Preço do algodão sobe no Brasil com mercado interno mais ativo e exportações em forte ritmo
Pluma avança 1,89% em São Paulo e também se valoriza em Mato Grosso, enquanto embarques brasileiros crescem 32,8% na média diária de agosto
Publicado em: 28/08/2026 às 15:30hs
O mercado brasileiro de algodão ganhou ritmo nesta semana, com aumento da movimentação no segmento físico e valorização das cotações internas. O avanço ocorreu mesmo diante das oscilações dos contratos negociados na Bolsa de Nova York, segundo levantamento da Safras Consultoria.
A sustentação dos preços reflete o maior interesse comprador no mercado doméstico, enquanto o bom desempenho das exportações contribui para reduzir a disponibilidade da pluma e fortalecer as referências nas principais regiões produtoras e consumidoras.
Algodão sobe 1,89% na indústria paulista
O algodão colocado na indústria de São Paulo encerrou a quinta-feira (27) negociado a R$ 4,31 por libra-peso. O valor representa valorização semanal de 1,89% em comparação aos R$ 4,23 por libra-peso registrados no período anterior.
O movimento sinaliza maior atividade entre compradores e vendedores, apesar de os agentes permanecerem atentos à volatilidade externa, à oscilação do dólar e ao andamento da colheita brasileira.
A indústria têxtil também acompanha a disponibilidade de lotes com qualidade adequada e as condições de entrega, fatores que podem ampliar as diferenças entre as ofertas no mercado físico.
Preço da pluma avança em Mato Grosso
Em Rondonópolis (MT), importante referência para a comercialização do algodão brasileiro, a pluma foi indicada a R$ 135,98 por arroba, equivalente a aproximadamente R$ 4,11 por libra-peso.
Na semana anterior, o produto era negociado a R$ 134,15 por arroba. A diferença representa um ganho de R$ 1,83 por arroba no período.
Mato Grosso ocupa posição central na formação dos preços nacionais por concentrar a maior parcela da produção brasileira. Por isso, o ritmo de comercialização no estado, os custos logísticos e a demanda dos exportadores exercem influência direta sobre as cotações em outras praças.
Exportações brasileiras de algodão crescem 32,8%
O desempenho das exportações reforça o cenário positivo para o mercado. Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) mostram que o Brasil embarcou 73,476 mil toneladas de algodão em agosto, considerando 15 dias úteis.
A média diária alcançou 4,898 mil toneladas, volume 32,8% superior às 3,689 mil toneladas por dia registradas em agosto de 2025.
O crescimento confirma a forte presença brasileira no mercado internacional e amplia a competição entre a demanda externa e as necessidades da indústria nacional.
Receita diária dos embarques avança 41,2%
As vendas externas de algodão movimentaram US$ 124,564 milhões no período analisado, com receita média diária de US$ 8,304 milhões.
Na comparação com agosto de 2025, quando a média estava em US$ 5,883 milhões por dia, o avanço foi de 41,2%. O crescimento da receita acima da expansão do volume indica melhora no valor médio obtido com os embarques.
Além da demanda internacional, o resultado das exportações depende da taxa de câmbio, dos prêmios negociados, da qualidade da fibra e da competitividade do algodão brasileiro diante dos principais fornecedores globais.
Vietnã lidera compras de algodão dos Estados Unidos
Nos Estados Unidos, as vendas líquidas de algodão upland da temporada 2026/27 somaram 95,7 mil fardos na semana encerrada em 20 de agosto. A temporada comercial norte-americana começou em 1º de agosto.
O Vietnã foi o principal comprador no período, com aquisições de 19 mil fardos, segundo dados do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA).
Para a temporada 2027/28, os exportadores norte-americanos registraram vendas antecipadas adicionais de 39,6 mil fardos.
Mercado acompanha Nova York, câmbio e demanda externa
A evolução do mercado brasileiro de algodão nas próximas semanas deverá permanecer condicionada ao comportamento da Bolsa de Nova York, às oscilações cambiais e ao avanço da comercialização da safra.
O ritmo das exportações também será decisivo. A continuidade dos embarques em níveis elevados pode sustentar os preços internos, especialmente se houver maior disputa por lotes de boa qualidade.
Para produtores e compradores, o cenário exige atenção às oportunidades de fixação de preços. A combinação entre mercado doméstico mais ativo, valorização da pluma e crescimento das exportações mantém o algodão brasileiro em posição favorável, apesar da volatilidade internacional.
Fonte: Portal do Agronegócio
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