Açúcar sobe em Nova York e Londres com petróleo em alta e oferta restrita na Índia
Valorização do petróleo fortalece a competitividade do etanol, enquanto mercado avalia possível redução da oferta de açúcar; no Brasil, cristal branco alcança R$ 119,11 por saca
Publicado em: 11/09/2026 às 11:20hs
Os preços do açúcar avançaram nas bolsas internacionais nesta quinta-feira (10), sustentados pela forte valorização do petróleo e pelas preocupações com a disponibilidade global da commodity. Os contratos negociados em Nova York e Londres encerraram o pregão em alta, enquanto o mercado brasileiro acompanhou o movimento, com ganhos para o açúcar cristal e o etanol hidratado.
Entre os principais fatores de suporte está a oferta restrita na Índia, um dos maiores produtores e consumidores mundiais de açúcar. O mercado também monitora as condições de produção no Brasil e na Tailândia, além dos possíveis impactos do petróleo sobre o mix produtivo das usinas.
Açúcar bruto avança na Bolsa de Nova York
Na ICE Futures US, em Nova York, os principais contratos do açúcar bruto fecharam em terreno positivo. O vencimento outubro de 2026 subiu 0,33 centavo de dólar, ou 1,8%, para 18,73 centavos de dólar por libra-peso.
O contrato março de 2027 avançou 0,36 centavo, equivalente a 1,85%, e terminou negociado a 19,75 centavos de dólar por libra-peso. Já o vencimento maio de 2027 ganhou 0,29 centavo, alcançando 19,05 centavos de dólar por libra-peso.
O desempenho prolongou a recuperação recente das cotações e refletiu a combinação entre o encarecimento da energia e as incertezas relacionadas à oferta internacional.
Açúcar branco também fecha em alta em Londres
Na ICE Futures Europe, em Londres, o açúcar branco acompanhou o movimento positivo. O contrato outubro de 2026 registrou valorização de US$ 4,00 e encerrou o pregão cotado a US$ 538,30 por tonelada.
O vencimento dezembro de 2026 avançou US$ 6,00, para US$ 541,60 por tonelada. Março de 2027 apresentou ganho de US$ 6,90, fechando a US$ 546,30 por tonelada.
Oferta restrita na Índia aumenta preocupação do mercado
A situação da Índia permanece no centro das atenções. O governo indiano solicitou às usinas que assegurem estoques suficientes para atender ao consumo durante a temporada de festivais, período tradicionalmente marcado pelo aumento da demanda.
Ao mesmo tempo, unidades produtoras do país avaliam importar aproximadamente 800 mil toneladas de açúcar bruto com isenção tributária. A movimentação reforçou a percepção de disponibilidade limitada no mercado indiano e ajudou a sustentar os contratos internacionais.
Investidores também acompanham as perspectivas de produção na Tailândia e as condições da safra brasileira. Qualquer redução nos volumes disponíveis para exportação poderá ampliar a pressão sobre os preços globais.
Petróleo fortalece etanol e pode alterar mix das usinas
A valorização superior a 6% registrada pelo petróleo no pregão trouxe um impulso adicional ao mercado sucroenergético. O encarecimento dos combustíveis fósseis tende a tornar o etanol mais competitivo, elevando a possibilidade de as usinas brasileiras destinarem uma parcela maior da cana-de-açúcar à fabricação do biocombustível.
Caso esse movimento se confirme, a produção brasileira de açúcar poderá perder participação no mix industrial. Como o Brasil ocupa posição de liderança nas exportações globais, mudanças na estratégia das unidades produtoras têm potencial para afetar a disponibilidade internacional da commodity.
Açúcar cristal sobe para R$ 119,11 por saca no Brasil
No mercado interno, o Indicador do Açúcar Cristal Branco CEPEA/ESALQ para São Paulo encerrou a quinta-feira em R$ 119,11 por saca de 50 quilos, avanço diário de 0,70%.
Com o resultado, a valorização acumulada em setembro chegou a 4,71%. Convertido para a moeda norte-americana, o indicador ficou em US$ 23,35 por saca.
O avanço reflete a oferta mais ajustada no mercado spot e o ambiente positivo observado nas bolsas internacionais, fatores que fortalecem a posição dos vendedores nas negociações domésticas.
Etanol hidratado dispara mais de 7% em Paulínia
O etanol hidratado também apresentou forte valorização no mercado paulista. O Indicador Diário de Paulínia alcançou R$ 2.735,50 por metro cúbico, alta de 7,55% em apenas um dia.
No acumulado do mês, o biocombustível já registra ganho de 10,73%. A escalada reforça a atenção sobre o mix de produção das usinas, especialmente diante da valorização simultânea do petróleo.
Mercado monitora oferta global e decisões das usinas
A tendência do açúcar nos próximos pregões deverá continuar condicionada ao comportamento do petróleo, à situação dos estoques indianos e às perspectivas de produção nos principais países fornecedores.
No Brasil, o avanço do etanol será determinante para as decisões das usinas. Uma mudança relevante no direcionamento da cana para o biocombustível poderá limitar a produção de açúcar e oferecer sustentação adicional às cotações domésticas e internacionais.
Fonte: Portal do Agronegócio
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