Café dispara a máximas de oito meses, mas despenca com vendas de fundos e avanço da safra brasileira
Estoques certificados de arábica em Nova York podem atingir o menor nível em 26 anos, enquanto falta de espaço nos armazéns brasileiros aumenta a expectativa de maior oferta no mercado
Publicado em: 28/08/2026 às 18:00hs
O mercado futuro de café atravessou uma semana de forte volatilidade, alternando altas expressivas e quedas acentuadas nas bolsas internacionais. A redução dos estoques certificados em Nova York levou o café arábica às maiores cotações em quase oito meses, mas o movimento perdeu força diante da realização de lucros, das vendas automáticas de fundos e da perspectiva de aumento da oferta brasileira.
O contrato de arábica com vencimento em dezembro chegou a atingir 345,65 centavos de dólar por libra-peso durante as negociações intradiárias. Após alcançar esse patamar, porém, a cotação iniciou uma forte correção e recuou para a região de 306 centavos por libra-peso na quinta-feira.
Estoques de café em Nova York sustentam valorização
A escalada inicial dos preços foi impulsionada principalmente pela situação dos estoques certificados da Bolsa de Nova York, considerados críticos por operadores do mercado.
Em 27 de agosto, os armazéns credenciados pela bolsa contabilizavam 224.011 sacas de café. No mesmo período do ano anterior, o volume estava próximo de 717 mil sacas.
A redução anual chega a aproximadamente 493 mil sacas, equivalente a uma queda de quase 69%. Agentes do setor avaliam que os estoques podem atingir, nos próximos dias, o menor nível em 26 anos.
A disponibilidade limitada de café certificado aumenta a preocupação com o abastecimento dos contratos negociados na bolsa e favorece movimentos especulativos de alta, especialmente nos vencimentos mais próximos.
Café arábica perde força após atingir máxima
Depois de alcançar 345,65 centavos de dólar por libra-peso, o contrato dezembro iniciou um movimento de correção técnica. A queda ganhou intensidade na sessão seguinte, quando a cotação rompeu importantes níveis de suporte nos gráficos.
O recuo acionou ordens automáticas de venda e estimulou fundos e investidores especulativos a reduzirem posições compradas. Com isso, o café arábica caiu para perto de 306 centavos por libra-peso.
Entre a máxima intradiária e o patamar observado na quinta-feira, a desvalorização foi de quase 40 centavos de dólar por libra-peso, evidenciando a elevada instabilidade dos preços.
Safra brasileira reduz temores sobre abastecimento
A expectativa de maior disponibilidade de café no Brasil contribuiu para amenizar as preocupações provocadas pelos baixos estoques internacionais.
A entrada da produção brasileira no mercado ampliou a percepção de que a oferta poderá crescer nos próximos meses. Esse cenário levou investidores a realizar lucros e liquidar parte das posições compradas acumuladas durante a valorização.
Embora os estoques certificados de Nova York permaneçam reduzidos, a possibilidade de maior comercialização no Brasil passou a exercer pressão sobre os contratos futuros.
Falta de espaço pode acelerar venda de café no Brasil
Relatos do mercado indicam que diversos armazéns brasileiros estão próximos do limite de capacidade e, em alguns casos, já não recebem novos lotes devido à falta de espaço.
A situação pode obrigar produtores que vinham segurando o café à espera de preços mais elevados a ampliar as vendas. Com a capacidade de armazenamento comprometida, parte dos volumes retidos tende a chegar ao mercado físico, aumentando a disponibilidade interna.
Esse possível avanço da comercialização representa um fator de pressão sobre os preços, especialmente após a forte valorização registrada anteriormente.
Volatilidade deve continuar no mercado de café
O mercado permanece dividido entre dois fundamentos de grande impacto. De um lado, a queda dos estoques certificados em Nova York oferece sustentação às cotações e mantém o risco de novas altas. De outro, o avanço da oferta brasileira e a necessidade de liberar espaço nos armazéns podem ampliar as vendas e limitar a valorização.
Nesse ambiente, as cotações do café devem continuar sensíveis ao ritmo de comercialização no Brasil, à evolução dos estoques internacionais e à movimentação dos fundos nas bolsas. Para produtores e compradores, a forte oscilação reforça a importância de acompanhar o mercado e avaliar oportunidades de proteção de preços.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias