Preço do milho sobe no Brasil com oferta restrita, exportação favorável e alta em Chicago
Média nacional avançou 3,37% e chegou a R$ 66,17 por saca, enquanto produtores limitaram as vendas e compradores resistiram às novas valorizações
Publicado em: 28/08/2026 às 18:40hs
Os preços do milho encerraram a semana em alta no mercado brasileiro, sustentados pela menor disposição dos produtores para negociar e pela melhora da paridade de exportação. Apesar da valorização, a comercialização continuou lenta, com compradores cautelosos diante das novas pedidas.
De acordo com a Safras & Mercado, os vendedores reduziram a fixação de ofertas e passaram a apostar em preços mais elevados nos próximos meses. O comportamento foi influenciado pelos ganhos registrados nos mercados futuros e pelas melhores condições para os embarques brasileiros.
Na ponta compradora, consumidores ainda resistem a pagar valores significativamente maiores. Em determinadas regiões, os estoques permanecem confortáveis e reduzem a necessidade de novas aquisições. Em São Paulo, porém, compradores já demonstram maior interesse por lotes diante da menor disponibilidade do cereal.
Preço médio do milho sobe 3,37% no Brasil
O preço médio da saca de milho no mercado brasileiro alcançou R$ 66,17 em 27 de agosto. O valor representa alta semanal de 3,37% diante dos R$ 64,01 registrados no período anterior.
A valorização foi mais intensa em regiões de Mato Grosso, Goiás e São Paulo. Em Rio Verde (GO), a cotação avançou 10,17%, passando de R$ 59 para R$ 65 por saca.
Em Rondonópolis (MT), o preço subiu 8,06%, de R$ 62 para R$ 67 por saca. Na região da Mogiana paulista, houve aumento de 6,25%, com a cotação avançando de R$ 64 para R$ 68.
No mercado CIF de Campinas (SP), o milho chegou a R$ 74 por saca, valorização de 5,71% diante dos R$ 70 registrados no encerramento da semana anterior.
Em Uberlândia (MG), a referência de venda passou de R$ 63 para R$ 64 por saca, alta de 1,59%. Cascavel (PR) permaneceu estável em R$ 63, enquanto Erechim (RS) manteve a cotação de R$ 70 por saca.
Colheita da segunda safra avança no País
A colheita da segunda safra de milho segue avançando em ritmo satisfatório na maior parte das regiões produtoras. Entretanto, São Paulo e Minas Gerais ainda possuem volumes consideráveis a serem retirados das lavouras.
Mesmo com a entrada do milho da safrinha, a retração dos vendedores tem limitado a disponibilidade imediata. Parte dos produtores prefere armazenar o cereal e aguardar oportunidades mais favoráveis de comercialização.
Essa estratégia reduz a pressão sazonal que normalmente acompanha o avanço da colheita e contribui para sustentar as cotações no mercado físico.
Milho em Chicago atinge maior nível desde julho de 2023
No mercado internacional, os contratos futuros do milho voltaram a subir ao longo da semana e alcançaram os maiores patamares desde julho de 2023.
As cotações foram impulsionadas pelas perspectivas de queda na produtividade das lavouras norte-americanas. Chuvas irregulares e temperaturas elevadas aumentaram as preocupações com o desenvolvimento da safra dos Estados Unidos, enquanto sinais de demanda aquecida reforçaram o movimento positivo.
A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia também ampliou o temor de interrupções no fornecimento de grãos pela região do Mar Negro. Além disso, o calor e a seca levantaram dúvidas sobre o potencial produtivo da safra europeia.
A valorização em Chicago melhora a paridade de exportação do milho brasileiro e fortalece a posição dos vendedores no mercado doméstico.
Exportações brasileiras somam 3,43 milhões de toneladas em agosto
O Brasil exportou 3,433 milhões de toneladas de milho nos primeiros 15 dias úteis de agosto, conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex). A média diária dos embarques ficou em 228,923 mil toneladas.
A receita acumulada alcançou US$ 745,065 milhões, com média diária de US$ 49,671 milhões. O preço médio do cereal exportado ficou em US$ 217 por tonelada.
Na comparação com agosto de 2025, a receita média diária caiu 23%. A quantidade média embarcada por dia apresentou redução de 29,8%, enquanto o preço médio da tonelada avançou 9,6%.
Oferta limitada pode manter cotações firmes
O mercado brasileiro de milho deverá continuar condicionado pela disputa entre a resistência dos compradores e a estratégia dos produtores de limitar as vendas.
A evolução da colheita em São Paulo e Minas Gerais poderá ampliar a disponibilidade no curto prazo. Entretanto, a valorização internacional, a melhora da paridade de exportação e a menor intenção de venda tendem a limitar possíveis quedas.
Com esse conjunto de fatores, os preços do milho podem permanecer firmes, embora a baixa liquidez e o abastecimento confortável em algumas regiões continuem restringindo movimentos mais expressivos de alta.
Fonte: Portal do Agronegócio
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