Bolsas globais recuam com temor de alta de juros nos EUA; Ibovespa futuro cai e dólar ronda R$ 5,11
Mercados da Ásia encerraram a sessão em forte baixa, enquanto bolsas europeias e futuros de Wall Street ensaiaram recuperação com o recuo do petróleo; inflação no Brasil e nos Estados Unidos mantém juros no centro das atenções
Publicado em: 11/09/2026 às 10:55hs
Os mercados financeiros operam em clima de cautela nesta sexta-feira (11/09), diante das preocupações com a inflação, da possibilidade de novas altas de juros nas principais economias e da volatilidade dos preços do petróleo. No Brasil, o Ibovespa futuro abriu em leve queda, enquanto o dólar permaneceu próximo da estabilidade, ao redor de R$ 5,11.
Na Ásia, as bolsas encerraram majoritariamente em baixa. Investidores reduziram a exposição a ativos de risco com o aumento das apostas de que o Federal Reserve (Fed) poderá elevar os juros dos Estados Unidos para conter as pressões inflacionárias.
O movimento foi acompanhado por uma forte correção nas ações de tecnologia e pela redução da liquidez nos mercados da China. Na Europa, entretanto, os índices acionários apresentaram recuperação parcial, beneficiados pela queda do petróleo após o Brent se aproximar de US$ 110 por barril.
Ibovespa futuro recua e dólar permanece perto de R$ 5,11
O Ibovespa futuro iniciou a sessão com queda de 0,21%, operando próximo dos 189.790 pontos. O movimento ocorre depois de o Ibovespa à vista encerrar a quinta-feira (10/09) em alta de 1,42%, aos 188.268 pontos.
O mercado brasileiro havia recebido apoio do fluxo de capital estrangeiro e da valorização das ações da Petrobras. Desde 21 de agosto, os aportes externos na B3 somavam aproximadamente R$ 10,5 bilhões, contribuindo para uma recuperação de cerca de 12% do principal índice da Bolsa brasileira no período.
No câmbio, o dólar comercial abriu cotado a R$ 5,113 para venda, com leve variação negativa de aproximadamente 0,2%. Na sessão anterior, a moeda norte-americana terminou negociada a R$ 5,103, após chegar a superar R$ 5,14 durante o dia.
IPCA registra deflação e mercado projeta corte da Selic
A agenda doméstica tem como principal destaque o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). A inflação oficial brasileira recuou 0,32% em agosto, influenciada principalmente pelas quedas nos preços da energia elétrica e dos alimentos.
O resultado mantém a inflação em trajetória de desaceleração e reforça as expectativas de novo corte da taxa básica de juros. Os contratos de Opções de Copom negociados na B3 indicavam probabilidade de 95% de redução de 0,25 ponto percentual na próxima reunião.
Caso essa projeção se confirme, a Selic passará dos atuais 14% para 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária se reúne na próxima semana, paralelamente à decisão de juros do Federal Reserve nos Estados Unidos.
Cenário eleitoral influencia Bolsa e dólar
Além dos indicadores econômicos, investidores monitoram a divulgação de pesquisas sobre a eleição presidencial brasileira. A movimentação dos ativos ligada às expectativas para a política econômica e fiscal tem sido chamada pelo mercado de “trade eleitoral”.
Na quinta-feira, a repercussão de uma nova pesquisa eleitoral ajudou a fortalecer o real e favoreceu ativos domésticos. O mercado associa candidaturas com maior compromisso fiscal à possibilidade de controle mais rigoroso das contas públicas.
Apesar disso, a disputa eleitoral deve continuar aumentando a volatilidade do dólar, dos juros futuros e das ações de empresas dependentes da economia brasileira.
Bolsas da China encerram semana em queda
As bolsas da China e de Hong Kong terminaram a sexta-feira em baixa, pressionadas pelo ambiente internacional, pelos juros dos Estados Unidos e pela menor disposição dos investidores para assumir riscos.
O índice de Xangai caiu 1,18%, aos 3.888 pontos. O CSI 300, que reúne as maiores companhias negociadas nas bolsas de Xangai e Shenzhen, recuou 0,84%, aos 4.510 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,60%, encerrando aos 24.805 pontos. Na semana, o CSI 300 acumulou queda de 0,8% e atingiu seu menor patamar desde o começo de abril. O Hang Seng recuou 3,3% no período.
A liquidez também diminuiu. O volume diário negociado nas bolsas chinesas permaneceu próximo dos menores níveis de 2026, refletindo a cautela após a realização de lucros em ações ligadas à inteligência artificial.
O índice STAR 50, que concentra empresas de tecnologia, chegou a recuar 3% e atingiu o menor nível desde o fim de abril.
