Preço do arroz se aproxima de R$ 80 por saca, mas consumo limita novas altas no mercado
Indústrias reduzem o ritmo das compras após recompor estoques, enquanto a resistência do varejo aos reajustes coloca em risco a continuidade da valorização do arroz em casca
Publicado em: 28/08/2026 às 19:00hs
O mercado brasileiro de arroz entrou em uma fase de maior equilíbrio entre oferta e demanda. Após a valorização registrada nos últimos meses, os preços recuperaram parte da remuneração dos produtores, mas a sustentação das cotações próximas de R$ 80 por saca de 50 quilos dependerá cada vez mais da reação do consumo.
De acordo com o analista e consultor da Safras & Mercado, Evandro Oliveira, a capacidade de retenção dos produtores continua influenciando o mercado. No entanto, o comportamento da demanda passou a ser determinante para definir os próximos movimentos dos preços do arroz.
Mercado de arroz perde força após período de valorização
Na Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul, as cotações permanecem firmes. Já no Litoral Sul, o mercado chegou a testar valores mais elevados.
Apesar disso, o preço do arroz não apresenta avanço consistente há aproximadamente dez dias, indicando perda de força no movimento de alta. O cenário mostra que a corrida da indústria pela matéria-prima perdeu intensidade.
Após recompor seus estoques, a indústria beneficiadora passou a controlar o ritmo das aquisições e reduziu a agressividade nas negociações com os produtores.
Varejo resiste aos reajustes no preço do arroz
A principal preocupação do setor está na capacidade de repassar a valorização do arroz ao consumidor final. Segundo Oliveira, o varejo já demonstra resistência aos reajustes, o que pode levar à adoção de descontos e bonificações.
Esse movimento também tende a comprimir as margens das indústrias. Caso o consumidor não absorva integralmente os aumentos, o acúmulo de produto nos canais de distribuição poderá limitar novas altas no mercado.
A disputa entre compradores e vendedores continua, mas agora ocorre em um ambiente de menor urgência por parte das indústrias.
Retenção dos produtores restringe oferta negociável
Na origem, os produtores seguem segurando parte dos estoques à espera de preços mais atrativos. Essa estratégia reduz a quantidade de arroz disponível para negociação imediata e contribui para sustentar as cotações.
O analista ressalta, porém, que não há escassez absoluta de arroz no mercado brasileiro. O produto está disponível, mas parte dos estoques permanece fora das negociações diante da expectativa de uma remuneração superior.
Arroz em casca acumula alta superior a 16% no mês
O Indicador Safras do arroz em casca no Rio Grande do Sul, considerando produto com rendimento entre 58% e 62% de grãos inteiros e pagamento à vista, encerrou a quinta-feira (27) cotado a R$ 79,35 por saca de 50 quilos.
Na comparação com a semana anterior, o preço avançou 1,98%. Em relação ao mesmo período do mês passado, a valorização acumulada chegou a 16,15%. Frente a 2025, a alta alcançou 15,26%.
A evolução das cotações nas próximas semanas dependerá principalmente do ritmo das compras industriais, da estratégia de venda dos produtores e da capacidade do varejo de repassar os preços ao consumidor.
Fonte: Portal do Agronegócio
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