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Bovinos de Corte

Nova cota de carne bovina nos EUA tem efeito limitado e boi gordo cai até 4,23%

Frigoríficos ainda avaliam a viabilidade dos embarques, enquanto escalas de abate confortáveis, consumo doméstico fraco e queda nas exportações pressionam a arroba


Publicado em: 28/08/2026 às 14:30hs

Nova cota de carne bovina nos EUA tem efeito limitado e boi gordo cai até 4,23%

A ampliação da cota norte-americana para a importação de 300 mil toneladas de carne bovina com tarifa reduzida ainda não provocou mudanças relevantes no mercado físico brasileiro. Apesar da forte reação dos contratos futuros, os preços do boi gordo encerraram a semana entre estáveis e mais baixos nas principais regiões pecuárias.

Segundo o analista da Safras & Mercado, Fernando Iglesias, a medida anunciada pelos Estados Unidos despertou euforia principalmente no mercado futuro. Nas negociações entre pecuaristas e frigoríficos, porém, os efeitos foram limitados.

As indústrias ainda calculam a viabilidade econômica de ampliar os embarques para os Estados Unidos. A nova cota é destinada a cortes magros do dianteiro, utilizados principalmente na fabricação de hambúrgueres e carne moída.

Para a primeira quinzena de setembro, a expectativa é de impacto moderado sobre a demanda por boi gordo. Até que os frigoríficos confirmem volumes, preços e condições de acesso ao benefício, o mercado doméstico deverá continuar condicionado pela oferta de animais e pelo comportamento do consumo.

Escalas de abate pressionam preços do boi gordo

Os frigoríficos de maior porte operaram com escalas de abate relativamente confortáveis durante a semana. Com menor necessidade de avançar nas compras, as indústrias reduziram as ofertas em algumas praças.

Esse cenário limitou a capacidade de negociação dos pecuaristas, especialmente nas regiões onde houve maior disponibilidade de animais terminados.

A arroba apresentou queda em São Paulo, Goiás, Mato Grosso e Rondônia. Minas Gerais e Mato Grosso do Sul mantiveram estabilidade na comparação semanal.

Na avaliação de Iglesias, o alongamento das escalas continua sendo um dos principais fatores de pressão sobre as cotações no mercado físico.

Arroba cai para R$ 340 em São Paulo

Em São Paulo, principal referência para o mercado nacional, o boi gordo foi cotado a R$ 340 por arroba na modalidade a prazo em 27 de agosto.

O valor representa uma queda de 4,23% em relação aos R$ 355 registrados no encerramento da semana anterior. Foi a maior retração entre as praças acompanhadas.

Em Goiânia, a arroba caiu 1,49%, passando de R$ 335 para R$ 330. Em Cuiabá, a cotação recuou 1,47%, de R$ 340 para R$ 335.

Vilhena, em Rondônia, registrou queda de 1,48%, com o preço passando de R$ 338 para R$ 333 por arroba.

Em Uberaba, Minas Gerais, a cotação permaneceu em R$ 335. Em Dourados, Mato Grosso do Sul, o boi gordo seguiu negociado a R$ 340 por arroba.

Mercado futuro reage com forte valorização

Embora a nova cota norte-americana ainda não tenha alterado de forma expressiva as compras dos frigoríficos, os contratos futuros do boi gordo apresentaram forte valorização durante a semana.

A reação refletiu a expectativa de que o Brasil possa ampliar sua participação no mercado dos Estados Unidos, especialmente no fornecimento de carne magra utilizada pela indústria norte-americana.

O mercado futuro também incorporou a possibilidade de uma demanda adicional melhorar a capacidade de compra dos frigoríficos habilitados a exportar.

A valorização, entretanto, poderá perder força se as indústrias concluírem que os custos, as regras de distribuição da cota ou as condições comerciais limitam a competitividade da carne brasileira.

Ampliação da cota beneficia cortes do dianteiro

A medida dos Estados Unidos acrescenta 300 mil toneladas à cota de importação sujeita à tarifa reduzida. O volume adicional será direcionado à carne bovina magra destinada principalmente à produção de hambúrgueres.

Esse perfil de produto favorece países com elevada oferta de carne proveniente de animais criados a pasto, como o Brasil.