Nikkei e Kospi registram fortes perdas na Ásia
A pressão vendedora atingiu praticamente todos os principais mercados asiáticos. O índice MSCI de ações da Ásia-Pacífico, excluindo o Japão, caiu aproximadamente 1,5%, enquanto o Nikkei recuou perto de 1,9%.
Em Tóquio, o Nikkei encerrou em queda de 1,93%, aos 64.011 pontos. Na Coreia do Sul, o Kospi desvalorizou 1,76%, aos 6.909 pontos.
Em Taiwan, o Taiex perdeu 1,61%, aos 46.184 pontos. Na Austrália, o S&P/ASX 200 caiu 0,89%, aos 8.741 pontos.
Cingapura destoou do desempenho regional. O Straits Times avançou 0,11%, aos 5.695 pontos.
Bolsas europeias avançam com queda do petróleo
Depois das perdas recentes, os mercados europeus apresentaram recuperação parcial. O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava aproximadamente 0,6%, embora ainda acumulasse queda de 1,5% na semana.
O alívio ocorreu após a redução das cotações do petróleo e do gás natural. Mesmo assim, o mercado mantém cautela diante da possibilidade de novas elevações de juros na Europa.
O Banco Central Europeu aumentou sua taxa básica para 2,50% na quinta-feira. Integrantes da instituição já admitem a possibilidade de um novo ajuste nos próximos meses, caso a inflação permaneça resistente.
Futuros de Wall Street avançam, mas juros seguem no radar
Nos Estados Unidos, os contratos futuros do S&P 500 e do Nasdaq subiam aproximadamente 0,6% durante a manhã, sinalizando uma tentativa de recuperação após quatro sessões consecutivas de perdas.
Na quinta-feira, o S&P 500 e o Dow Jones recuaram cerca de 0,6%, enquanto o Nasdaq perdeu aproximadamente 0,7%. O movimento refletiu a alta do petróleo, os dados de inflação ao produtor e o avanço dos rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano.
O rendimento dos títulos de dez anos dos Estados Unidos operava ao redor de 4,94%, depois de alcançar 4,979%, maior nível em quase três anos. Nos papéis de dois anos, a taxa chegou a 4,5961%, máxima em 14 meses.
O mercado chegou a precificar uma probabilidade próxima de 67% de aumento dos juros norte-americanos na próxima reunião do Fed.
Inflação dos Estados Unidos aumenta pressão sobre o Fed
O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos tornou-se um dos principais direcionadores dos mercados globais. A inflação norte-americana de agosto avançou 0,4% na comparação mensal, enquanto o núcleo do indicador, que exclui itens mais voláteis, ficou acima das projeções.
O resultado reforçou as expectativas de aperto monetário nos Estados Unidos. Juros mais elevados tendem a fortalecer o dólar, reduzir a liquidez internacional e aumentar a pressão sobre moedas, commodities e bolsas de países emergentes.
O cenário também afeta diretamente o agronegócio brasileiro. A valorização da moeda norte-americana pode favorecer as receitas dos exportadores, mas encarece fertilizantes, defensivos, combustíveis e outros insumos importados.
Petróleo recua após atingir quase US$ 110 por barril
Os contratos internacionais de petróleo passaram por uma realização de lucros depois das fortes altas registradas nos últimos dias.
O Brent chegou a US$ 109,97 por barril, maior cotação em quatro meses, mas recuou posteriormente mais de 3,5%, para cerca de US$ 103,64. Apesar da queda diária, a commodity ainda acumulava valorização semanal superior a 7,5%.
A volatilidade está relacionada às restrições no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz e às tensões entre Estados Unidos e Irã. A perspectiva de um acordo temporário para normalizar parcialmente a navegação na região contribuiu para aliviar os preços.
Mesmo com a correção, o petróleo permanece acima de US$ 100 por barril, mantendo o alerta sobre possíveis impactos na inflação, nos fretes e nos custos de produção.
Mercado deve continuar volátil
A combinação entre petróleo elevado, inflação resistente, juros em alta e incertezas geopolíticas deve manter a volatilidade nas bolsas globais.
No Brasil, o mercado acompanhará especialmente a decisão do Copom, o comportamento do dólar, as pesquisas eleitorais e o fluxo de investidores estrangeiros. No exterior, as atenções permanecem concentradas no Federal Reserve, nos rendimentos dos títulos norte-americanos e nas tensões envolvendo o fornecimento global de energia.
Para o agronegócio, o cenário exige atenção redobrada. A oscilação do câmbio e das commodities pode alterar margens de exportação, custos logísticos, preços de insumos e decisões de comercialização nas próximas semanas.
Fonte: Portal do Agronegócio
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