Preço da soja sobe no Brasil com alta de Chicago e retomada dos negócios
Cotações avançam até R$ 5 por saca nas principais praças, enquanto demanda chinesa e tensões no Mar Negro sustentam os contratos futuros nos Estados Unidos
Publicado em: 28/08/2026 às 15:00hs
O mercado brasileiro de soja encerra a semana com valorização dos preços e maior ritmo de comercialização. O movimento foi impulsionado principalmente pela recuperação dos contratos futuros na Bolsa de Mercadorias de Chicago, enquanto os prêmios de exportação e o dólar permaneceram próximos da estabilidade.
A melhora das cotações estimulou novos negócios nas principais regiões produtoras e nos portos. Em algumas praças, a saca de 60 quilos acumulou alta de até R$ 5 ao longo da semana.
Além do desempenho de Chicago, o mercado encontrou suporte na demanda chinesa pela soja dos Estados Unidos e nas preocupações com o abastecimento de grãos do Mar Negro, diante da intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia.
Soja sobe até R$ 5 por saca nas principais praças
Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a cotação da soja avançou de R$ 146,50 para R$ 150 por saca, aumento de R$ 3,50 no período.
Em Cascavel, no Paraná, o preço passou de R$ 143 para R$ 146 por saca. Já em Rondonópolis, importante referência de Mato Grosso, a valorização foi mais intensa: a soja subiu de R$ 136 para R$ 141, ganho de R$ 5 por saca.
No Porto de Paranaguá, uma das principais referências para a soja destinada à exportação, a cotação avançou de R$ 154 para R$ 157 por saca.
A valorização simultânea no interior e nos portos melhorou a disposição dos produtores para negociar, após períodos de menor liquidez e maior resistência às ofertas dos compradores.
Chicago acumula valorização superior a 3%
Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros da soja com vencimento em novembro acumulavam alta superior a 3% na semana. Na manhã desta sexta-feira (28), o vencimento era negociado a US$ 12,79 1/4 por bushel.
Os contratos chegaram a sinalizar recuo no início da semana, pressionados pelas estimativas divulgadas após a tradicional expedição de campo da Pro Farmer nos Estados Unidos. Os números indicaram produtividade e produção acima das projeções oficiais do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Apesar da expectativa de uma safra norte-americana volumosa e do bom desenvolvimento das lavouras, outros fundamentos ganharam força e inverteram o movimento das cotações.
Demanda chinesa sustenta mercado da soja
A continuidade das compras chinesas de soja dos Estados Unidos segue como um dos principais fatores de sustentação em Chicago. A demanda firme ajuda a compensar parte da pressão gerada pelas perspectivas favoráveis para a produção norte-americana.
A China exerce influência decisiva na formação dos preços internacionais por ocupar a posição de maior importadora mundial da oleaginosa. Qualquer alteração no ritmo de compras chinesas pode provocar movimentos expressivos nos contratos futuros e nos prêmios praticados nos países exportadores.
Para o Brasil, o fortalecimento das cotações internacionais melhora a formação dos preços internos, especialmente quando o dólar e os prêmios de exportação não apresentam perdas capazes de neutralizar os ganhos de Chicago.
Trigo e milho reforçam valorização dos grãos
O mercado da soja também recebeu suporte da valorização dos demais grãos negociados nas bolsas internacionais. O trigo liderou os ganhos e contribuiu para levar os contratos de milho e soja ao território positivo.
A intensificação do conflito entre Rússia e Ucrânia voltou a elevar as preocupações com a disponibilidade de produtos agrícolas originados na região do Mar Negro. Os dois países ocupam posições importantes no comércio mundial de grãos, especialmente no mercado de trigo.
O aumento dos riscos sobre a produção, a logística e os embarques favoreceu uma recomposição dos prêmios de risco nas cotações internacionais. Embora o impacto mais direto tenha ocorrido sobre o trigo, o movimento se espalhou para milho e soja.
Pro Farmer estima safra de soja dos EUA acima do USDA
A Pro Farmer estima que a produção de soja dos Estados Unidos alcance 4,572 bilhões de bushels em 2026, com produtividade média de 53,3 bushels por acre.
A projeção foi divulgada após a conclusão da crop tour, levantamento anual que percorre importantes regiões produtoras para avaliar as condições das lavouras e estimar o potencial produtivo das culturas.
O volume calculado pela Pro Farmer supera os 4,519 bilhões de bushels previstos pelo USDA em seu relatório mais recente. A diferença também aparece na produtividade: enquanto a expedição projeta 53,3 bushels por acre, o departamento norte-americano trabalha com rendimento médio de 52,7 bushels por acre.
Os números reforçam a perspectiva de ampla oferta nos Estados Unidos. Ainda assim, a reação positiva dos preços mostra que o mercado está dividindo as atenções entre o potencial produtivo norte-americano, a procura chinesa e os riscos geopolíticos no Mar Negro.
Câmbio e prêmios permanecem no radar do produtor
Embora Chicago tenha liderado a alta da soja no Brasil, a continuidade do movimento dependerá também do comportamento do dólar e dos prêmios pagos nos portos.
Como a oleaginosa é negociada internacionalmente em moeda americana, uma valorização do real pode reduzir o efeito das altas externas sobre os preços internos. Da mesma forma, o enfraquecimento dos prêmios de exportação pode limitar os ganhos nas regiões produtoras.
Com o avanço das cotações e a melhora da liquidez, os produtores encontram novas oportunidades para comercializar parte da produção. O cenário, contudo, exige acompanhamento constante, já que as previsões para a safra dos Estados Unidos, as compras da China e os desdobramentos do conflito no Mar Negro devem continuar provocando volatilidade no mercado da soja.
Fonte: Portal do Agronegócio
◄ Leia outras notícias