Bolsas globais oscilam antes de Jackson Hole; Ibovespa busca oitava alta e dólar vai a R$ 5,18
Mercados aguardam discurso do presidente do Federal Reserve, enquanto dados de emprego e inflação movimentam os ativos no Brasil; Europa avança, Ásia fecha mista e futuros de Wall Street mostram cautela
Publicado em: 28/08/2026 às 10:05hs
As bolsas mundiais operam sem direção única nesta sexta-feira (28), com os investidores concentrados no discurso do presidente do Federal Reserve, Kevin Warsh, no simpósio de Jackson Hole. A expectativa por sinais sobre os juros norte-americanos limita os movimentos dos mercados após a forte valorização das ações de tecnologia na véspera.
No Brasil, o Ibovespa abriu em alta e busca o oitavo avanço consecutivo, apoiado pelo fluxo estrangeiro e pelo desempenho recente de ações ligadas a commodities. O dólar comercial, por outro lado, ganhou força e alcançou a região de R$ 5,18 após começar o dia praticamente estável, a R$ 5,1627.
O mercado doméstico também repercute a queda da taxa de desemprego para 5,3% no trimestre encerrado em julho e a deflação de 0,22% do Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M) em agosto.
Ibovespa busca oitava alta consecutiva
O Ibovespa começou o pregão desta sexta-feira com viés positivo e chegou a operar acima dos 176 mil pontos durante a manhã. O principal índice da B3 tenta completar a oitava sessão consecutiva de valorização.
Desde 18 de agosto, a Bolsa brasileira acumula alta próxima de 5,3%. O movimento foi favorecido pela recuperação de empresas de grande peso no índice e pela retomada do interesse dos investidores estrangeiros.
Petrobras e Vale permanecem entre os principais destaques. As ações da estatal petrolífera vêm sendo beneficiadas pelo cenário do petróleo e por notícias relacionadas às exportações, enquanto os papéis da mineradora encontram suporte na valorização do minério de ferro.
Na quinta-feira (27), o Ibovespa avançou 0,31%, completando o sétimo pregão seguido de alta. A sequência mostra uma recuperação após um período de forte pressão sobre os ativos brasileiros.
A sustentação do movimento dependerá do ambiente externo, da sinalização do Federal Reserve e da evolução das incertezas eleitorais e fiscais no Brasil.
Dólar sobe para a faixa de R$ 5,18
O dólar comercial abriu praticamente estável, cotado a R$ 5,1627, mas avançou para a região de R$ 5,18 durante as negociações desta sexta-feira.
A moeda norte-americana continua reagindo à maior demanda doméstica por dólares, ao cenário eleitoral brasileiro e às expectativas para a política monetária dos Estados Unidos.
O Banco Central voltou a atuar no mercado com operações simultâneas envolvendo venda de dólares à vista e swaps cambiais reversos. A estratégia busca fornecer liquidez sem provocar uma alteração significativa na exposição cambial líquida da autoridade monetária.
O fluxo cambial brasileiro acumula saldo negativo de aproximadamente US$ 2,6 bilhões em agosto, ampliando a pressão sobre o real. O mercado também acompanha dúvidas relacionadas ao ajuste fiscal após as eleições.
A cotação permanece sensível ao discurso de Warsh. Uma postura mais rígida sobre o combate à inflação pode elevar os rendimentos dos títulos do Tesouro norte-americano e fortalecer o dólar mundialmente. Acompanhe a cotação do dólar.
Desemprego cai para 5,3% no Brasil
A taxa de desemprego brasileira recuou para 5,3% no trimestre encerrado em julho, alcançando o menor nível para o período desde o início da série histórica, em 2012.
O resultado reforça a percepção de resiliência do mercado de trabalho e pode sustentar a renda e o consumo das famílias. Para o mercado financeiro, entretanto, um nível elevado de ocupação também pode dificultar a desaceleração da inflação de serviços.
A população ocupada renovou o recorde, enquanto o rendimento médio permaneceu relativamente estável. O comportamento do emprego será considerado pelo Banco Central nas próximas decisões sobre a taxa Selic. Dados do mercado de trabalho brasileiro.
IGP-M registra deflação de 0,22% em agosto
O IGP-M caiu 0,22% em agosto, após recuar 1,16% em julho. Com o resultado, o indicador acumula alta de 1,85% em 2026 e de 2,16% nos últimos 12 meses.
A queda mensal foi favorecida pelo recuo de preços ao consumidor, especialmente energia elétrica, tomate, batata-inglesa, passagens aéreas e gasolina.
Apesar da deflação no mês, contratos de aluguel com vencimento em setembro e vinculados ao indicador poderão ser reajustados pela variação acumulada de 2,16% em 12 meses.
Em agosto de 2025, o IGP-M havia avançado 0,36%, com alta acumulada de 3,03% em 12 meses, segundo a FGV IBRE.
Wall Street aguarda discurso de Kevin Warsh
Os futuros dos índices norte-americanos apresentavam oscilações moderadas antes da abertura de Wall Street.
Na atualização da manhã, os contratos futuros do Dow Jones avançavam cerca de 0,18%, enquanto os do S&P 500 subiam 0,10%. Os futuros do Nasdaq 100 recuavam aproximadamente 0,12%, indicando uma pausa no movimento de valorização das empresas de tecnologia.
