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Feijão e Pulses

Preço do feijão encontra suporte na oferta restrita, mas demanda fraca limita novas altas

Feijão-carioca mantém referências firmes para lotes de qualidade, enquanto mercado do feijão-preto registra baixa liquidez e estabilidade nas principais regiões produtoras


Publicado em: 28/08/2026 às 17:30hs

Preço do feijão encontra suporte na oferta restrita, mas demanda fraca limita novas altas

O mercado brasileiro de feijão encerrou a semana com preços sustentados pela oferta restrita, mas sem força compradora suficiente para confirmar uma nova rodada de valorização. No feijão-carioca, a procura perdeu intensidade após um início de semana mais movimentado. Já o feijão-preto permaneceu praticamente estável, com negócios pontuais e compradores cautelosos.

De acordo com análise da Safras & Mercado, a menor disponibilidade de lotes de boa qualidade evita uma queda generalizada das cotações. Ao mesmo tempo, os estoques recompostos pelos empacotadores reduzem a urgência nas aquisições e limitam os avanços de preços.

Nesse ambiente, fatores como qualidade, origem, disponibilidade regional e necessidade de reposição continuam determinando o ritmo das negociações.

Feijão-carioca inicia semana aquecido, mas perde liquidez

O mercado de feijão-carioca começou a semana com maior participação dos compradores e volume expressivo de negócios, tanto no disponível quanto nas operações para embarque.

A movimentação perdeu força a partir da tarde de segunda-feira. Depois de reforçarem seus estoques, os empacotadores passaram a negociar de forma mais seletiva, evitando compras além das necessidades imediatas.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a redução da urgência permitiu que os compradores observassem com maior cautela as pedidas. Os produtores, por sua vez, mantiveram firmes os preços dos lotes de melhor qualidade e evitaram concessões quando não havia necessidade imediata de caixa.

O resultado foi um mercado acomodado, com referências nominais e liquidez restrita.

Qualidade determina preço do feijão-carioca

A oferta disponível permaneceu concentrada principalmente em lotes com nota 8,5 ou superior. Nesse cenário, características como cor, tamanho dos grãos, peneira, umidade, índice de quebra e rendimento industrial ganharam ainda mais importância na formação das cotações.

Itapeva, no interior de São Paulo, terminou a semana como principal referência para o feijão-carioca de melhor padrão, negociado a R$ 332,73 por saca.

Em Barreiras, na Bahia, a cotação ficou em R$ 306,67 por saca. No Sul e Sudoeste de Minas Gerais, o produto foi indicado a R$ 305,60 por saca.

Para os padrões classificados entre notas 8 e 8,5, Itapeva registrou preço de R$ 309,53 por saca.

A diferença entre as cotações reforça a valorização dos lotes com melhor qualidade e maior rendimento para o empacotamento.

Oferta limitada impede queda generalizada

Apesar da perda de ritmo nas negociações, o mercado não apresentou uma redução ampla dos preços. A oferta negociável limitada funciona como suporte para as referências, especialmente nos lotes de maior padrão.

“A restrição de oferta não encontrou demanda suficiente para validar nova alta”, avaliou Evandro Oliveira. Segundo o analista, essa combinação mantém a liquidez travada e os preços predominantemente nominais.

Alguns embarques destinados ao mercado paulista chegaram a ser interrompidos, evidenciando a cautela dos compradores diante das condições atuais.

A reposição dos estoques será determinante para o comportamento das cotações na próxima semana. Caso os compradores retornem ao mercado simultaneamente, poderá ocorrer uma disputa mais intensa pelos lotes de melhor qualidade. Se a cautela continuar, a tendência será de manutenção da estabilidade.

Feijão-preto registra vendas modestas e baixa liquidez

O mercado de feijão-preto encerrou a semana com comportamento lateral, vendas reduzidas e pouca urgência por parte dos compradores.

A entressafra oferece sustentação às referências, mas não foi suficiente para impulsionar uma valorização consistente. Empacotadores e demais agentes da demanda evitaram formar estoques superiores às necessidades imediatas.

De acordo com Oliveira, a oferta disponível tende a aumentar rapidamente quando surgem oportunidades de preços melhores. Esse comportamento limita movimentos mais firmes de alta.

Assim como no carioca, o mercado do feijão-preto permanece condicionado ao equilíbrio entre a oferta regional e as necessidades pontuais de reposição.

Preços do feijão-preto variam entre as regiões

No Paraná, Curitiba encerrou a semana com o feijão-preto cotado a R$ 229,39 por saca. Na Metade Sul do estado, a referência ficou em R$ 213,29 por saca, demonstrando uma diferença relevante entre as praças.

No Oeste de Santa Catarina, o produto foi negociado ao redor de R$ 220 por saca.

Em São Paulo, Itapeva sustentou a referência de R$ 237,27 por saca. Na capital paulista, a cotação permaneceu em R$ 255 por saca.

As diferenças refletem fatores como disponibilidade local, padrão do produto, custos logísticos e destino da mercadoria. O cenário confirma a regionalização do mercado e a ausência de um movimento uniforme nas cotações.

Reposição será decisiva para o preço do feijão

No curto prazo, a expectativa é de estabilidade tanto para o feijão-carioca quanto para o feijão-preto, embora oscilações pontuais possam ocorrer diante do surgimento de lotes de qualidade ou de novas necessidades de compra.

O risco de valorização aumenta se os compradores retornarem ao mercado ao mesmo tempo e encontrarem uma oferta ainda mais restrita. Em sentido contrário, poderá haver pressão sobre os preços caso os produtores ampliem a disponibilidade diante de empacotadores abastecidos.

Com isso, o mercado permanece dividido entre dois vetores: de um lado, a oferta limitada sustenta as referências; de outro, a demanda cautelosa reduz a liquidez e impede a consolidação de novas altas.

Fonte: Portal do Agronegócio

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