operava próximo de 166,9 mil pontos, com leve baixa, enquanto o dólar comercial girava em torno de R$ 5,22.

A abertura ocorre após uma combinação de fatores domésticos e externos que elevou a percepção de risco dos investidores.

Entre os principais pontos de atenção estão:

  • desaceleração da atividade econômica;
  • saída de capital estrangeiro da B3;
  • ambiente fiscal ainda sensível;
  • incertezas relacionadas ao cenário político-eleitoral;
  • juros elevados;
  • petróleo em alta;
  • recuperação judicial da Casas Bahia;
  • comportamento dos mercados norte-americanos;
  • decisões futuras dos principais bancos centrais.
IBC-Br reforça percepção de desaceleração da economia brasileira

Um dos principais indicadores do dia é o IBC-Br, considerado uma prévia do Produto Interno Bruto brasileiro.

O indicador registrou retração de 0,6% em junho, sinalizando perda de força da atividade econômica e adicionando pressão sobre os ativos domésticos. A leitura passou a ser um dos principais pontos de atenção do mercado nesta segunda-feira.

O resultado reforça o debate sobre o ritmo de crescimento da economia brasileira em um ambiente de juros elevados e condições financeiras restritivas.

Ao mesmo tempo, o mercado acompanha o Boletim Focus, as expectativas para inflação e juros e as próximas manifestações do Banco Central.

Casas Bahia adiciona novo foco de preocupação para o mercado

O pedido de recuperação judicial do Grupo Casas Bahia tornou-se um dos principais acontecimentos corporativos do pregão brasileiro.

A companhia protocolou o pedido na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, envolvendo um passivo de aproximadamente R$ 17,3 bilhões. A empresa atribui a deterioração financeira a fatores como juros elevados, restrição de crédito e deterioração das condições econômicas.

A companhia também enfrenta prejuízo bilionário e vem passando por um processo de redução de sua estrutura operacional, aumentando a preocupação dos investidores com o setor de varejo e com empresas mais expostas ao custo do crédito.

O caso ganha relevância adicional em um cenário de juros ainda elevados no Brasil, no qual empresas altamente alavancadas permanecem mais vulneráveis.

Petrobras permanece no radar com petróleo e Margem Equatorial

A Petrobras também está entre os principais ativos acompanhados pelos investidores.

A estatal confirmou indícios de petróleo no poço Morpho, na região da Bacia da Foz do Amazonas, dentro da Margem Equatorial. O desenvolvimento da área permanece entre os temas estratégicos para a companhia e para o mercado brasileiro de energia.

Ao mesmo tempo, a alta do petróleo internacional pode influenciar as ações da Petrobras, embora também aumente a preocupação com inflação e custos de energia.

Petróleo continua sendo fator de risco para inflação global

O mercado internacional acompanha de perto o comportamento do petróleo.

O Brent era negociado próximo de US$ 88,80 por barril nesta segunda-feira, enquanto o WTI apresentava comportamento mais volátil. As cotações permanecem sustentadas pelo risco de interrupções no fornecimento diante das tensões no Oriente Médio e dos problemas envolvendo o tráfego no Estreito de Ormuz.

A possibilidade de interrupções no fluxo de petróleo mantém um prêmio de risco relevante sobre os contratos futuros.

Para países importadores de energia, uma permanência do petróleo em patamares elevados pode dificultar o processo de desinflação e reduzir o espaço para cortes de juros.

Mercado global entra em semana decisiva

O comportamento dos mercados nesta segunda-feira mostra uma divisão clara.

Na Ásia, tecnologia e semicondutores sustentaram fortes ganhos, apesar dos sinais de desaceleração da economia chinesa. Na Europa, os índices operam próximos da estabilidade, enquanto os investidores acompanham juros, petróleo e geopolítica.

Nos Estados Unidos, o mercado começa a semana com maior apetite por tecnologia e expectativa em torno da política monetária do Federal Reserve.

No Brasil, entretanto, a combinação entre atividade econômica mais fraca, saída de estrangeiros, incertezas domésticas e crise corporativa mantém o Ibovespa sob pressão.

O resultado é um ambiente de elevada seletividade, no qual os investidores devem acompanhar simultaneamente os indicadores econômicos, os resultados empresariais, o comportamento do dólar e das commodities e os próximos sinais dos bancos centrais.

Bolsas de valores hoje: principais referências
  • Ásia — fechamento
    • Nikkei 225: +0,74%
    • Hang Seng: +1,34%
    • Shanghai Composite: +1,41%
    • CSI 300: +1,61%
    • TAIEX: +0,10%
    • Straits Times: +0,43%
    • S&P/ASX 200: -0,46%
    • Kospi: fechado
  • Europa — manhã
    • STOXX 600: cerca de +0,1%
    • DAX: próximo da estabilidade
    • FTSE 100: alta moderada
    • CAC 40: leve baixa
  • Brasil — manhã
    • Ibovespa: cerca de 166,9 mil pontos
    • Dólar comercial: cerca de R$ 5,22
    • Brent: cerca de US$ 88,80/barril
O que acompanhar no mercado nesta semana

Os investidores devem concentrar atenção na ata do Federal Reserve, nos indicadores de atividade dos Estados Unidos, nos resultados de grandes varejistas norte-americanos, nos próximos dados econômicos brasileiros e na evolução das tensões no Oriente Médio.

Para o agronegócio, o comportamento do dólar, petróleo, juros e bolsas internacionais permanece especialmente relevante, pois influencia custos de produção, fertilizantes, combustíveis, exportações e preços das principais commodities brasileiras.

Resumo do mercado: o exterior começa a semana relativamente favorável às ações de tecnologia, enquanto o Brasil enfrenta uma combinação de fatores domésticos que mantém o Ibovespa pressionado. A trajetória do dólar, do petróleo e dos juros será determinante para o comportamento dos ativos brasileiros nos próximos dias.

Fonte: Portal do Agronegócio

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