Os investidores aguardam a fala de Kevin Warsh em Jackson Hole para avaliar a possibilidade de uma alteração nos juros dos Estados Unidos. A inflação norte-americana ainda permanece acima da meta de 2%, aumentando a cautela do banco central.
O mercado estima probabilidade próxima de 35% de elevação dos juros em setembro. Uma sinalização mais dura poderá pressionar as bolsas, fortalecer o dólar e afetar os preços internacionais das commodities.
Nvidia impulsionou Wall Street na quinta-feira
Na quinta-feira, os principais índices norte-americanos fecharam em alta após a Nvidia divulgar uma previsão de resultados que reforçou a confiança na continuidade dos investimentos em inteligência artificial.
O Dow Jones avançou 0,20%, o S&P 500 subiu 0,72% e o Nasdaq ganhou 1,57%.
A projeção de crescimento de aproximadamente 70% da receita da Nvidia no próximo exercício ajudou a reduzir as preocupações com uma eventual desaceleração da demanda por chips e infraestrutura de inteligência artificial.
Apesar da reação positiva, fundos globais de ações registraram saques líquidos de US$ 5,87 bilhões na semana encerrada em 26 de agosto, interrompendo uma sequência de 13 semanas de entradas. Somente os fundos de ações dos Estados Unidos tiveram retiradas de US$ 22,33 bilhões, segundo levantamento citado pela Reuters.
Bolsas europeias avançam após perdas da véspera
As bolsas da Europa operam em alta nesta sexta-feira, recuperando parte das perdas registradas no pregão anterior.
O índice pan-europeu Stoxx 600 avançava aproximadamente 0,5%, aos 655,33 pontos. Em Paris, o CAC 40 subia perto de 1,1%, enquanto o DAX, de Frankfurt, apresentava valorização ao redor de 0,6%.
Os bancos franceses lideravam a recuperação em Paris depois das quedas provocadas pelas preocupações políticas e fiscais relacionadas às eleições presidenciais previstas para 2027.
O mercado também repercute a revisão do crescimento da França no segundo trimestre para zero, além da elevação dos juros dos títulos públicos europeus. O rendimento do título alemão de dez anos atingiu o maior nível em aproximadamente 15 anos.
Na quinta-feira, o Stoxx 600 havia recuado 0,72%, aos 651,70 pontos. O FTSE 100, de Londres, caiu 0,79%, e o CAC 40 perdeu 1,68%. O DAX destoou ao avançar 0,31%.
A recuperação desta sexta-feira ocorre enquanto os investidores aguardam as declarações do Federal Reserve e acompanham as tensões entre Estados Unidos e Irã. Bolsas europeias nesta sexta-feira.
Bolsas asiáticas fecham sem direção única
Os mercados asiáticos encerraram o pregão desta sexta-feira com desempenho misto. As ações chinesas recuaram, pressionadas principalmente pelos setores de biotecnologia e fabricação de chips.
Em Xangai, o índice SSEC caiu 0,11%, aos 3.952 pontos. O CSI 300, que reúne as maiores empresas listadas em Xangai e Shenzhen, perdeu 0,46%, aos 4.609 pontos.
Em Hong Kong, o Hang Seng avançou 0,07%, aos 25.584 pontos. O Nikkei, de Tóquio, subiu 0,41%, encerrando aos 66.405 pontos.
Na Coreia do Sul, o Kospi caiu 1,79%, aos 6.788 pontos, pressionado pelas ações de semicondutores. Em Taiwan, o Taiex ganhou 0,77%, aos 46.331 pontos.
O Straits Times, de Cingapura, recuou 0,07%, aos 5.680 pontos, enquanto o S&P/ASX 200, de Sydney, avançou 0,60%, aos 9.092 pontos. Resumo dos mercados globais.
Ações chinesas perdem força com pressão sobre fabricantes de chips
As ações da China foram afetadas pelo desempenho negativo das fabricantes de semicondutores e das empresas de biotecnologia. Os ganhos das companhias ligadas às commodities não foram suficientes para sustentar os índices.
O aumento dos rendimentos dos títulos públicos dos Estados Unidos também reduziu o entusiasmo com as ações negociadas no mercado doméstico chinês.
Segundo avaliação do Morgan Stanley, o otimismo com as chamadas ações A diminuiu diante dos juros norte-americanos mais altos. O banco ainda identifica espaço para uma melhora do mercado conforme o excesso de liquidez seja reduzido e as negociações globais ligadas à inteligência artificial recuperem força.
Os investidores também demonstram preocupação com a possibilidade de grandes ofertas públicas iniciais drenarem recursos do mercado secundário. Entre as operações acompanhadas está a abertura de capital da fabricante de chips CXMT.
Juros dos Estados Unidos definem rumo dos mercados
O discurso de Kevin Warsh deverá direcionar o comportamento das bolsas, do dólar e dos preços das commodities ao longo do restante desta sexta-feira.
Caso o presidente do Fed sinalize juros elevados por um período prolongado, os mercados emergentes poderão enfrentar redução do fluxo de capital e fortalecimento da moeda norte-americana.
Uma fala considerada equilibrada, por outro lado, pode preservar o apetite por risco e sustentar as ações de tecnologia, commodities e empresas de países emergentes.
No Brasil, a combinação entre fluxo estrangeiro, desemprego historicamente baixo, deflação nos indicadores de preços e maior incerteza eleitoral continuará determinando o comportamento do Ibovespa e do dólar.
Fonte: Portal do Agronegócio
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