Para o mercado brasileiro, a possibilidade de ampliar os embarques de cortes do dianteiro pode melhorar o equilíbrio da carcaça e elevar o valor obtido pelos frigoríficos nas exportações.

O benefício, contudo, dependerá da parcela da cota efetivamente acessada pelo Brasil, da habilitação das plantas, dos custos logísticos e da tarifa final incidente sobre o produto.

Por isso, a abertura comercial ainda não representa uma garantia de aumento imediato das compras de gado.

Preços da carne bovina caem no atacado

O mercado atacadista apresentou preços mais fracos durante a semana e mantém perspectiva de novas quedas no curto prazo.

O quarto dianteiro bovino foi negociado a R$ 20 por quilo, retração de 4,76% em relação aos R$ 21 registrados na semana anterior.

O quarto traseiro caiu de R$ 27 para R$ 26 por quilo, baixa semanal de 3,70%.

A redução dos preços mostra dificuldade de repasse no mercado interno. A demanda permanece enfraquecida, enquanto consumidores encontram alternativas mais acessíveis entre as demais proteínas.

A perda de sustentação no atacado reduz o espaço dos frigoríficos para elevar as ofertas pelo boi gordo, mesmo diante das expectativas relacionadas ao mercado norte-americano.

Frango, suíno e ovos aumentam concorrência

A carne bovina enfrenta forte concorrência da carne de frango, da carne suína e dos ovos no mercado doméstico.

A elevada disponibilidade dessas proteínas mantém os preços competitivos e estimula a substituição por consumidores mais sensíveis ao orçamento.

A oferta excessiva de carne suína, frango e ovos amplia a pressão especialmente sobre os cortes bovinos consumidos no dia a dia.

Nesse ambiente, a aproximação do início do mês pode provocar alguma recuperação das vendas com o pagamento dos salários. Ainda assim, o atacado deverá continuar dependente de promoções e ajustes de preços para melhorar o escoamento.

Exportações de carne bovina perdem ritmo em agosto

As exportações brasileiras de carne bovina fresca, refrigerada ou congelada somaram 141,071 mil toneladas nos primeiros 15 dias úteis de agosto.

A média diária ficou em 9,404 mil toneladas, queda de 26,4% em relação ao mesmo mês de 2025, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior.

A receita acumulada alcançou US$ 873,580 milhões, com média diária de US$ 58,238 milhões. Na comparação anual, o valor médio diário recuou 18,6%.

Apesar da redução no ritmo dos embarques, o preço médio da tonelada avançou 10,6%, chegando a US$ 6.192,50.

A valorização do produto exportado compensou parcialmente a queda do volume, mas não foi suficiente para evitar a retração da receita diária.

Menor volume exportado limita reação da arroba

A desaceleração das exportações ajuda a explicar por que a decisão dos Estados Unidos ainda não sustentou os preços do boi gordo.

Embora a nova cota represente uma oportunidade comercial, os embarques totais continuam abaixo do ritmo observado em agosto de 2025. Esse movimento reduz a necessidade imediata de compra dos frigoríficos exportadores.

Uma recuperação da arroba dependerá da confirmação de novos negócios, do encurtamento das escalas de abate e de uma melhora no escoamento da carne no atacado.

Até que esses fatores apareçam, o mercado físico tende a permanecer cauteloso, com preços estáveis ou pressionados nas regiões de maior oferta.

Mercado acompanha primeiros embarques aos Estados Unidos

Nas próximas semanas, o setor deverá monitorar a distribuição da cota norte-americana e a participação efetiva do Brasil no volume adicional.

A medida pode fortalecer as exportações de cortes do dianteiro e abrir espaço para uma valorização da carcaça. Entretanto, o impacto sobre o preço do boi gordo dependerá da escala dos negócios.

No curto prazo, as condições domésticas ainda exercem influência maior. Escalas confortáveis, atacado enfraquecido e concorrência de outras proteínas limitam uma recuperação mais consistente.

A nova oportunidade nos Estados Unidos melhora as perspectivas comerciais, mas ainda precisa se transformar em contratos e embarques para produzir efeitos concretos sobre a arroba.

Fonte: Portal do Agronegócio

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